Abílio Sousa disse à agência Lusa que, na terça-feira, durante o combate ao incêndio que deflagrou perto daquela povoação algarvia, os bombeiros que vinham da área do sotavento (este) chegavam a São Brás de Alportel e tinham de voltar para trás, fazendo um desvio no sentido de Loulé para rumar a norte e chegar à área do fogo.
Este trajeto seria evitado, facilitando o socorro e o combate ao fogo, se a EN2 estivesse já reparada e não permanecesse cortada, ao quilómetro 750,5, desde junho de 2025, devido à instabilidade de um talude, defendeu o autarca.
“Tive conhecimento que existiram, por exemplo, autotanques e carros de bombeiros que vinham do lado de São Brás, chegaram ali, tiveram de voltar para trás e ir a Loulé para voltar para aqui”, contou.
O autarca daquela freguesia do concelho de Loulé disse compreender que a intervenção em causa necessita de um projeto e obriga à “execução de uma obra de grande porte”, mas defendeu que, “neste intervalo de um ano, já podia ter sido feito um desgaste, tipo socalco”, de um dos lados da estrada.
“Tinha-se criado ali uma via alternativa e podia ser feita num espaço de três semanas, com máquinas de grande porte”, argumentou.
Durante o fogo, que deflagrou na terça-feira na localidade de Besteiros e foi dado como dominado às 04:07, a EN2 esteve “cortada temporariamente, para facilitar o trabalho dos bombeiros, desde a manhã até ao final do dia”.
No entanto, o corte ao quilómetro 750,5 manteve-se e continuará a ser necessária uma intervenção “urgente” para repor a circulação na EN2, observou.
O corte da EN2, entre o Ameixial e São Brás de Alportel, foi decidido pela Infraestruturas de Portugal em junho de 2025 e obriga as populações a fazer desvios de dezenas de quilómetros para fazer o trajeto.
As Câmaras de Loulé e de São Brás de Alportel têm insistido na necessidade de a reparação ser efetuada com a maior rapidez possível para repor a circulação na estrada, que é também um ativo turístico, ao permitir fazer a travessia de norte a sul de Portugal, no interior do país, entre Chaves e Faro.
A Infraestruturas de Portugal lançou concurso para a obra, mas ainda não foi anunciada uma data exata para o início dos trabalhos.