No âmbito das celebrações nacionais do Dia Mundial da Arquitetura, a Secção Regional do Algarve da Ordem do Arquitectos, atribuiu ao arquiteto José Paulo Velho Geraldo de Albuquerque Veloso, o estatuto de Membro Extraordinário Honorário.
A entrega do certificado de membro honorário foi entregue na cerimonia oficial, realizada na sede nacional da Ordem dos Arquitectos em Lisboa, no passado dia 22 de outubro.
Em nota emitida, a Secção Regional do Algarve da Ordem do Arquitectos, recorreu à biografia da Professora Helena Pato com a publicação, José Veloso “A Arquitetura, uma causa”, editada pelo COFAC – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes.
Biografia
José Paulo Velho Geraldo de Albuquerque Veloso nasceu na freguesia de Santa Maria de Lagos, a 9 de junho de 1930. Licenciou-se em Arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e passou a exercer a sua profissão em Lagos, onde abriu o seu próprio «atelier».
Vida política:
Foi candidato do PCP, em diversas eleições para a Assembleia da República, sempre pelo círculo de Faro. Foi membro da Assembleia Municipal de Lagos, eleito vereador da Câmara Municipal de Lagos, no mandato de 1983-1985. Integrou a comissão concelhia de Lagos do PCP e fez parte da direção regional de Faro do mesmo partido.
Representação Institucional:
Em 1967 e em 1972, fez parte das delegações portuguesas de arquitetos nos congressos da União Internacional dos Arquitectos, respetivamente na Checoslováquia e na Bulgária.
Foi eleito para o Conselho de Delegados da Associação do Arquitectos Portugueses, sucessor do Sindicato Nacional dos Arquitectos, atual Ordem dos Arquitectos.
Intervenção Social:
Entre 1974 e 1976, trabalhou para o Fundo de Fomento da Habitação, como coordenador de equipas de projeto do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), com projetos construídos em diversos concelhos algarvios.
É nesse quadro que José Veloso ficou com o seu nome de arquiteto irreversivelmente ligado a um extraordinário acontecimento popular, marca da Revolução de Abril: «Os índios da Meia Praia».
Entre 1976 e 2002, e como membro da Cooperativa BLOCO, Crl., dedicou a sua atividade profissional quase exclusivamente a projetos de equipamento público, de habitação de promoção municipal e de habitação cooperativa, com obras construídas em vários concelhos algarvios e alentejanos.
Colaborou na defesa de projetos que defendem as populações, nomeadamente, com uma viva intervenção numa grande sessão sobre “Os índios da Meia Praia”, promovida e realizada na Casa da Achada em 2013, por iniciativa do Movimento Não Apaguem a Memória (NAM).
Participou ainda no filme de João Dias, O Processo SAAL;
Profissional Liberal:
Após quatro décadas de trabalho desenvolvido na zona de Lagos, em 2002 retomou a profissão liberal, num gabinete de arquitetura em Faro.
Recebeu menções honrosas do Fundo de Fomento da Habitação, em projetos de habitação cooperativa, em Lagos. Pelo IPPAR foi selecionada para abertura de classificação como obra de Interesse Nacional, a ‘Estalagem Abrigo da Montanha’ (1960), em Monchique, projeto de arquitetura da sua autoria.
Diversas obras suas foram escolhidas pelo Inquérito à Arquitetura Portuguesa do Século XX, IAPXX, promovido pela Ordem dos Arquitectos.
Encontram-se referências à sua atividade profissional em obras como 10 Anos de Artes Plásticas e Arquitectura: 1974/1984, de Rui Mário Gonçalves e Francisco Silva Dias (Lisboa, 1985) e Arquitectura no Algarve: dos primórdios à atualidade, uma leitura de síntese, de José Manuel Fernandes, com fotos de Ana Janeiro (Faro, 2005).
Publicações:
Além de projetos de arquitetura, publicados em revistas da especialidade, como Arquitectura (1962), Arquitectura e Vida (2002), Arquitectura e Construção (2008) e L’Architecture d’Aujourd’hui (1976), colabora frequentemente na imprensa regional do Algarve, com artigos de opinião sobre matérias da profissão e sobre legislação autárquica, bem como com comentários acerca de ações do poder local, nos campos do urbanismo, arquitectura e ordenamento do território.
Escreveu cerca de 160 artigos na imprensa local, regional e nacional, sobre temas da profissão, autárquicas locais e náuticas de desporto e recreio (navegar foi sempre a sua paixão).
Atualmente com 91 anos, José Veloso não desiste de contribuir, por todos os meios ao seu alcance, para a construção da sociedade justa e igualitária com que sempre sonhou, lê-se na mesma nota.