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Óbito/Carlos Brito: Universidade do Algarve destaca papel ativo para sua criação

Carlos Brito
Carlos Brito  
Foto - RTP
A Universidade do Algarve (UAlg) destacou hoje o papel ativo do ex-dirigente comunista Carlos Brito, que morreu na quinta-feira, aos 93 anos, no processo de criação da instituição académica, numa nota de pesar e condolências.

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Carlos Brito morreu na quinta-feira, no hospital de Faro, e a UAlg enalteceu hoje o contributo do antigo militante do PCP, que integrou a Assembleia Constituinte, foi deputado à Assembleia da República e “participou ativamente no processo de criação da Universidade do Algarve”, fundada em 1979.

Manifestando o “profundo pesar” e apresentando as “mais sentidas condolências” à família e amigos, a UAlg frisou que a criação da Universidade do Algarve foi “aprovada por voto unânime da Assembleia da República”, mas “implicou um complexo processo legislativo, acompanhado, antes e depois do ato fundador, por uma intensa ação política”.

Este trabalho foi feito com “uma estreita cooperação de Carlos Brito, José Vitorino, Luís Filipe Madeira e outros deputados, e a Comissão Instaladora, e um persistente trabalho de esclarecimento junto da imprensa e da opinião pública”, salientou a instituição académica”.

A UAlg destacou também as palavras que Carlos Brito dedicou à Universidade no livro “25 Anos que Mudaram o Algarve”, editado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, em 2004, ao afirmar que a instituição “é considerada, num largo consenso, como a mais conseguida de todas as mudanças que se registaram no Algarve ao longo dos últimos anos”.

Carlos Brito é merecedor de uma “gratidão institucional e regional” devido ao contributo dado para a democracia portuguesa e para “uma das transformações mais marcantes do Algarve contemporâneo, a criação da Universidade do Algarve”, considerou a reitora da UAlg, Alexandra Teodósio, citada no comunicado da academia.

Carlos Brito nasceu em Moçambique em 1933 e foi militante do PCP durante 48 anos, como funcionário, membro do Comité Central, líder parlamentar, diretor do jornal "Avante!" e candidato à Presidência da República.

Durante a ditadura, Carlos Brito passou dez anos na clandestinidade e oito anos na prisão. A seguir ao 25 de Abril esteve 16 anos na Assembleia da República, 15 dos quais como líder do grupo parlamentar, tendo deixado o hemiciclo em 1991, após não ter sido eleito pelo círculo de Faro.

Em 1980 concorreu às presidenciais contra Ramalho Eanes e Soares Carneiro, desistindo à boca das urnas.

Pertenceu 33 anos ao Comité Central, órgão que deixou em novembro de 2000, quando renunciou ao lugar em desacordo com as orientações do XVI Congresso.

Carlos Brito esteve entre os dirigentes que reclamaram um congresso extraordinário após a derrota eleitoral do PCP nas autárquicas de 2001. No seguimento da luta interna que opôs os chamados "renovadores" aos defensores da ortodoxia do partido, Carlos Brito foi suspenso do PCP, em 2002, por 10 meses.

A sanção disciplinar foi decidida pelo Secretariado do partido, entre várias expulsões de críticos da direção, como Edgar Correia, já falecido, e Carlos Luís Figueira, que viriam a formalizar alguns anos depois a associação política Renovação Comunista, da qual Carlos Brito também fez parte.

Era casado, teve duas filhas, e estava retirado em Alcoutim, no Algarve, local de origem da sua família. Dedicou-se durante muitos anos a escrever poesia, ficção e a participar no movimento associativo para o desenvolvimento regional.

A Câmara de Alcoutim decretou três dias de luto municipal, até domingo.