O presidente da câmara de Loulé, Vítor Aleixo, está em Marraquexe para uma conferência internacional da UNESCO sobre geoparques. O autarca contou à TSF, que na zona onde se encontra, está tudo calmo após o forte sismo de magnitude de 6.9, desta sexta-feira, mas garante que esta é uma noite que não vai esquecer: dormiu num espaço ao ar livre.
"Foi uma noite passada ao relento, cobertos, porque a noite foi fresca. Ouviam-se ambulâncias a passar de vez em quando, não houve cortes de eletricidade aqui, não faltou a água. Todos esperámos que o tempo passasse e agora aqui estamos, acordámos de manhã com a notícia do número de mortos a crescer. Estas situações quando são assim tão intensas como foi o caso fica o registo na memória para sempre e, portanto, é inesquecível", descreveu, Vítor Aleixo à TSF.
Juntos com Vítor Aleixo, está José Carlos Rolo - autarca de Albufeira e Rosa Palma - autarca de Silves, representantes da comitiva algarvia na conferência, acompanhados dos respetivos técnicos dos municípios. Recorde-se que os três concelhos integram o projeto Geoparque Algarvensis.
Segundo avança a Agência Lusa, o balanço do terramoto subiu para 820 mortos e 672 feridos, dos quais 250 graves, anunciou hoje o Ministério do Interior marroquino.
A província com mais vítimas registadas é Al Haouz, a sul de Marraquexe e próxima do epicentro, com 394 mortos, segundo o balanço até às 10:00 locais (mesma hora em Lisboa), citado pela agência espanhola EFE.
Segue-se Taroudant (271 mortos), Chichaoua (91), Ouarzazate (31), Marraquexe (13), Azilal (11), Agadir (5), Casablanca (3) e Al Youssufia (1).
De acordo com o Instituto Nacional de Geofísica de Marrocos, o sismo atingiu a magnitude 7,0 na escala de Richter e ocorreu na região de Marraquexe (norte) às 23:11, a uma profundidade de oito quilómetros.
O epicentro foi na localidade de Ighil, situada a cerca de 80 quilómetros a sudoeste de Marraquexe.
Governo português "solidário e disponível para apoiar" Marrocos
O primeiro-ministro, António Costa, disse hoje que Portugal está disponível para apoiar Marrocos. “O sismo da noite passada em Marrocos deixa-nos profundamente consternados e apresentamos as nossas condolências a sua majestade o rei, às famílias vitimadas e a todo o povo marroquino, nosso vizinho”, escreveu na rede social X (ex-Twitter).
Também o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, recorreu à mesma rede social para lamentar a "terrível notícia" do terramoto em Marrocos, lamentando as "perdas humanas irreparáveis" e manifestando "toda a solidariedade" com o "país amigo e vizinho".
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) precisou que foi sentido nos concelhos de Castro Marim, Faro, Loulé, Portimão, Vila Real de Santo António (Faro), Cascais, Lisboa, Torres Vedras, Vila Franca de Xira (Lisboa), Almada, Setúbal e Sines (Setúbal).
Foi ainda sentido com menor intensidade nos concelhos de Coimbra, em Albufeira, Olhão, Silves (Faro), Alenquer, Loures, Mafra, Oeiras, Sintra, Amadora, Odivelas (Lisboa), Santo Tirso, Vila Nova de Gaia (Porto), Santiago do Cacém, Seixal e Sesimbra (Setúbal), acrescentou o instituto.
De acordo com as imagens reproduzidas pelos meios de comunicação social, nas redes sociais e por testemunhas, o terramoto causou danos consideráveis em várias cidades.
O tremor também foi sentido em Rabat, Casablanca, Agadir e Essaouira, provocando o pânico entre a população.
Muitas pessoas saíram para as ruas dessas cidades, temendo que as casas desabassem, de acordo com imagens divulgadas nas redes sociais.
Algarve Primeiro/Lusa