Sociedade

Suspeita de matar a mãe em Olhão tinha antecedentes de violência doméstica

Foto - Depositphotos  
A mulher detida por suspeitas de assassinar a mãe, na segunda-feira, em Olhão, já tinha cometido dezenas de crimes de violência doméstica, cumpria pena de prisão e não regressou à cadeia após uma saída precária, disse hoje fonte policial.

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O responsável pela diretoria do Sul da Polícia Judiciária (PJ) disse aos jornalistas que os crimes de violência doméstica cometidos pela suspeita, de 40 anos, tiveram sempre como vítima a mãe, de 58, cuja residência a alegada agressora frequentaria, apesar de se encontrar fugida da cadeia, desde janeiro.

“A Polícia Judiciária iniciou as investigações no dia de ontem [quarta-feira], de manhã, na sequência de uma comunicação de um cidadão que dá notícia do desaparecimento […] da senhora. Iniciaram-se as diligências de investigação tendentes à localização […] e acabou por ser localizado o cadáver numa habitação, com alguns contornos macabros”, contou João Garcia.

A mesma fonte adiantou que a vítima apresentava “evidentes sinais de a morte ter sido provocada por ação violenta” da filha, que “ultimamente estaria a habitar na residência, localizada na cidade de Olhão”.

Nas diligências de investigação realizadas, foram recolhidos indícios de que a suspeita se “preparava para abandonar a região” e tinha “alterado a sua fisionomia”, tendo cortado o cabelo curto e começado a usar outra indumentária, mas a PJ acabou por localizá-la e detê-la na noite passada.

“Estamos na presença de um homicídio, um homicídio qualificado, e vai ser presente às autoridades judiciárias competentes, a quem já comunicámos todo o circunstancialismo esclarecido até agora”, tipificou.

A detida “tem um histórico criminoso associado à violência doméstica” e estava a cumprir uma pena de prisão desde 2021, mas foi libertada numa saída precária em janeiro de 2024 “e não regressou ao estabelecimento prisional onde cumpria a sua pena”, observou.

O diretor da Diretoria do Sul salientou que a Polícia Judiciária só entrou em ação quando foi dada a notícia do desaparecimento da vítima e desconhecia o histórico social familiar de “discussão e de conflito” entre a vítima e a filha.

Após o crime, a mulher deixou de ser vista nos lugares que frequentava, “alterou completamente a sua fisionomia” com um corte de cabelo “muito curto” e mudou a indumentária que habitualmente utilizava, levando os investigadores a considerar que havia “sinais muito fortes” de que se estaria a preparar “em termos logísticos” e a “definir o seu destino” para prosseguir a fuga e evitar a detenção, acrescentou.

“A perturbação emocional que resulta de uma ação desta natureza também não dá tranquilidade a ninguém, é um comportamento criminoso que altera as pessoas e é possível que tenha ficado perturbada, de forma a levar algum tempo a definir para onde é que ia e como ia”, considerou.

A PJ avançou previamente num comunicado que a “vítima foi encontrada cadáver, pela PJ, soterrada num canteiro de uma varanda na sua residência, em Olhão, com evidentes sinais de morte violenta”.

A vítima vivia sozinha e, nos últimos tempos, a sua filha ter-se-á mudado para a sua residência, “tendo-se apurado que socialmente era conhecido um clima de conflito e discussão entre ambas”, referiu também a PJ no comunicado.

A suspeita do crime ainda vai ser presente a primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação.