A apresentação contou com a intervenção de José Bettencourt, Chefe de Divisão do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), que fez o ponto de situação da campanha em curso. Intervieram também Bruno Inácio, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), Anabela Ribeiro, vereadora com o pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Lagoa, e Álvaro Bila, presidente da Câmara Municipal de Portimão.
A campanha decorre desde o dia 15 de setembro em vários sítios subaquáticos dos concelhos de Portimão e Lagoa, com o objetivo de aprofundar o conhecimento científico sobre os vestígios históricos submersos na bacia do Arade.
Numa nota enviada ao Algarve Primeiro, o Município de Portimão lembra que o projeto MUSA resulta de uma parceria entre os Municípios de Portimão e Lagoa, o Património Cultural, I.P., através do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática - CNANS, e a CCDR Algarve, contando com um investimento inicial de 3,4 milhões de euros financiado pelo Programa Regional Algarve2030.
O projeto visa investigar, conservar e valorizar o património arqueológico marítimo e subaquático do estuário do Arade, que integra vestígios com mais de dois mil anos de história.
Atualmente, o CNANS tem à sua guarda mais de 1.800 bens arqueológicos móveis oriundos da região, entre os quais a embarcação Arade 1 e as peças de artilharia da Ponta do Altar B, classificadas como Tesouro Nacional.
O MUSA prevê um plano de várias etapas: a reformulação e ampliação do núcleo de arqueologia subaquática do Museu de Portimão; a criação do Museu Arqueológico de Lagoa; a criação de uma reserva subaquática visitável; o reenterramento de materiais orgânicos sem tratamento imediato para salvaguarda futura; uma exposição nas margens do Arade e o lançamento de um Museu Virtual; entre outras iniciativas.
A campanha arqueológica abrangeu vários contextos de elevado interesse arqueológico, como Arade B, Leixão da Gaivota, Geo 1, Arade 1, Geo 5, Arade 23 e o sítio do naufrágio da canhoneira portuguesa Faro, ocorrido em 1912.
Os trabalhos envolvem a colaboração de diversas entidades, designadamente a Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património; a Universidade NOVA de Lisboa, através do CHAM – Centro de Humanidades; a Administração dos Portos de Sines e do Algarve; a Marina de Portimão; a PortiSub; e a Capitania do Porto de Portimão.
No âmbito da conservação, está a ser instalado e equipado o laboratório especializado e a reserva arqueológica específicos ao projeto. A aquisição de equipamento técnico avançado para o laboratório de conservação do Museu de Portimão garantirá as condições para a preservação dos bens recuperados, consolidando o papel do museu nesta área.
Paralelamente, foram já iniciados os trabalhos preparatórios para o futuro Museu Arqueológico de Lagoa. Numa primeira fase, serão realizados os diagnósticos arqueológico e geotécnico do Solar dos Júdices e, posteriormente, será trabalhada a reformulação expositiva do Museu de Portimão e a construção do discurso museológico do novo equipamento a criar em Lagoa, informa a autarquia.