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Recriação pré-histórica de Alcalar celebra 20 anos com visitas orientadas por arqueólogos

Fotos - CM Portimão
Fotos - CM Portimão  
A tradicional recriação de “Um dia na Pré-História”, que leva os Monumentos Megalíticos de Alcalar a recuar cinco mil anos, volta a acontecer no sábado, dia 9 de maio, entre as 10h00 e as 18h00. Este ano, a iniciativa assinala 20 anos, integrando também as comemorações do 18.º aniversário do Museu de Portimão.

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“Um dia na Pré-História” é dirigido às famílias, sendo um convite para que a população descubra o quotidiano do povo residente naquele local durante a Pré-História, "mantendo viva a memória coletiva, através da participação em experiências que dão a conhecer as atividades habituais naquela época", assinala nota da autarquia de Portimão. 

A iniciativa motivou a atribuição de uma Menção Honrosa em Mediação nos Prémios Património Ibérico, depois de ter sido finalista na categoria de “Melhor Projeto de Mediação”.

Estes prémios distinguem anualmente as Boas Práticas no sector do Património Cultural Ibérico, reconhecendo entidades e profissionais portugueses e espanhóis que se destacaram pela excecionalidade dos projetos desenvolvidos nos três anos anteriores.

Como atrativo uma equipa especializada área de arqueologia experimental vai recorrer exclusivamente a instrumentos e técnicas ancestrais para a produção de fogo e a preparação de alimentos sem recurso a utensílios modernos, recriando práticas com cerca de cinco mil anos.

Para recriar um ambiente daquela época, para além das equipas do Museu, participam também o Grupo de Teatro e o Núcleo Musical da Escola Básica e Secundária da Bemposta com propostas de animação.

Este ano, o programa inclui visitas orientadas pelos arqueólogos Rui Parreira e Elena Morán, responsáveis pela escavação e estudo do sítio arqueológico. As visitas realizam-se na parte da manhã, com início às 11h00, e à tarde, pelas 15h00 e 16h30. O ponto de encontro é na entrada do edifício do Centro Interpretativo de Alcalar, onde deverão também ser efetuadas as marcações.

A recriação é organizada pelo Município de Portimão, através da Divisão de Museus e Património e com a colaboração da Unidade de Cultura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, das Juntas de Freguesia de Portimão, de Alvor e da Mexilhoeira Grande, a par do Grupo de Amigos do Museu de Portimão.

Trata-se de um dia de experiências recriadas, tendo como base diversos resultados de estudos científicos realizados naquele território por equipas de investigação das Universidades de Estugarda (Alemanha) e Córdoba (Espanha), bem como pelo Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

Conforme adianta a Câmara de Portimão, situado a poucos quilómetros de Portimão, no interior da freguesia da Mexilhoeira Grande, o lugar de Alcalar "foi o espaço escolhido para que se fixasse e vivesse, há cerca de cinco mil anos, uma importante comunidade pré-histórica, defendida por muros, trincheiras e taludes".

Lê-se ainda que junto às habitações foi edificado um importante conjunto de túmulos megalíticos, permitindo que, através dos vestígios encontrados, se chegasse à atualidade com uma ideia aproximada do modo de vida e das atividades dessa comunidade, bem como as formas de ocupação e utilização do sítio.

A relação desse povo com a morte está, inclusive, patente nas formas de construção dos diferentes tipos de sepulcros, desde as sepulturas coletivas até às especialmente destinadas aos chefes e seus familiares.

Descobertos e explorados a partir de finais do século XIX, os Monumentos Megalíticos de Alcalar estão classificados como Monumento Nacional, encontrando-se atualmente duas dessas estruturas funerárias (VII e IX) abertas ao público, o que permite um contacto direto com os processos e os materiais utilizados na construção.