Enquanto que há pessoas que parecem ter nascido com o dom da palavra, que comunicam com facilidade e projetam magia e magnetismo nas relações que estabelecem, outras precisam de desenvolver essas habilidades o que, segundo a ciência, é acessível a todos, basta querer.
Para ser uma pessoa mais carismática, interessante e cativante, pode colocar em prática as seguintes habilidades, sem esquecer que, o primeiro passo é sempre gostarmos de nós próprios, de conviver com outras pessoas, respeitar-nos e devolver esse respeito a quem faz parte das nossas relações. Registe ainda que, quanto mais espontâneo, sincero, simples e empático for, melhor será a aplicação destas dicas.
1. Melhore as habilidades de comunicação
O segredo é ser assertivo, emocional, mas não ser “um sabe-tudo”. A pessoa que se coloca ao nível dos outros, será sempre muito mais aceite do que quem se posiciona num patamar acima, mas isso não quer dizer que baixemos “o nível”, mas que saibamos dar-nos ao respeito e fazer-nos respeitar, cortar o assunto chato e pobre de conteúdo e transformarmos a nossa comunicação em algo alegre, envolvente e cativante. Saber ouvir também é uma virtude, tal como saber o que é interessante ouvir. Todos somos líderes de opinião e devemos selecionar bem o que dizemos para evitar entrar em monotonias, monólogos, gabarolices ou provocações.
Evitar abordar assuntos polémicos, pessoais ou privados, optando por temas do dia a dia em que possa acrescentar algo novo à conversa é um truque poderoso. A leitura ajuda muito a desenvolver esta habilidade na medida em que, a maioria das pessoas está mais focada nos media e, conseguir surpreender com um toque de conhecimento sem parecer “um sabichão”, torna-nos diferentes e cativantes. Ser simples e prático também favorece este ponto, tal como manter uma postura de igualdade para com o outro.
2. Mostre curiosidade
Ser um eterno aprendiz faz com que as pessoas gostem de conversar e de partilhar algo connosco, pelo que, mostrar curiosidade e disponibilidade para aprender com outras pessoas, retira-nos a arrogância e a soberba e torna-nos “pessoas comuns” tal como quaisquer outras, mesmo que saibamos muito.
Saber aquilo que nos interessa e o que não nos faz sentido, ajuda-nos logo a decidir onde queremos ir e com quem queremos conviver para que possamos estar disponíveis e libertos para conversar sobre o tema de uma sessão ou convívio.
3. Seja carismático
Ser carismático significa transmitir confiança, ter sensibilidade com as palavras que utiliza e demonstrar segurança.
Olivia Fox Cabane, autora de The Charisma Myth, explica que o primeiro pilar do carisma é a presença. Ou seja, estar no momento, não desviar a atenção ao falar com alguém. A segunda chave é o poder, que impede que duvide de si mesmo e que reforce a ideia de que, as “suas habilidades e paixões são valiosas e interessantes para os outros”. Por fim, há o calor, a “vibração que indica gentileza e aceitação” nas interações que estabelece com os outros.
Dominar os três pilares ajuda a aumentar o carisma e tornar o seu círculo social mais cativante, sugere destacando a importância de olharmos para nós próprios e tentarmos gerir bem os gestos, as expressões faciais e tudo o que possa limitar a comunicação fluida, agradável, calorosa e empática.
4. Abra a mente e a personalidade
A flexibilidade mental permite que o indivíduo seja recetivo e liberto face a preconceitos.
A Revista Hojas y Hablas menciona que a abertura de espírito favorece o bem-estar, baseado na satisfação com o desenvolvimento no ambiente cultural e social. Quer isto dizer que, uma pessoa pode ser reservada, mas tem de ter consciência de que isso vai limitar-lhe a comunicação e as ligações com os outros, pelo que, é essencial desenvolver alguma proximidade, mais abertura para aceitar as diferenças e menos crítico em relação aos outros. Desse modo, estará sempre com uma postura mais “leve”, sorridente e agradável onde quer que vá.
