A Sleep Foundation diz que dormir mais uma ou duas horas ao fim de semana, quando estamos muito cansados, pode funcionar como reparador, preparando o indivíduo para uma nova jornada com mais energia; contudo, a sugestão que circula nas plataformas digitais, que recomenda várias horas deitado a descansar com o telemóvel ou a assistir a séries, acreditando que o corpo deitado está a descansar, «não corresponde de todo à verdade e até acarreta prejuízos para a saúde física e mental».
Ficar um fim de semana inteiro deitado na cama, uma tendência por vezes chamada de "bed rotting" (apodrecer na cama), pode parecer relaxante após dias exaustivos, mas não é considerado um descanso eficaz nem saudável.
Os especialistas vão mais longe e apontam os riscos para a saúde de quem segue essa tendência de permanecer durante longos períodos deitado:
• O corpo foi feito para mover-se: Permanecer na mesma posição por muito tempo prejudica a circulação sanguínea (dificultando o retorno venoso), enfraquece a musculatura e trava as articulações, resultando em dores e maior cansaço, não em energia.
• Desregulação do sono: Ficar na cama acordado, a usar o telemóvel, altera o ritmo circadiano. A luz azul dos ecrãs engana o cérebro, fazendo-o pensar que é dia, o que dificulta o sono profundo e estraga o descanso.
• Ciclo de inatividade: Passar várias horas deitado pode criar um ciclo vicioso, onde quanto mais se descansa de forma passiva, mais o corpo se sente cansado e sem motivação.
• A "dívida de sono" não é totalmente paga: Dormir a mais no fim de semana não compensa as noites mal dormidas da semana. Estudos indicam que apenas 1 a 2 horas a mais de sono são aceitáveis; passar do limite pode ter o efeito oposto, causando mal-estar e problemas cardiovasculares.
• Saúde Mental: Embora pareça autocuidado, o isolamento prolongado na cama pode aumentar a ansiedade, a culpa e o stresse, sendo por vezes sintoma de algo mais profundo, como depressão, alertam os especialistas na área da psicologia.
Para que se entenda melhor em que consiste o verdadeiro descanso, os entendidos sublinham que «o essencial é que se façam pausas ativas que permitam que o corpo e a mente recuperem após dias exaustivos». Para tal, recomendam:
• Pequenos movimentos: Caminhadas, alongamentos ou exercício físico suave ajudam a lubrificar articulações e melhorar a circulação.
• Contacto com a luz natural: Sair de casa e apanhar sol é fundamental para regular o relógio biológico.
• Descanso variado: Envolve desconectar dos ecrãs, praticar hobbies, socializar ou simplesmente ter momentos de lazer ativo, seja com amigos, familiares ou até aproveitar para estar um pouco sozinho ou na companhia de um livro. Passear num local agradável e deixar fluir os pensamentos também constitui uma boa fonte de reposição de energias, acrescentam os entendidos da Sleep Foundation.
Ao mesmo tempo, também é importante reter: «se sente necessidade constante de ficar na cama, pode ser um sinal de esgotamento extremo ou necessidade de ajuda profissional». Nestes casos, procurar o médico de família ou um psicólogo pode ser o ponto de partida para iniciar uma nova fase de vida.
A Sleep Foundation (National Sleep Foundation - NSF) e outros estudos recentes de 2024/2025, mostram que permanecer durante longos períodos na cama não é descanso e argumentam:
1. O conceito de "Bed Rotting" (Apodrecer na Cama): A Sleep Foundation alerta que, embora pareça relaxante, o excesso de tempo na cama pode levar ao descondicionamento físico (perda de força muscular) e prejudicar a saúde mental. Confusão Cerebral: O cérebro começa a associar a cama à vigília e ao entretenimento, o que pode causar ou agravar a insónia.
2. O Estudo do Fim de Semana e o Coração (2024) mostra que pessoas que sofrem de privação de sono durante a semana e conseguem "compensar" no fim de semana podem ter um risco até 20% menor de desenvolver doenças cardíacas.
O Limite: A National Sleep Foundation recomenda que esta compensação não exceda 1 a 2 horas além do horário habitual de despertar para evitar desregular o ritmo circadiano.
3. Sono vs. descanso ativo: Os estudos reforçam que o corpo recupera melhor através de um descanso bidirecional.
Atividade física: Exercício moderado (mesmo caminhadas leves) melhora a qualidade do sono profundo, ajudando a adormecer mais rápido e a diminuir o tempo acordado durante a noite.
4. Higiene do Sono: A Sleep Foundation destaca que a regularidade (ir para a cama e acordar à mesma hora) é um preditor de saúde cardiovascular e longevidade tão importante quanto a duração total do sono.
5. Recomendações de duração (NSF): A National Sleep Foundation mantém diretrizes claras sobre as horas de sono necessárias por idade para um descanso real: Adultos (26-64 anos): 7 a 9 horas. Idosos (65+ anos): 7 a 8 horas.
Nota: Dormir habitualmente mais de 10-11 horas pode ser um sinal de alerta para problemas de saúde subjacentes.
Em resumo, se o seu "fim de semana na cama" for para dormir as horas que lhe faltaram (dentro de um limite saudável), o seu coração agradece. Se for apenas para ficar deitado sem dormir, o seu corpo e mente podem acabar mais cansados do que quando começou, alerta a mesma fundação.