Sociedade

Jovens envolvidos na agressão a imigrante em Olhão são estudantes e têm entre 14 e 16 anos. Três foram detidos

O comandante distrital da PSP de Faro, Dário Prates, informou em conferência de imprensa, realizada esta segunda-feira, que foi levada a cabo uma operação policial de investigação criminal visando o grupo de jovens que agrediu um imigrante em Olhão, no passado dia 2 de fevereiro.

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Até ao momento, foi possível identificar 11 jovens, oito rapazes e três raparigas, com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos, pertencentes ao grupo, que participaram ou presenciaram os atos violentos.
 
Na sequência da visualização das imagens e na ausência de qualquer queixa relacionada, a PSP encetou várias diligências de investigação criminal, tendo a vítima sido identificada no dia da agressão (dia 2), através do seu testemunho à polícia. Houve ainda conhecimento de um outro roubo – a que correspondeu uma segunda queixa - a outro cidadão da comunidade nepalesa.
 
No dia seguinte à difusão do vídeo, foram identificados todos os intervenientes dessas agressões, tendo sido possível contar com a informação e os contactos dos polícias do programa da “Escola Segura”.
 
Das diligências de investigação, foi possível sinalizar outras ocorrências violentas associadas ao mesmo grupo - a maior parte sem registo de queixa.
 
Considerando estas novas ocorrências, a PSP conjuntamente com o Ministério Público, avançou para a recolha urgente de prova destes novos crimes. 
 
Ainda no plano da investigação criminal, os polícias procederam à visualização de mais de 20 mil vídeos, bem como de centenas de horas de imagens das câmaras de videovigilância instaladas na cidade Olhão, "que se revelaram importantes para a identificação dos agressores".
 
No decorrer das investigações, o comandante da PSP informou que "foram ouvidas mais testemunhas e houve a sinalização de outra ocorrência violenta, contra um sem-abrigo, ainda por identificar, bem como dois roubos a cidadãos portugueses".
 
Feita a prova e a consequente apresentação ao Ministério Público, foram emitidos mandados de busca e de detenção. A operação policial de hoje, teve como objetivos a recolha de prova através da realização de 6 buscas domiciliárias e outras diligências de investigação, bem como a detenção de 3 dos jovens mais ativos do grupo, com vista à sua apresentação ao tribunal. 
 
Foi possível relacionar o grupo com oito ocorrências, 5 por roubos e 3 de agressões, só no mês de janeiro.
 
Os jovens são estudantes e residem na cidade de Olhão. Sabe-se que comunicavam entre si através de um grupo fechado na rede social “Instagram”, a que atribuíram o nome de “8700”.
 
A atuação do grupo passava pela escolha de vítimas especialmente vulneráveis, quer em razão da sua naturalidade (comunidades indiana e nepalesa) quer pela sua condição social (de sem abrigo), ou pela idade (vítima de 16 anos) "com aproveitamento da força do coletivo, alicerçados numa extrema violência gratuita e espontânea, especialmente por parte dos três dos jovens mais velhos do grupo, hoje detidos".
 
Segundo o superintendente Dário Prates, além das motivações inerentes aos crimes indiciados (roubo e ofensas à integridade físicas qualificadas), existem também motivações que se prendem com a promoção da afirmação do grupo nas ruas de Olhão, sendo que aqueles que os acompanharam e presenciaram os atos violentos, sentiam-se como pertença ou integrados no grupo.
 
Os suspeitos estão agora indiciados por 5 crimes de roubo; 4 crimes de ofensa à integridade física qualificada; 1 crime de dano com violência.
 
A maior parte das vítimas identificadas são imigrantes. Das 8 ocorrências sinalizadas, a PSP só tinha registo de duas delas – um roubo em que a vítima é um jovem de 16 anos português e a desordem num restaurante indiano.
 
Nenhuma das vítimas estrangeiras dos roubos sentiu confiança para apresentar queixa crime "o que demonstra bem a sua condição de vulnerabilidade", sinalizou o comandante da PSP.