Sociedade

Município de Tavira aposta na cidadania ativa

Sónia Pires, Vereadora de Administração, Ambiente e Assuntos Jurídicos da Câmara Municipal de Tavira, falou ao Algarve Primeiro sobre algumas matérias que tem sob a sua responsabilidade, ligadas às alterações climáticas, saneamento básico, espaços verdes ou cidadania ativa. Um dos objetivos do município, passa por aproximar a política local da população, trocando impressões com os munícipes numa ótica de partilha de ideias e opções para melhorar a qualidade de vida no concelho.

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Algarve Primeiro: As alterações climáticas é um assunto que está na ordem do dia, que merece uma atenção urgente de quem governa e toma decisões. Concretamente em Tavira, que políticas já foram lançadas para responder a este desafio?
 
Sónia Pires:Uma das grandes missões do município, será deixar de ter uma mensagem dissonante, porque a verdade é que as alterações climáticas existem, mas por vezes o discurso que sai não é assim tão evidente para a população. Isto é, a população ouve falar de alterações climáticas, mas quase que parece que estão longe no horizonte e que não estão aqui à nossa porta e a verdade é que estamos a sentir esses efeitos, por isso, é preciso começar a sensibilizar e a capacitar mais a população para perceber de facto que os efeitos das alterações climáticas já se fazem sentir, para que no seu dia a dia as pessoas adaptem os seus comportamentos de forma a mitigar esses efeitos, com vista a reverter, ou melhor, reduzir este caminho que estamos a trilhar, cujos resultados se assim continuarmos não vão ser de todo satisfatórios para a comunidade nem para o planeta. Nós temos por base o Plano Intermunicipal das Alterações Climáticas (através da AMAL), que está em vigor, temos uma equipa multidisciplinar que acompanha as medidas do referido plano, que semestralmente é monitorizado, mas também vamos ter que fazer o nosso plano de ação climática. Não falo do plano de mitigação dos efeitos das alterações climáticas, porque saiu a lei do clima, que declara a emergência climática e traz uma obrigação muito maior e a meu ver muito melhor para os municípios, porque prevê de uma forma muito expressa, a participação dos cidadãos e da academia e não fala só das alterações climáticas, mas também de outras matérias conexas, que são essenciais, como é o caso dos resíduos ou a parte da adaptação dos espaços verdes.
 
Relativamente à gestão dos espaços verdes que medidas estão a ser implementadas no concelho?
 
Para já reduzimos a rega dos espaços verdes em mais um dia, e já este mês vamos implementar um sistema de rega inteligente que vai permitir, embora a empresa municipal Tavira Verde já tenha poucas perdas de água, monitorizar de uma forma muito mais eficiente a disponibilização da água, mas também é verdade que temos de melhorar os espaços verdes. Por exemplo, nos novos espaços verdes temos de colocar outro tipo de plantas mais resilientes que tenham um consumo hídrico baixo, falo de plantas autóctones que também são ótimas para promover os polinizadores e a biodiversidade. Acredito que esta mudança irá será uma alavanca muito forte para as tais questões conexas que falei há pouco. Mas temos que melhorar os espaços verdes e vai ter que ser feito de uma forma progressiva, aliás, todas estas questões temos que trabalhar em conjunto com a Tavira Verde e com a divisão de obras municipais, que nos permitem depois adaptar o espaço. O que posso dizer é que novos espaços verdes terão que estar adaptados ao contexto que vivemos. Aos atuais, teremos de atuar progressivamente nessa adaptação.      
 
Uma das questões recorrentes no Algarve, são as perdas de água devido a ruturas nas redes de abastecimento. Qual é a situação no concelho de Tavira?
 
Felizmente essa questão das perdas de água no concelho, não se põe, porque o trabalho da Tavira Verde tem sido exímio e nos relatórios que temos até a nível regional, somos dos melhores municípios com menores perdas de água. Temos cerca de 16% de perdas de água, é baixo se comparamos com outros concelhos. O nosso grande desafio é chegar a mais populações, levar o saneamento a outras zonas rurais do concelho, porque por vezes uma população não tem um número que justifique fazer a ligação, porque o investimento é avultado, mas mesmo assim, esse é o nosso grande desafio, dar estes bens essenciais às populações que estão afastadas do centro urbano. Para concretizar estes investimentos, teremos de recorrer a candidaturas de apoio, tal como fizemos para a eficiência hídrica, com um sistema de telemetria que controla as perdas de água nos espaços verdes públicos. Para além disso, temos de pensar no reaproveitamento da água; não considerar um resíduo, mas um bem que podemos aproveitar. Ainda recentemente, quando foi implementado o plano de contingência relativamente à seca, reunimos com a Tavira Verde, e além das medidas que já tinham sido levadas a cabo, também decidimos, relativamente às piscinas municipais, que têm uma perda de água diária de 15 a 20%, fazer um depósito para reaproveitar a água para lavar os contentores. 
 
Uma das áreas que trabalha é a cidadania ativa, a autarquia está apostada na proximidade com a população. Sabemos que o Orçamento Participativo ainda não teve a adesão que esperavam...
 
Vou ser sincera, desiludiu-me a participação no Orçamento Participativo. Acho que falhou o facto de ter sido só online, existem zonas e determinados grupos da população a que não chegámos, falhou na minha ótica a forma de votação, ou seja, temos de ter uma forma mais simples de votar, tanto que temos estado a ver e a pesquisar outro tipo de plataformas, porque esta plataforma foi feita por nós, mas há outras plataformas que permitem o voto por SMS. Também estamos a rever e está quase concluído o regulamento do Orçamento Participativo para permitir mais do que um voto. Há também a possibilidade de diminuir a idade para votar e realizar sessões participativas nas juntas de freguesia. A parte da comunicação pode melhorar, temos de chegar a mais pessoas. Creio que as pessoas ao verem os projetos que votaram já implementados, traga uma maior força de participar, porque a verdade é que os Orçamentos Participativos foram sequencialmente acontecendo, mas as ideias estavam em elaboração de projeto, em contratação e as pessoas não viam nada na rua. Neste momento, já têm os parques biosaudáveis, já têm a escultura do polvo em Stª Luzia, em breve iremos implementar os jardins alimentares e o complexo desportivo. Nós decidimos este ano, incluir no site do Orçamento Participativo o estado dos projetos para que as pessoas percebam que, não estão esquecidos, podem estar em contratação ou em execução. Ainda neste âmbito da participação cívica, achamos que há muito trabalho a fazer com mais iniciativas para além do Orçamento Participativo. Por exemplo, a assembleia de cidadãos será o próximo passo com o objetivo de envolver as pessoas e sentirem que estão próximas dos decisores e da decisão e partilharmos as questões, obstáculos, ideias e soluções. Em 2023, iremos avançar com estas sessões participativas, que deverão ser temáticas para estarmos próximos das populações e sentirmos as dificuldades que sentem, ou eventualmente, percebermos as suas ideias para melhorar as suas freguesias. Outra questão que gostaria de realçar, é que estão previstas presidências de proximidade em que a presidente do município, irá deslocar-se às juntas de freguesia para falar com as populações, que numa fase posterior, essas sessões serão levadas a cabo pelos vereadores. 
 
Entrevista:Emídio Santos