Sociedade

Município de Albufeira inaugurou primeira creche do País com fundos do PRR e novas instalações do um Centro Qualifica

Foi ontem inaugurada a primeira creche do País, cujas obras de remodelação e ampliação foram executadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A obras da creche “Tempos de Infância”, localizada na Guia, concelho de Albufeira, cuja empreitada foi adjudicada por 423.753 euros (valor com IVA), foram apoiadas pelo PRR no valor de 255 mil euros. O valor remanescente foi pago pelo Município de Albufeira.

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Segundo explica o Município em nota divulgada, a obra consistiu em fazer a ligação física da creche “Tempos de Infância” ao edifício multiusos localizado a Norte, o que aumentou a capacidade do equipamento de 42 lugares para 60, mais 18 lugares em relação ao projeto inicial. A remodelação e ampliação das salas existentes serviram, igualmente, para adaptar o edifício à legislação atual, permitindo as condições necessárias para pessoas com mobilidade condicionada.
 
A provedora da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, Patrícia Seromenho, entidade responsável pela gestão da creche através de um acordo de cedência firmado com a autarquia em 1996, referiu tratar-se de um "verdadeiro exemplo do bom funcionamento da delegação de competências do governo nos municípios e da aproximação dos municípios ao setor social. Foram a confiança, o respeito e o trabalho mútuo que nos permitiram chegar até aqui, pelo que agradeço à equipa do Município, da SCMA, da Junta de Freguesia da Guia e à senhora ministra, por desbloquear e o processo para que esta obra se transformasse em realidade”.
 
A inauguração, integrada no âmbito do programa “Governo Mais Próximo”, contou com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, da secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes e da ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva. 
 
Estiveram ainda presentes os vereadores do Município, o presidente de Junta de Freguesia da Guia, Dinis Nascimento, uma representante da Junta de Freguesia de Albufeira e Olhos de Água, entidades militares, diversos elementos da SCMA, da diretora do Centro Distrital de Faro da Segurança Social, Margarida Flores e do presidente do Secretariado Regional das Misericórdias de Faro, Armindo Vicente, entre outros. 
 
O presidente da Câmara Municipal de Albufeira frisou as dificuldades atuais dos municípios em poderem concretizar as suas obras, face a diversos fatores, nomeadamente as oscilações de preços derivados da inflação, da escassez de stocks e da falta de mão-de-obra, situações que não são estranhas a um “acumular de crises, sendo que a atual prende-se, nomeadamente com a guerra que estamos a atravessar”. José Carlos Rolo enalteceu “o interesse dos governantes nas suas localidades”, desafiando a que não haja apenas encontros em situações idênticas, mas que o Governo se inteire do problema real dos municípios e das pessoas. “Governar é dialogar”, salientou, neste dia que considerou ser “muito feliz” para o Município de Albufeira.
 
Ana Mendes Godinho considerou que as creches como a que foi inaugurada constituem um “desafio demográfico”, enquanto “fator de “captação e retenção de pessoas em Portugal”, pela facilidade em educar os filhos em “creches gratuitas”, que oferecem um começo de vida “igual para todos, com as mesmas oportunidades” e que possibilitam libertar as mulheres para o mercado de trabalho. “A resiliência social constitui a grande dimensão para a resposta ao Estado Social, o que é determinante para que se possa construir um país com futuro”, disse a governante.
 
Da Guia, a comitiva rumou para a freguesia de Ferreiras, onde foi assinado o Contrato de Comodato entre o Município e o Instituto do Emprego e Formação Profissional, com vista à inauguração das instalações do “Centro Qualifica” de Albufeira, na Av.ª 12 de Julho, que funcionará neste local até que as obras do novo Polo de Formação do IEFP, financiadas pelo PRR, fiquem concluídas e que ficarão localizadas ao lado da atual sede da Junta de Freguesia de Ferreiras.
 
Júlia Tomáz, vice-presidente do Conselho Diretivo do IEFP frisou que “sem a Câmara Municipal não teríamos a qualidade que queremos ter na qualificação e reconhecimento de competências na região. Daqui a dois ou três anos, será mais fácil dar respostas aos nossos parceiros”. Por seu turno, Ana Mendes Godinho disse que “o êxito em qualquer parte do mundo são as pessoas”, pelo que “o Centro Qualifica é uma nova oportunidade de vida”, no sentido de “garantir que é sempre tempo de apostarmos em nós e na sociedade”. Voltando-se para um conjunto de mulheres que, em situação de desemprego, se encontram a reestruturar conhecimentos, a governante salientou que “trabalhadores mais valorizados pelo seu conhecimento têm que ser mais bem pagos” e que de futuro, os salários e os postos de trabalho “não dependerão das famílias em que se nasce, mas das competências, para que seja a sociedade a responder a algo que falhou em determinada altura das suas vidas”.
 
José Carlos Rolo, enalteceu as potencialidades da formação que é ministrada nos Centros Qualifica, como também se dirigiu aos empresários, numa altura em que há falta de mão-de-obra em vários setores, para que “sejam conhecedores da formação que aqui se faz e da qualidade dos trabalhadores que aqui se encontram”. Lançou um repto ao IEFP, “é importante que a comunicação funcione com as empresas, esperando que no novo espaço, muito maior que este, dê resposta a um problema da nossa região. É importante que os empresários conheçam estas realidades”, concluiu.