“Não vejo [incompatibilidades], e se fosse hoje não via, e os manuais não contemplam incompatibilidade nessa matéria, e falamos de um processo de há 20 anos. Não percebo por que se levantam estas questões agora. (...) Esse negócio foi, no Algarve, bem publicitado e divulgado”, declarou aos jornalistas o candidato à LPFP.
Reinaldo Teixeira entregou hoje o dossiê de candidatura, na sede do organismo, no Porto, com programa e a subscrição de 17 sociedades desportivas, tendo comentado o negócio com Rui Costa, noticiado pelo Correio da Manhã, em torno de um empreendimento imobiliário no Algarve.
O presidente da Associação de Futebol do Algarve (AFA) mostrou-se “disponível para esclarecer quaisquer dúvidas” que os clubes possam ter, em declarações aos jornalistas mais de 45 minutos depois da hora marcada.
Espera poder continuar a “aportar valores a esta casa e ao futebol, que vive neste momento desafios tão grandes”, lembrou as décadas de ligação à Liga e o facto de ter “42 anos de atividade empresarial” que procurou pautar por valores.
“O negócio em concreto foi feito então em 2004, quando se iniciou, e foi formalizado em 2006, com o atual presidente do Benfica, na altura jogador do AC Milan. (...) Não escolhemos se o cliente é do clube A ou B”, defendeu.
Teixeira recusou-se, de resto, a comentar taxativamente as críticas do FC Porto, que anunciou um pedido de esclarecimento à Liga sobre o negócio, enquadrando-as na “democracia” e liberdade de expressão, mantendo “respeito total” por este e todos os clubes.
“A mim compete-me gerir a relação com os clubes e estou muito convencido, confiante, de que a partir de dia 11 de abril serei presidente de todos os clubes. Sendo Benfica, FC Porto, ou outra sociedade desportiva, merecem-me todo o respeito. Terem opiniões divergentes não me [merece] atitude negativa”, disse.
O candidato, que diz ter recebido apoio após esta notícia de várias sociedades desportivas, recusou confirmar, das 17 signatárias da candidatura que lidera, se entre elas estão Benfica e Sporting e, de resto, quantas são da I Liga, considerando legítimo que FC Porto e Sporting de Braga tenham decidido retirar o seu apoio em favor de outro candidato.
Também se escusou a comentar o diferendo entre o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, e o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) e ex-FPF, Fernando Gomes, dizendo apenas que espera que Proença “seja eleito quinta-feira para o Comité Executivo da UEFA, para defender os interesses de Portugal”.
Perante a insistência dos jornalistas, afirmou que a relação que tem com Rui Costa e “com todos os presidentes de sociedades desportivas é de respeito”, o mesmo por todos, e que mesmo que exista uma relação pessoal “com qualquer um”, promete “ser imparcial e tratar todos por igual”.
“Não verão, nunca, deste ser humano um ato premeditado para poder beneficiar A ou B”, declarou.
Também hoje, o Benfica lamentou as “alegações infundadas” do FC Porto sobre um negócio entre Rui Costa, presidente dos ‘encarnados’, e o candidato à Liga Reinaldo Teixeira há 20 anos, na semana anterior ao clássico entre os dois clubes.
Os ‘encarnados’ rejeitam, em nota publicada, “com total veemência as insinuações proferidas no comunicado hoje emitido pela atual administração do FC Porto”, no qual os ‘azuis e brancos’ questionaram a LPFP sobre uma “relação de privilégio entre o coordenador dos delegados e um dirigente de um dos clubes participantes nas competições”.
Reinaldo Teixeira, presidente da Associação de Futebol do Algarve, é candidato nas eleições para a LPFP, marcadas para 11 de abril, concorrendo com José Gomes Mendes, presidente da Assembleia Geral do organismo.
Benfica e Sporting subscreveram a candidatura de Reinaldo Teixeira, com os ‘dragões’ mais inclinados para Gomes Mendes, e o líder ‘azul e branco’ André Villas-Boas denunciou um “desalinhamento” entre as partes.
Na manhã de hoje, o FC Porto anunciou ter questionado a LPFP sobre os negócios entre Rui Costa e Reinaldo Teixeira, na sequência de uma notícia publicada no jornal Correio da Manhã, que dava conta de que empresas de Rui Costa e Reinaldo Teixeira finalizaram em 2016 a venda de 49 moradias em Lagoa, num volume de negócios superior a seis milhões de euros, já depois de, em 2004, terem colaborado num empreendimento em Tavira.
Lusa