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Saiba o que realmente destrói uma relação

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Esther Perel é uma psicoterapeuta belga amplamente conhecida pela sua posição em relação ao amor e à vida conjugal.

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De acordo com esta especialista, «não são as discussões que arrasam o casamento», mas sim a indiferença, o hábito de nos distanciarmos da pessoa que temos ao nosso lado e, o mais grave, não sentirmos falta do contacto físico, da cumplicidade, da discussão e de construir e reconstruir algo em conjunto.

A especialista em relacionamentos e sexualidade, que também é autora de vários livros sobre o assunto, ficou célebre por estudar como manter o desejo vivo na rotina e pela sua visão inovadora sobre a infidelidade.

Segundo a autora, o amor procura proximidade e segurança, enquanto o desejo precisa de um certo espaço de mistério e distância entre o casal. Sem a conjugação destes dois ingredientes, a relação vai perdendo a intensidade e o interesse e, aos poucos, o casamento não é mais do que uma empresa gerida por duas pessoas que deixaram de ligar-se emocionalmente, que só dão resposta aos problemas do dia a dia, às dificuldades financeiras, aos desafios com os filhos, aos problemas profissionais e outros, e a relação perde-se no meio da indiferença.

Esther Perel aponta ainda que as altas expectativas face ao parceiro fazem com que cada um dos membros da parceria amorosa fique à espera que o outro faça alguma coisa e, se não fizer, nada se movimenta. Por outro lado, se couber só a um a posição de “desafiar” o parceiro para a intimidade, passa a existir uma sobrecarga que, aos poucos, vai transformar-se em desinteresse.

Também ocorre com alguma frequência no seio de uma relação que só um dos elementos seja o/a confidente, o apoio, o amigo ou a amiga, quando, na realidade, ambos têm de participar ativa e diariamente na construção e na manutenção da vida a dois. Não é uma única pessoa que tem de manter a chama da sexualidade, muito menos da amizade ou da cumplicidade: ambos têm de assumir esse papel, ainda que de formas diferentes e em momentos distintos, sob pena de a sobrecarga destruir a ligação e, como o outro não estava habituado a fazer o mesmo, ninguém faz.

Para a psicoterapeuta, o ciúme e o controlo do parceiro também são um fator “demolidor” de uma relação porque lhe retiram a magia e a atração pela perda da liberdade e da criatividade — essenciais para que um parceiro se sinta confortável e esteja bem na relação.

A autora dos livros "Sexo no Cativeiro" e "Casos e Casos: Repensando a Infidelidade" adianta que, muito mais do que as discussões, a indiferença destrói os vínculos porque retira a importância do outro, gerando um silêncio e um vazio emocional muito mais dolorosos do que uma discussão. Quando o desinteresse substitui o cuidado, o afeto morre aos poucos, enfatiza.

Para a especialista, é sempre tempo de avaliar se estes sinais de indiferença estão presentes na sua relação:

Falta de diálogo: Ignorar conversas e evitar olhar nos olhos.

Descaso diário: Não se importar com o que o outro sente ou vive.

Solidão a dois: Sentir ausência mesmo com a pessoa por perto.

Na posição de Esther Perel, a indiferença dói mais do que uma discussão porque revela desistência, desinteresse e falta de esperança na convivência a dois. No caso das discussões que são evitadas muitas vezes por medo ou vergonha de mostrar fragilidades, ou porque simplesmente se tornou “moda” parecer sempre bem e não discutir, a realidade mostra que quem discute tenta mudar alguma coisa, luta pela relação e mostra interesse. Quem se apresenta como indiferente revela que não tem qualquer interesse em alterar o que quer que seja e que tanto pode ficar nessa relação ou noutra qualquer, o que magoa muito mais um parceiro do que chamá-lo à atenção por algo de que não se gostou.

Uma publicação do Arquétipo do Êxito sobre o assunto afirma que a ameaça mais perigosa para um casal não é o conflito, mas a resignação.

Muitos acreditam que os relacionamentos chegam ao fim devido a grandes discussões ou divergências. Mas a realidade é que a maioria das conexões morre aos poucos, no silêncio da rotina, quando o casal passa a funcionar apenas como uma "sociedade administrativa" para pagar contas e gerir a casa.

A especialista em relacionamentos Esther Perel apresenta uma lição cirúrgica sobre esse processo de desapego silencioso:

"O perigo não é deixar de desejar; é acostumar-se com a ausência do desejo e deixar de sentir falta dele."

Quando o distanciamento deixa de incomodar e passa a ser tratado como "normal", o relacionamento perde o seu pilar fundamental. O desejo e a intimidade não sobrevivem em piloto automático; exigem admiração, espaço, intenção e esforço contínuo de ambas as partes.

3 verdades sobre manter a conexão viva:

Conforto não é conexão: Morar sob o mesmo teto e partilhar a rotina não significa estar presente na vida do outro.

O desejo exige intencionalidade: A atração inicial nasce naturalmente, mas a sustentação do desejo ao longo dos anos é uma escolha diária de postura e dedicação.

Apatia é o sinal vermelho: O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença. Quando a falta de carinho e de profundidade já não gera incómodo, a relação já está em alerta máximo.

Não permita que o comodismo roube a vida do seu relacionamento. Cuidar de quem está ao seu lado é uma demonstração diária de caráter e maturidade, afirma o Arquétipo do Êxito.