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Porque os homens mudam quando estão com amigos?

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De um modo geral, todos modificamos o nosso comportamento quando estamos na presença de outras pessoas, especialmente as mais íntimas, contudo, no caso dos homens, essa alteração tem um objetivo específico.

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Segundo a ciência, os homens mudam de comportamento quando estão na presença de outras pessoas; especialmente amigos ou familiares porque precisam de afirmar a sua masculinidade, desafiar os seus limites, mostrar força física e afastar a possibilidade de entrar em assuntos mais profundos e que lhes exijam mais empenho emocional.

Desse modo, o homem concentra o seu foco na socialização, sempre com o intuito de ser aceite e reconhecido e dá pouco lugar a conversas mais profundas.

Essa mudança pode ser influenciada pela pressão social para se encaixarem num padrão "masculino" ou por uma tendência a  manterem relacionamentos mais focados em atividades do que em conversas profundas e que lhes retirem a audácia que sentem necessidade de exibir.

Em resumo, os especialistas explicam essas mudanças comportamentais com:

Pressão social e "masculinidade": Em alguns grupos, pode haver pressão para agir de uma certa forma, considerada mais "masculina", o que pode levar a uma postura mais agressiva, dominante ou menos emocional.

Relacionamento através de atividades: os homens tendem a criar laços de amizade mais facilmente através de atividades partilhadas (como desportos ou saídas) do que através de conversas profundas e intimidade emocional. As relações podem ser mais superficiais e focadas no "fazer algo" do que na partilha  de problemas ou sentimentos.

Inibição de emoções: Alguns homens podem sentir que não podem mostrar vulnerabilidade ou emoções consideradas "fracas" quando estão com outros homens, preferindo manter uma fachada de força e descontração.

Adaptação ao grupo: A mudança de comportamento é um fenómeno comum a todos, e os homens não são exceção. Adaptam a sua forma de agir consoante o contexto e o grupo de pessoas que os rodeiam.

Muitas mulheres queixam-se destas alterações, acabando por sentir-se desconfortáveis na presença dos companheiros que parecem ter adotado “um novo personagem” só por estarem com um amigo ou familiar, pelo que, os terapeutas de casal sugerem que, os parceiros estabeleçam limites, que conversem abertamente sobre o assunto para que nenhum dos elementos da parceria amorosa se sinta magoado, desprezado e, em alguns casos, até gozado ou esquecido no grupo.

O casal deve ponderar selecionar melhor o grupo de amigos de modo a que ambos se sintam incluídos, onde possam surgir conversas mais profundas e menos baseadas na força física, na constante validação da masculinidade e ainda menos em tentativas constantes de ter de passar-se pelo que não é, pois isso é um padrão tóxico, indesejável e pouco adequado a uma salutar convivência. A base é não nos preocuparmos com a quantidade de amigos, mas sim, com a qualidade da relação que deve ser sincera, honesta e gratificante para que, o prazer de estar em conjunto seja o principal objetivo.

Também é essencial aceitar e mostrar vulnerabilidade:, que é uma ferramenta poderosa para construir laços fortes. Mostrar a sua verdadeira personalidade e aceitar as suas próprias inseguranças pode ajudar a aprofundar as relações, aconselham os entendidos em relações humanas.

É ainda importante realçar que, as mulheres também alteram o seu comportamento quando estão na presença de amigas, ainda que os contornos sejam distintos dos homens:

- As mulheres tentam criar um espaço de apoio quando estão com as amigas de modo a sentirem conforto, segurança, prazer e alegria;

- A amizade feminina promove a saúde mental ao permitir que partilhem experiências, resolvam problemas e se sintam mais fortes para lidar com os desafios. Além disso, essa conexão ajuda a combater a rivalidade, promovendo uma cultura de apoio mútuo que desafia normas sociais.

•Apoio e segurança: As amigas oferecem um ambiente de apoio, amor e segurança, onde podem ser elas mesmas sem receios.

•Saúde mental e bem-estar: Passar tempo com amigas pode ativar o sistema de endorfina, o que melhora o humor, reduz a dor e aumenta a confiança.

•Resiliência e gestão de problemas: Com um círculo de apoio, as mulheres sentem-se mais capazes de lidar com conflitos e problemas, aprendendo a processá-los em comunidade.

•Combate à rivalidade: A amizade entre mulheres pode ser um ato de resistência contra a socialização patriarcal que promove a rivalidade, criando em vez disso um espaço de união e apoio.

•Saúde física: Estudos indicam que ter amizades fortes contribui para a saúde em geral, incluindo a aderência a hábitos saudáveis e à manutenção da saúde mental ao longo do tempo.

Nunca é demais lembrar que, tal como as mulheres se podem sentir desconfortáveis na presença dos amigos do companheiro, também este pode denotar instabilidade por sentir que “não consegue entrar no grupo feminino  ou sentir-se à margem da companheira”, pelo que é fundamental um equilíbrio e que, quando estão em contexto social, homens e mulheres sejam capazes de separar as suas particularidades de género, situação que nem sempre é fácil, mas que deve ser aplicada, sob pena do casal não poder partilhar amizades comuns, recomendam os entendidos nesta matéria.