“Achamos que deve ser discutido qual é o melhor uso que a Fábrica da Cerveja pode ter para Faro. Deve haver uma discussão, com estudos económicos que definam qual é o melhor uso que a fábrica pode ter”, disse António Pina em entrevista coletiva, incluindo a Lusa, sobre o primeiro ano de mandato.
A Fábrica da Cerveja é um edifício degradado e com problemas de segurança, situado na malha do antigo castelo da capital de distrito algarvia, sendo sede, há mais de uma década, da Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM).
O presidente da Câmara de Faro identificou três hipóteses para o futuro do imóvel: o uso cultural, mantendo a ligação à associação que ali tem sede e a outras atividades na área, o uso turístico, tendo um grupo hoteleiro já manifestado interesse, e o uso administrativo, concentrando serviços municipais atualmente dispersos.
“Temos aqui, pelo menos, três usos e estou disposto a quem alguém venha sugerir um quarto. Vamos avançar para esse estudo, e depois é que poderá haver uma decisão”, resumiu.
O estudo, prosseguiu, deverá considerar o investimento necessário para a reabilitação, dinamização e conservação do imóvel caso se mantenha na posse da Câmara de Faro, mas também os valores resultantes de uma venda ou concessão.
Embora António Pina tenha afirmado desconhecer que valor estaria em causa para obras de reabilitação, não se coibiu de, pouco depois, falar em “cinco ou seis milhões de euros”.
A Associação de Músicos está instalada de forma provisória desde 2014, sob regime de comodato, na Fábrica da Cerveja, espaço que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) recomendou encerrar “por falta de licenciamento”, disse António Pina à Lusa em maio.
Na ocasião, foi criado o Movimento Pela Fábrica, que perante rumores de venda do edifício a privados defendeu a necessidade de manter a antiga Fábrica da Cerveja “ao serviço da cultura”.
Em setembro, aquando do discurso do Dia da Cidade, o autarca anunciou que o município se preparava para arrendar um espaço na Estrada do Passeio Ribeirinho, a sul da linha ferroviária e perto do Teatro das Figuras, destinado a acolher a ARCM e outras associações.
A proposta de arrendamento, por 10 anos, das instalações outrora ocupadas pela Indal, antiga fábrica de transformação de alfarroba, onde será criado o Margem – Centro Cultural e Criativo, foi aprovada na sexta-feira em assembleia municipal.
Representará um custo de 84 mil euros anuais em rendas, até 2036, além da obra de reabilitação do espaço, “entre 250 mil euros a meio milhão de euros”, especificou António Pina na entrevista coletiva.
Contudo, a Associação de Músicos rejeitou na semana passada a mudança para esse local, por ser “um espaço privado” com uma permanência “limitada no tempo”, e não ter condições para acolher as suas valências.
Em carta aberta dirigida ao presidente da Câmara de Faro, a associação reiterou que a melhor solução passa pela recuperação da Fábrica da Cerveja, lamentando o “alarme social” entretanto criado e alegando que a ANEPC não determinou o encerramento da instituição.
A Fábrica da Cerveja, construída entre 1930 e 1940, nunca funcionou como fábrica apesar do nome, mas foi ocupada entre 1968 e 1992 pela sociedade distribuidora de cerveja e vinhos do sul e, mais tarde, pelo Regimento de Infantaria do Sul.
No final da década de 1990, o imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal de Faro com o objetivo de lhe dar nova utilidade, nomeadamente um museu de arte contemporânea que nunca chegou a efetivar-se.