Dizem os entendidos que, quando temos uma postura mais livre perante a vida, naturalmente atraímos mais pessoas interessantes, novos desafios e oportunidades e tornamo-nos mais queridos pelos outros, então, é tempo de mudar a sua postura perante a vida e as situações.
5. Valorize-se e valorize os outros
A escritora e investigadora da Universidade de Houston, Brené Brown, destaca a empatia como a conexão e a capacidade de partilhar e compreender os sentimentos dos outros, enfatizando a sua importância no estabelecimento de relacionamentos significativos.
O psicólogo, jornalista e escritor Daniel Goleman, argumenta que a raiz do afeto em todos os relacionamentos está na empatia e na forma como nos conectamos emocionalmente com os outros. Nesse sentido, quem valoriza o que é e o que tem e, ao mesmo tempo, é capaz de valorizar os outros, mostra muita empatia e disponibilidade para estar presente num momento, para travar uma conversa e para ser uma pessoa cativante em qualquer ocasião. Aprenda a apresentar os seus pontos de vista sem minimizar os dos outros. Aceite que cada um tem o direito de ser e de pensar tal como deseja e gosta, mas o leitor também. O importante é que desse equilíbrio resultem relações saudáveis, cativantes e interessantes e de respeito mútuo.
6. Mostre sentido de humor
Utilizar o sentido de humor é sempre algo complexo, uma vez que, facilmente pode parecer gozo e ofender alguém. Saber usá-lo com cautela é uma habilidade que todos deveríamos desenvolver, na medida em que está provado que o humor gera relações harmoniosas e interessantes, ao mesmo tempo em que nos faz bem e contagia os outros, mas é preciso saber fazê-lo.
O humor tem de ser genuíno e partir da base de que se gosta das pessoas que temos à nossa frente, pois caso contrário, poderemos estar a “mandar-lhes alguma boca ou provocação” que, certamente será mal interpretada. O segredo é brincar consigo mesmo, com as pequenas coisas da vida e tornar tudo mais simples, uma vez que, esta postura natural atrai mais pessoas para conviver consigo, para aprenderem em conjunto e de uma forma descontraída, mas não exagere! Se brincar com coisas sérias ou com pessoas que mal conhece, pode correr riscos de má interpretação desnecessários. O treino diário é o melhor ponto de partida, mesmo sabendo que, nem todas as pessoas estão dispostas a sorrir, o que também faz parte da vida e deve ser respeitado.
O humor não deve ter um alvo e sim minimizar situações embaraçosas, tornando-as mais simples e engraçadas para desanuviar o ambiente.
7. Pergunte e deixe que lhe perguntem
A pergunta mostra interesse e ajuda a desenvolver uma conversa, mas faça-a de forma aleatória e não como “cusquice” ou dando a entender que quer saber mais com um objetivo em concreto. As perguntas soltas numa amena cavaqueira, tornam-nos pessoas mais cativantes, sobretudo se também ouvirmos os outros e se respondermos ao que nos interrogam, mas evite assuntos pessoais, privados ou polémicos.
8. Partilhe um pouco do que sabe
Num determinado contexto, em que sentimos que devemos dar um pouco de nós, podemos falar de algo de que gostamos, mostrando sempre que estamos disponíveis para ouvir os gostos de quem está no grupo ou na situação. Atire ao ar algo que lhe faz bem e veja se conseguiu contagiar os outros com a sua preferência. A partir daí, mostre abertura para, de forma descontraída e liberta de quaisquer intenções, falar mais detalhes sobre algum tema que conhece bem ou ouvir o que os outros sabem sobre o assunto, acrescentando algo que também sabe. É importante gerir a atenção dos outros face ao que está a dizer, sob pena de tornar-se chato e cansativo ou pouco aberto à opinião dos demais.
9. Mostre comportamentos atraentes
Daniel Goleman associa um conjunto de comportamentos atraentes à inteligência emocional e atribui-os àqueles que aplicam a autoconsciência e a socialização empática.
