Sociedade

Já chegou a Olhão o primeiro autocarro com 46 refugiados ucranianos

Foi ao início da tarde, que chegou o primeiro autocarro a Olhão vindo da Polónia com 46 refugiados ucranianos, cumprindo-se a primeira etapa da missão levada a cabo pelo Município de Olhão e da comunidade ucraniana radicada no concelho.

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A Portugal chegaram maioritariamente mulheres e crianças e um homem de idade mais avançada que começam uma nova vida, longe da guerra, mas com grande preocupação com os familiares e maridos que ficaram no país. Esta quarta-feira de manhã, está prevista a chegada de um segundo autocarro a Olhão, com mais refugiados. 
 
Ana Correia, sub-diretora regional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), disse ao Algarve Primeiro, que «o foco agora é apoiar estas pessoas que precisam de nós, de um banho e alimentação, depois a integração que será feita gradualmente. Quanto à função do SEF, é garantir proteção internacional temporária, isto é, podem ficar pelo menos durante 1 ano, poderão prorrogar essa permanência cá, por mais 6 meses e ainda outros 6, dependendo do evoluir da situação no seu país de origem, esperemos que não perdure, mas o que importa agora é que as pessoas se sintam bem».
 
Os refugiados foram acolhidos no Centro de Vacinação de Olhão, para uma primeira identificação e avaliação junto dos profissionais de saúde.
 
 
Aos jornalistas, Oleksandra, representante da comunidade ucraniana no concelho que se encontra a colaborar com o município, referiu que os refugiados vieram de várias cidades da Ucrânia. «Estas mulheres e crianças estiveram três dias na estação à espera do autocarro, e posso dizer que as condições que a Câmara de Olhão preparou para eles são um luxo, comparando com as condições em que estiveram estes dias».
 
 
António Pina, presidente da autarquia de Olhão, explicou que algumas pessoas que estavam na lista para a viagem, decidiram vir mais cedo, tendo havido o cuidado de tentar preencher os lugares que ficaram vagos, «outra grande preocupação foi termos combinado um ponto de encontro 24 horas antes, para este grupo, já que havia o risco de no meio de uma multidão, assim que fosse aberta a porta do autocarro, invadissem os lugares que já estavam reservados. De resto tudo correu bem, esperando o mesmo com o próximo autocarro que vem a caminho e que chega já amanhã».
 
O autarca confirmou que as soluções no imediato, passam por uma casa de acolhimento temporário e mais dois apartamentos para serem usados de forma partilhada por várias famílias, «e temos ainda uma rede de cidadãos olhanenses que, tem vindo, junto da Ação Social do município, a demonstrar disponibilidade para acolher famílias num período de tempo mais prolongado». 
 
Segundo o mesmo responsável, o objetivo é que numa primeira instância «as pessoas fiquem com a sua documentação resolvida, junto do SEF, da Segurança Social, IEFP e Saúde, depois queremos perceber que condições vão ter as famílias destes refugiados no concelho e a sua capacidade para os acolher nas suas habitações por um período largo de tempo, sem esquecer a questão das crianças, a sua integração na escola e de seguida a questão do trabalho para as mães».
 
 
Um dos três motoristas que fez a viagem, confidenciou que a primeira noite foi difícil, com as crianças instáveis, «choravam muito, mas depois tudo acalmou, foram ganhando confiança com a nossa equipa». Emocionado, Fernando Coelho referiu estar feliz pelo dever cumprido e ainda mais quando chegaram a Portugal, «sentiu-se uma grande alegria, quando viram o tempo que estava cá, com sol, quando na viagem caiu muita chuva e fez muito frio», concluiu.