Ambiente

Estudo sobre tratamento de resíduos urbanos no Algarve deverá estar concluído em 11 meses

 
A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, presidiu na passada sexta-feira, na sede da Comunidade Intermunicipal do Algarve - AMAL, à celebração de um Contrato Interadministrativo de Cooperação entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, para o desenvolvimento de um estudo com vista a uma solução "sustentável e adequada" às necessidades da região do Algarve no que toca à gestão de resíduos urbanos.

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O estudo, promovido pela APA, será coordenado e desenvolvido pela Autoridade Nacional de Resíduos e pela NOVA FCT, da Universidade Nova de Lisboa, estando constituída uma equipa multidisciplinar com as Universidades do Algarve e de Aveiro.

Segundo um comunicado da AMAL, a região regista uma elevada produção de resíduos (associada à forte pressão turística), com mais de 400 mil toneladas por ano, onde as taxas de deposição nos dois aterros existentes (Loulé e Portimão) já ultrapassam os 80%.

Na sessão, o presidente do conselho intermunicipal, António Pina, sublinhou que esta é uma matéria que muito tem preocupado a AMAL e para a qual tem vindo a alertar há vários meses, tendo em conta o aumento que se tem verificado de resíduos e a, cada vez mais escassa, disponibilidade dos dois aterros existentes no Algarve. António Pina referiu que "a colaboração dos municípios da região com a APA tem sido sempre muito boa, e em boa hora a Ministra do Ambiente nos ouviu, o que nos permite avançar para uma solução que deverá estar implementada até daqui a 7 anos, altura em que os 2 aterros vão chegar à sua capacidade máxima. O nosso desafio, dos políticos, é o de tomar estas decisões com realismo e que, efetivamente, sirvam as nossas necessidades futuras, não sendo apenas tomadas com base em números que muitas associações hoje apresentam e que sabemos que não correspondem exatamente à realidade".

O presidente da APA lembrou que, em 2025, o Algarve produziu cerca de 8% do total de resíduos, a nível nacional. Em média, cada pessoa produziu cerca de 500kg de resíduos no resto do país, sendo que no Algarve esse número passa para 752Kg. No que diz respeito à reciclagem, os números também não são animadores, sendo bastante inferiores à média nacional.

José Pimenta Machado acrescentou que é urgente encontrar uma resposta e o contrato agora assinado "é importantíssimo porque nos vai ajudar a escolher o melhor caminho para uma solução que será tomada para décadas. Em suma, aguardamos que este estudo venha, de forma clara, ajudar-nos a decidir no que diz respeito a: qual a melhor solução em termos de tecnologias disponíveis; localizações alternativas para as infraestruturas e quais os impactes ambientais, sociais e económicos que pode trazer".

A Ministra do Ambiente e Energia deixou a garantia de que a solução a ser encontrada para este problema será transparente e completamente baseada em conhecimentos científicos. Maria da Graça Carvalho referiu que o objetivo passa por resolver a questão dos resíduos, podendo utilizar a melhor tecnologia possível e com o menor impacto para as populações "porque essa também sempre foi, e é, uma nossa preocupação. Daqui a 11 meses este estudo deverá estar concluído e estaremos em condições para podermos tomar decisões". A governante deixou a garantia de que há financiamento, assegurando que o projeto vai avançar.

Na sessão, foi ainda feita uma apresentação dos objetivos do estudo, conduzida pelo professor Mário Ramos, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa.