A Quercus refere que a sequência anómala de tempestades que assolou o país proporcionou também uma acumulação de riqueza hídrica nas barragens nacionais, que estão atualmente nos seus níveis máximos de armazenamento de água.
«Este é um facto absolutamente extraordinário num país que tem sido crescentemente vulnerável à escassez de água. Por isso, é fundamental garantir aos portugueses que esta abundância hídrica é utilizada de forma eficiente», sublinha a associação.
Para tal, a Quercus insta a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a ir mais além da informação disponibilizada no portal oficial https://infoagua.apambiente.pt/pt/seca sobre a monitorização das albufeiras, passando a tornar públicos, com uma periodicidade mensal, a duração prevista do armazenamento de água, nomeadamente projetar e anunciar qual o período temporal assegurado pelas disponibilidades hídricas, em meses ou anos, para fazer face a situações de seca extrema (mesmo não chovendo).
Também a percentagem de água utilizada por setor e por barragem, complementando os boletins semanais e a informação no portal Info Água com os seguintes dados: Água utilizada para consumo humano em cada barragem; água utilizada para a indústria em cada barragem; água utilizada para a agricultura em cada barragem, de modo a responder às necessidades de rega mesmo em épocas de seca extrema.
No mesmo comunicado, a Quercus diz ser essencial que os portugueses saibam a quantidade de água utilizada para a produção de energia hidroelétrica em cada barragem destacando que, «as empresas produtoras de energia podem e devem contribuir para o fundo público de apoio a futuras catástrofes já anunciado pelo Governo, através de uma sobretaxa correspondente a uma percentagem dos lucros extraordinários desta atividade».
A presidente da Quercus, Alexandra Azevedo, lança mesmo o desafio à APA “para reativar o Conselho Nacional da Água, parado há 3 anos, com a marcação de um plenário com especialistas, com caráter de urgência, para ser discutida a gestão da água em Portugal”.