Em declarações à agência Lusa, Luís Vicente, diretor da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, responsável pela programação no histórico teatro farense, explicou que estão a ser realizados trabalhos para permitir a utilização da sala, e o regresso da programação está previsto para essa data.
“Nós vamos abrir no dia 22 de fevereiro com o Festival de Guitarra”, calendarizou Luís Vicente, afirmando que está a ser realizada uma intervenção por “trabalhadores e técnicos de uma empresa do Norte contratada para tratar da cobertura do palco”, que ficou afetada depois da passagem da depressão Cláudia, em novembro passado.
O diretor da ACTA frisou que fica ainda a faltar uma “segunda fase” de obras, mas garantiu que os trabalhos em curso vão criar as condições necessárias para o Teatro Lethes acolher de novo espetáculos e reabrir portas.
Luís Vicente precisou que o trabalho está a ser executado “interiormente”, com uma solução “semelhante à que já foi aplicada noutros espaços antigos”, como, por exemplo, o Coliseu do Porto.
“O Coliseu do Porto também tem uma estrutura idêntica a esta que nós estamos agora aqui a aplicar. E está a ser aplicada pela mesma empresa, aliás”, acrescentou, esclarecendo que se trata de uma estrutura que internamente cobre o palco e veda o espaço.
O diretor da ACTA espera que, após a conclusão destes trabalhos, se consume a compra do Teatro Lethes pelo município de Faro, uma intenção que anunciada pelo presidente da autarquia algarvia, António Miguel Pina, e que está prevista ser concretizada no primeiro semestre do ano.
A compra pelo município “irá permitir que se faça outro tipo de obras”, porque atualmente o Teatro Lethes é propriedade da Cruz Vermelha Portuguesa, observou.
Como pertence a uma entidade privada, a Câmara do Faro “não pode fazer nada” no teatro nem candidatar-se a fundos comunitários para obter financiamento destinado a intervenções na sala de espetáculos, uma possibilidade que passa a ser viável quando passar para a propriedade da autarquia, argumentou.
O Teatro Lethes cancelou todos os espetáculos em novembro passado, devido a problemas estruturais no palco causados pela depressão Cláudia.
Entre as atuações canceladas estiveram o espetáculo de dança clássica “Quebra-Nozes”, da Companhia Jovem de Dança do Porto, a peça de teatro “Limites”, produzida pelo Teatro dos Aloés, e a tragédia de Shakespeare “Rei Lear”, pela Companhia de Teatro do Chapitô.
O edifício que hoje se designa Teatro Lethes começou por ser um colégio de Jesuítas, no século XVI, e foi inaugurado como teatro em 04 de abril de 1845.
Mais de um século depois, em 1951, o teatro foi vendido à Cruz Vermelha Portuguesa, que mantém a propriedade do espaço, onde a ACTA está instalada, como companhia residente e responsável pela gestão, ao abrigo de um protocolo celebrado, em 2012, com a Câmara Municipal de Faro.
Em 30 de janeiro, o presidente da Câmara de Faro anunciou a intenção de adquirir, no primeiro semestre deste ano, o centenário Teatro Lethes, num investimento estimado de quatro milhões de euros e cuja concretização depende da venda de um terreno da autarquia.
O Teatro Lethes faz parte da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) que soma danos provocados pelo mau tempo das últimas semanas em pelo menos 21 equipamentos, de acordo com números hoje avançados pela Direção-Geral das Artes (DGArtes).