João Viegas, produtor do festival, disse à agência Lusa que haverá dois espetáculos por dia na Alcaidaria do Castelo e vai também ser feita uma homenagem por ocasião do centenário do nascimento do saxofonista e compositor John Coltrane (1926-2026), num festival com direção artística a cargo de Mário Laginha, pianista português com um largo trajeto e ligações familiares à cidade de Loulé.
“Em termos de destaques da edição deste ano, eu diria que há essencialmente três grandes destaques. O primeiro é, logo na noite da abertura […] a presença do Andy Sheppard Trio”, afirmou João Viegas, salientando que o agrupamento vai estrear ao vivo um disco gravado pela ECM Records e que está previsto ser lançado no outono de 2026.
O produtor do festival adiantou que o disco foi gravado com a pianista italiana Rita Marcotulli e com o contrabaixista francês Michel Benita e, apesar de ainda está a ser ultimado, “já vai poder ser ouvido em estreia” na primeira noite do festival Loulé Jazz.
O primeiro dia contará também com a apresentação do Trio de Jazz de Loulé, criado a partir de um concurso realizado por iniciativa da Câmara de Loulé e do Cineteatro Louletano, “para jovens músicos constituírem um trio, que depois fica residente no concelho” do distrito de Faro.
O Trio de Jazz de Loulé foi selecionado por um júri presidido pelo Mário Laginha, que se juntou ao pianista João Paulo Esteves da Silva e ao trompetista Hugo Alves, e a estreia desta nova formação será feita dia 24, na abertura do festival.
Na última noite, está prevista uma celebração dos 100 anos do nascimento de John Coltrane, com o Quarteto de Ricardo Toscano a apresentar “A Love Supreme", considerado uma “obra-prima”, gravado em 1964 e que se tornou num dos “discos mais influentes da história do jazz”.
Outro dos momentos do festival será uma homenagem a António Pinho Vargas, considerado um “dos melhores compositores de jazz” portugueses nacionais, cuja música irá ser revisitada pelo quarteto “As Folhas Novas Mudam de Cor”, formado por Miguel Meirinhos (piano), José Soares (saxofone alto), Hugo Carvalhais (contrabaixo) e Mário Barreiros (bateria), no dia 25.
“O Festival de Jazz de Loulé sempre viveu nesta, eu diria, dualidade, de trazer alguns dos maiores nomes internacionais, mas também trazer alguns dos maiores nomes nacionais, durante estes dias ao Algarve”, enquadrou o produtor.
Alexi Tuomarila Quarteto e Duo Fractal Limit, com Vardan Ovsepian e Tatiana Parra completam os artistas que vão estar presentes no Loulé Jazz, festival dirigido por Mário Laginha, que “costuma dizer que não é programador”, só “abriu uma exceção porque tem uma ligação afetiva a Loulé”, contou.
“Tem feito um trabalho fantástico na programação do festival. Ele está na programação do festival desde 2011 e tem-nos ajudado a trazer e a descobrir grandes nomes, propostas até por vezes diferentes”, enalteceu o produtor, classificando a colaboração com o festival como “muito valiosa”.