A psicologia e a sociologia explicam este fenómeno através de uma combinação de fatores: a sobrecarga de estímulos, o imediatismo da era digital e a crescente dificuldade em lidar com frustrações.
O "copo cheio" de stress diário faz com que qualquer interrupção seja vista como uma ameaça ao próprio tempo; logo, sem que se apercebam, muitas pessoas mostram baixa tolerância à espera. Tudo lhes faz confusão, o que leva a que adotem comportamentos pouco seguros para si mesmas e para os demais, como é o caso de uma condução pouco prudente, atitudes exageradas face a uma resposta ou à falta dela, pouca capacidade para esperar numa fila e daí por diante.
Com estes comportamentos, a pessoa acaba por ficar cada vez mais irritada, impaciente e com pouca consciência para fazer escolhas mais acertadas e responsáveis, sustentam os entendidos na área da psicologia.
Em resumo, a ciência aponta os principais motivos que estão a interferir na conduta diária de muitas pessoas e que dão lugar a uma impaciência crescente:
Cultura do imediatismo: A tecnologia habituou o cérebro à gratificação instantânea (respostas rápidas, entregas no mesmo dia, consumo de conteúdos em segundos). Isso diminui drasticamente a tolerância em esperar ou para lidar com processos lentos.
Sobrecarga de stress e ansiedade: O esgotamento mental e a sobrecarga de rotinas deixam o sistema nervoso hiperativo. Quando a mente está exausta, a capacidade de empatia diminui e a irritabilidade aumenta.
Fuga à vulnerabilidade e frustração: Receber um "não" confronta a pessoa com os seus próprios limites. Num mundo onde a autoimagem é constantemente inflacionada nas redes sociais, a recusa é muitas vezes interpretada como uma rejeição pessoal ou uma ameaça ao ego.
Individualismo: O foco excessivo em si mesmo (egocentrismo) é, muitas vezes, um mecanismo de defesa inconsciente contra a incerteza do mundo externo. Muitas pessoas centram-se apenas nas suas necessidades como forma de tentar controlar um ambiente que consideram caótico.
Os especialistas afirmam que, por vezes, torna-se desafiante lidar com a impaciência alheia sem que nos deixemos afetar, pelo que vale a pena seguir estas recomendações, tendo em conta que se trata de um treino diário, que não há fórmulas mágicas, mas que ter consciência de nós próprios, dos nossos limites e daquilo que devemos ou não aceitar já ajuda muito.
Mantenha o tom de voz calmo: Responda de forma pausada e baixa. A calma neutraliza a agitação do outro.
Valide a urgência sem ceder: Use frases como "Eu percebo que tem pressa, vou resolver isto o mais rápido possível".
Defina prazos realistas: Seja prático e célere. Diga exatamente quanto tempo vai demorar, evitando deixar a pessoa na incerteza.
Não leve a reação para o lado pessoal: Lembre-se de que a impaciência é um reflexo do stress do outro, não da sua competência.
Use frases curtas e diretas: Pessoas impacientes perdem o foco facilmente. Vá direto ao assunto.
Estabeleça limites firmes se houver faltas de respeito ou atitudes mais agressivas: Diga com firmeza: "Estou a tentar ajudar, mas preciso que fale comigo com respeito".
Atendendo à crescente dificuldade de nos mantermos calmos numa sociedade agitada, tenha em conta estes aspetos que pode desenvolver diariamente e com pouco esforço:
Pratique a pausa de 4 segundos: Antes de responder a um estímulo irritante, inspire profundamente durante 4 segundos para acalmar o sistema nervoso.
Faça o exercício da "Perspetiva Invertida": Quando alguém o irritar, force-se a imaginar três razões invisíveis para o comportamento dessa pessoa (ex: recebeu uma má notícia, está com dores físicas, está sob forte pressão).
Treine a escuta ativa: Em conversas diárias, foque-se apenas em ouvir o que a pessoa diz, sem planear a sua resposta enquanto ela fala.
Procure o desconforto voluntário: Escolha propositadamente a fila mais longa do supermercado ou não use o telemóvel enquanto espera por alguém. Isto treina o cérebro para tolerar o tédio e a espera.
Aceite a imperfeição: Repita para si mesmo o mantra "Eu não controlo as ações dos outros, apenas controlo a minha reação".
Por fim, é fundamental que tenha em mente a necessidade de reservar um tempo diário para estar consigo mesmo, para ouvir o seu “eu interior”, esvaziar a mente o mais possível para que possa relaxar, pois, caso contrário, a sobrecarga de estímulos não deixará que se sinta confortável, que descanse bem, que passe bons momentos em família e que se sinta satisfeito com a vida. E estes são os requisitos indispensáveis para que seja mais tolerante consigo mesmo e com os demais. Quando estamos bem, conseguimos relativizar o “ruído” do exterior e reduzir o impacto que tem em nós. Quando estamos sobrecarregados, mais dificilmente encontramos o nosso ponto de equilíbrio e acabamos por ter uma reação impulsiva a qualquer momento e sem que a consigamos controlar ou evitar, recomendam os entendidos na área do bem-estar.