Álvaro Araújo, fez esta terça-feira, o balanço do 1º ano de mandato como presidente da Câmara de Vila Real de Santo António. Depois de 16 anos com o PSD a governar a câmara, foi eleito em 2021, para liderar o município, contudo, deparou-se com uma das autarquias mais endividadas do país, que está sob assistência financeira desde 2006, uma dívida de 160 milhões de euros e um passivo de 182 milhões, que continua a subir devido aos juros de mora e por processos que estão em tribunal contra a autarquia.
O autarca disse que para responder a necessidades prementes no concelho, serão precisos mais 50 milhões de euros para investir no Centro Cultural António Aleixo, no complexo desportivo, na habitação social, reparação de estradas e no parque de campismo de Monte Gordo.
Verbas do PRR, de fundos comunitários, do Orçamento do Estado e da taxa turística, são as principais fontes de financiamento com que o executivo conta para realizar obra.
Álvaro Araújo destacou o trabalho realizado no último ano, com a criação da estratégia local de habitação, no valor de 101 milhões de euros, suportada pelo Orçamento do Estado e PRR - Plano de Recuperação e Resiliência, que deverá ser executada até meados de 2026. "Este montante preocupa-nos porque só prova que a situação do parque habitacional do concelho está muito degradado", disse.
Dos 101 milhões previstos, 42 milhões vão para a recuperação de toda a habitação social e 18 milhões para que particulares, possam recuperar as suas casas. A revisão do PDM, é para o edil, um instrumento muito importante para alavancar a dinâmica do concelho, onde a habitação é uma questão central. "Como sabemos, temos um problema gravíssimo de habitação disponível para a classe média, onde uma renda custa entre 700 e 900 euros, sendo impensável para uma pessoa da classe média, pagar este tipo de valores, e por isso, através da estratégia local de habitação e da revisão do PDM, vamos disponibilizar terrenos para que seja construída habitação a custos controlados e desta forma, combater a especulação imobiliária."
Toda esta estratégia, terá como metas responder não só à falta de alojamento existente a custos acessíveis, como dará condições à população, aos jovens e aos profissionais que vêm de fora. O autarca exemplificou algumas áreas que podem atrair mais mão de obra, como o setor da hotelaria ou da construção e reparação naval. Está previsto criar um curso (CTE) nesta área, numa parceria com a escola secundária, numa fase em que o concelho tem a empresa com o maior volume de negócios neste setor no país. "Sabemos que a empresa Nautiber, está em vias de assinar um contrato para a construção de navios para o Estado, e se isso se concretizar, são muitos milhões que vão ser aqui investidos e temos de ter mão de obra", adiantou.
Foto Algarve Primeiro
Na área da Saúde, está prevista a requalificação dos Centros de Saúde de Vila Real de Stº António, Monte Gordo e Vila Nova de Cacela. O autarca falou da "grave situação" em que se encontra o Serviço de Urgência Básico de Vila Real de Stº António, tendo o Município enviado essa preocupação à tutela e disponibilizado um terreno junto às instalações do Centro de Saúde, para a construção de um novo Serviço de Urgência Básico que serve também, os concelhos de Tavira, Alcoutim e Castro Marim, com a ajuda de fundos do PRR.
Quanto à Educação, para além da transferência de competências já em vigor, a câmara espera contratar mais 15 funcionários, no âmbito da descentralização para as autarquias. A escola D. José I, que teve de ser intervencionada de urgência no telhado e em algumas salas de aula, será beneficiada com obras de melhoramentos.
Quanto à taxa turística, Álvaro Araújo que apelidou-a de "lufada de ar fresco", [corresponde a 1 euro por cada dormida até 7 dias], será utilizada em parte, para a recuperação do complexo desportivo e do Centro Cultural António Aleixo.
As intervenções em algumas estradas é outro procedimento que está em fase de conclusão, principalmente onde existem estruturas turísticas, "porque é uma das condições do dinheiro da taxa turística, dar qualidade a quem nos visita", explicou.
A frota municipal será renovada com dois novos autocarros de 30 lugares para transportar crianças e jovens de clubes e associações, em virtude dos dois existentes estarem em fim de vida. O autarca referiu ainda que nesta matéria, "toda a minha gente e desculpem a expressão, utilizava os carros do município, levavam carros para casa e andavam com as viaturas até mesmo ao fim-de-semana, o que fizemos? Os carros ficam no parque do município, eu próprio quando vou para casa e venho de casa, não utilizo o carro da câmara, ou vou a pé ou vou com o meu carro, porque muito dinheiro era gasto na utilização do parque automóvel municipal", concluiu.