Entre outras questões, esteve em análise a revisão do contrato coletivo de trabalho celebrado entre a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve - AHETA e a Federação dos Sindicatos da Indústria e Serviços - FETESE, estrutura sindical afeta à UGT.
Em comunicado, o sindicato diz ter verificado que a tabela salarial agora acordada entre as entidades patronais do Turismo do Algarve e a estrutura sindical afeta à UGT fica "muito aquém das necessidades dos trabalhadores".
Segundo os sindicalistas, a tabela salarial acordada prevê o pagamento de salários abaixo do valor do salário mínimo nacional (SMN), "impondo à grande maioria dos trabalhadores um salário-base mensal entre o SMN e os 1.000 euros".
Para o sindicato, estes acordos, "impostos aos trabalhadores sem o seu envolvimento, sem ter em conta o aumento do custo de vida e os resultados históricos alcançados pelas empresas deste setor de atividade ano após ano, têm resultado numa contínua perda do poder de compra dos salários de milhares de trabalhadores na região".
O comunicado assinala que, tendo por base resultados oficiais, entre 2014 e 2024 o Turismo teve um crescimento da receita de 192%, mas os salários aumentaram apenas 52%, "empurrando milhares de trabalhadores para o salário mínimo nacional e para a pobreza, quando o ano de 2025 terminou com novos recordes, com a receita a crescer 6,1%, a par do aumento da exploração e da degradação das condições de vida dos trabalhadores do setor".
A estrutura sindical afeta à CGTP-IN apela à sindicalização dos trabalhadores e à luta por melhores salários e melhores condições de trabalho e de vida, pela rejeição do Pacote Laboral que o governo PSD/CDS, com o apoio do Chega e da IL, quer aprovar na Assembleia da República.
Diz que continuará a reivindicar o aumento geral dos salários em 15%, com o mínimo de 150 euros; o fim da precariedade dos vínculos de trabalho; a regulação e redução do horário de trabalho para as 35h semanais, sem perda de retribuição; o gozo de 25 dias úteis de férias, sem condicionalismos; a valorização das profissões e a progressão na carreira profissional; a defesa e melhoria da contratação coletiva da CGTP-IN; a revogação das normas gravosas do Código do Trabalho; a defesa e melhoria dos serviços públicos e das funções sociais do Estado; a defesa da democracia, da paz e da soberania, bem como o cumprimento da constituição da República Portuguesa.
Exorta ainda as trabalhadoras a participarem nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, com destaque para a Manifestação Nacional de Mulheres descentralizada por mais de 12 localidades do país, que contará com uma manifestação em Faro, com início às 15h30 na rotunda do Km 738, e os jovens trabalhadores a participarem na Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores, no dia 28 de março, com o lema: O Pacote é P’ra Cair! | Acabar com a precariedade! Mais salário e mais direitos!.