Sociedade

Mãe de Claudisabel em depressão profunda tenta recuperar o telemóvel da filha

Para Raquel, a vida parou na madrugada em que a filha morreu, na zona de Grândola, na A2. "Morri com ela naquela estrada", garante. "Perdi o meu mundo, o meu chão. Tudo deixou de fazer sentido".

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Em entrevista ao Correio da Manhã, diz que ainda não obteve respostas e que nada sabe sobre o processo-crime relativo ao acidente que vitimou a filha. Revela que não será capaz de perdoar o guarda prisional, natural de Vila Franca de Xira a trabalhar numa cadeia do Alentejo, que esteve envolvido no acidente.
 
O homem de 50 anos, assume que conduzia alcoolizado quando embateu contra o carro de Claudisabel, mas garante desconhecer qual a taxa que lhe foi detetada. "Eu estou a tentar sobreviver", assume ao CM o condutor do Audi cuja taxa detetada anda próxima de 1,9 g/l de álcool no sangue. Quatro meses depois não falou com a família da cantora, mas garante pensar nela a cada momento. "Você acha que eu não penso na mãe daquela rapariga? Na dor do pai? Nas pessoas daquela cidade?", questiona. O homem garante que quis ir ao funeral, mas que foi aconselhado pela advogada a não o fazer. "Neste momento, um contacto com a família pode ser visto como pressão", diz. O guarda partiu um braço na colisão, mas desde o acidente que é acompanhado e medicado por um psiquiatra.
 
O Audi envolvido no acidente está apreendido e encontra-se no parque da GNR. Ao CM, o condutor mostra-se com receio das consequências, pelas funções que ocupa: "Por ser guarda as pessoas vão-me crucificar mais. Mas se o tribunal me quiser prender só tenho de acatar a decisão com humildade."
 
Os destroços do carro e a ausência de marcas de travagem mostram a violência do acidente. Há ainda um outro condutor, que seguia atrás de Claudisabel, que garante que conseguiu escapar por pouco. "O guarda prisional que seguiria a um ritmo descontrolado, arrisca um crime, cuja moldura penal prevê uma pena até três anos", regista o jornal.
 
A mãe de Claudisabel garante que a filha nunca parou o carro e não vinha a velocidade reduzida. "Dizem que ela se sentiu mal, mas é mentira. Eu vim a falar com ela durante 45 minutos, desde o Montijo, e ela nunca me disse que não estava bem", recorda Raquel, que sobre o momento do acidente diz só ter ouvido um violento estrondo. "De repente, há um barulho e o telefone fica em silêncio. Liguei dezenas de vezes, mas percebi imediatamente que algo tinha acontecido. A minha filha nunca mais atendeu, pode ter morrido naquele momento", lembra.
 
A senhora diz continuar à espera da justiça, para que lhe devolvam o telemóvel da filha, onde estão algumas memórias que gostaria de guardar. "Tenho lá várias memórias, imagens da minha filha que me pertencem. Ninguém me dá respostas e é uma angustia muito grande", lamenta. Ao mesmo tempo, procura recuperar os pertences da cantora que estavam no carro. "Foi tudo para o parque da GNR e ninguém me diz nada. É como se eu não existisse", desabafa.