O PCP adianta em comunicado que o contrato será celebrado por 5 anos (até 2030), com valores da ordem dos 2,9 milhões de euros. Diz que a medida se insere "num ataque mais geral ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) por parte deste Governo PSD/CDS, que para tal tem o total apoio e suporte do Chega e da IL, onde o PS tem também grandes responsabilidades ao ter criado legislação para este tipo de modelo de organização das Unidades de Saúde Familiares e ao não se opor a este rumo de destruição do SNS".
Os comunistas explicam que a criação de Unidades de Saúde Familiar de modelo C corresponde à aplicação de um modelo de gestão privada, externa ao SNS, orientado para o lucro da empresa gestora, "com um regime jurídico diferenciado e com exigências de qualidade ainda insuficientemente definidas, não dando garantias de assegurar uma carteira básica de serviços, como, por exemplo, a vigilância de grávidas e crianças, a realização de rastreios oncológicos, vacinação, consultas ao domicílio, entre outros".
Refere que se trata de uma "opção política grave, que agrava a fragmentação do SNS, compromete o trabalho em rede e aprofunda desigualdades no acesso aos cuidados de saúde, num concelho e numa região já fortemente penalizados pela falta de respostas públicas", lê-se no comunicado.
O partido defende mais investimento e valorização dos cuidados de saúde primários, a contratação de mais médicos, enfermeiros e outros profissionais, a revisão da atratividade das condições de carreira e de trabalho, a reabilitação dos Centros de Saúde e Extensões e a dotação de equipamentos para assegurar um bom serviço às populações.
Para a Comissão Concelhia de Silves do PCP, a criação de uma USF modelo C não responderá às necessidades da população, quando ainda persistem no Algarve "dezenas de milhares de utentes sem médico de família e onde os profissionais enfrentam condições de trabalho particularmente difíceis", considerando que irá agravar a dificuldade de fixação de profissionais no SNS, "desviando médicos e enfermeiros para estruturas privadas financiadas com dinheiro público, em detrimento do reforço de uma resposta pública, integrada e universal".
Conclui que a situação vivida no SNS, "marcada por dificuldades de acesso, listas de espera inaceitáveis, encerramentos de serviços e tantos utentes sem médico de família, não resulta de inevitabilidades, mas sim de opções políticas concretas", advertindo que a implementação de uma USF modelo C em Silves irá colocar "os interesses económicos acima das necessidades das populações".