Mostre-se descontraído, sem máscaras, com uma atitude otimista, disponível, presente na situação e assertivo, pois os rodeios tornam-nos chatos e cansativos. Se não gosta, não vá, mas opte por estar ali na situação e disposto a dar e a receber atenção.
Demonstre simpatia em qualquer contexto em que participa, evite ser impulsivo e desagradável, mesmo em situações mais aborrecidas, tenha em mente os seus pontos fortes e fracos e utilize-os a seu favor de modo a evitar embaraços, afaste-se de situações que não lhe promovem bem-estar, pois naturalmente estará condicionado e menos predisposto e, sempre que possível, selecione as pessoas com quem gosta mais e menos de estar para evitar ambientes tóxicos.
10. Seja espontâneo
O segredo da espontaneidade é agir naturalmente, apelando à sinceridade, tanto no que diz como no seu comportamento. Esta é uma das principais dicas para ser uma pessoa interessante.
Um dos requisitos para cumprir este e os demais pontos é desenvolver uma boa autoestima, autoconfiança e bem-estar pessoal, requisitos que lhe vão dar mais carisma e magnetismo, além da capacidade de estar mais descontraído nas situações, não ter medo de falar com outras pessoas, de participar em atividades e daí por diante. Quando não estamos bem connosco, dificilmente o vamos estar com os outros, daí ser crucial olharmos primeiro para nós, conhecer-nos, saber os nossos limites e aquilo que permitimos dos demais. Uma pessoa “resolvida” é mais atraente e cativante, ao mesmo tempo em que se torna “luminosa” e sincera, pois não está sempre com medos e dúvidas que lhe retiram a genuinidade.
11. Rodeie-se de pessoas interessantes
“As pessoas com quem nos relacionamos influenciam quem nos tornamos”, pelo que, segundo Friedman e Martin, autores do Proyecto Longevidad (2011), “socializar é uma parte da batalha” e “ser o tipo de pessoa que agrada a si mesmo e aos outros é a outra parte do desafio. Nesse sentido, os especialistas dizem ser fundamental decidir com quem queremos conviver, a razão de escolhermos uma pessoa em detrimento de outra, a tomada de consciência de que não conseguimos agradar a todos, mas que temos o direito de aproximar-nos de quem gostamos mais e de afastar-nos de quem nos desagrada, saber com quem podemos aprender alguma coisa e com quem não temos prazer em aprender ou simplesmente estar, também ajuda muito nessa seleção. Admitir que, há pessoas que nos tornam melhores e outras que pelo mal que nos fazem sentir, arrasam-nos a imagem, também é uma base essencial para que tomemos decisões conscientes no que se refere a grupos, amigos, cônjuge e daí por diante.
Assim, devemos acolher quem nos toca as emoções, quem está disponível para receber também o que lhe damos, abraçar as pessoas que nos respeitam e aceitam tal como somos, não nos envolvermos “em causas perdidas”, com pessoas negativas, pessimistas, mal humoradas, pois o seu respeito por elas já é significativo, não tem de rodear-se por elas e pela sua energia, isto porque não temos de fingir ser quem não somos, muito menos fazer de conta que somos alguém só para impressionar, pois é mesmo isso que nos retira a autenticidade, o magnetismo e o interesse. Estar com pessoas que nos devolvem emoções positivas, é a base para reunirmos forças para enfrentar as situações em que temos de lidar com quem menos nos agrada, por isso, cultive essa ideia na sua privacidade, nos momentos de lazer e coloque-os em evidência antes de aceitar um convite.
Registe que não tem de mudar a sua personalidade, muito menos passar-se por alguém que não é. Simplesmente desafiamo-lo a encontrar as suas melhores qualidades dentro de si e a colocá-las em prática sem medo da rejeição ou da crítica porque, quem é sincero, honesto e autêntico, certamente que será sempre uma pessoa cativante e interessante.