Entre as mais diversas zonas de habitação, desde Aveiro ao Algarve, são milhares os flamingos que optaram, este ano, pelas reservas algarvias.
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Uma colónia de cerca de 3 mil indivíduos construiu perto de 800 ninhos com ovos, eclodindo cerca de 550 jovens flamingos, numa das salinas da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, propriedade da Compasal, dona da salina do Cerro do Bufo.
Segundo comunicado do Instituto de Conservação da Natureza a Florestas I.P, esta nidificação e o seu resultado positivo, poderão ser confirmados no próximo ano e tornar-se uma situação recorrente, "o que representaria uma importante adaptação da espécie a diferentes condições das que sempre tem tido nos locais habituais, possibilitando a diversificação dos locais de nidificação e a manutenção da população da espécie na área geográfica do Mediterrâneo".
Após diversas tentativas de nidificação, o Algarve parece ter conseguido os requisitos essenciais para estes flamingos iniciarem o processo de reprodução, dado que detém inúmeros locais de áreas irrigadas, como é o caso da Ria Formosa, dos sapais e das salinas.
Em conversa com Élio Vicente, biólogo do Zoomarine, o Algarve Primeiro apurou que, “as zonas húmidas no Algarve graças à profundidade, à tipologia da água, à sua qualidade, à própria salinidade e, obviamente à tranquilidade, reúnem condições favoráveis, quer do ponto de vista legal, quer do ponto de vista social, que possibilitam a estes animais terem um comportamento natural, sem serem muito perturbados pelos humanos, pelos turistas e, até mesmo, por outros animais”.
A chegada destes flamingos ao Algarve, acaba por ser um benefício para os turistas, pois cada vez mais, este procuram a região algarvia pela sua própria natureza e beleza paisagística, não só no Verão, mas também nos meses intermédios.
Élio Vicente, acredita que “quem verdadeiramente for à procura dos flamingos, é porque gosta de flamingos e sabe a importância de os observar ao longe, respeitar os seus ciclos naturais e, obviamente, respeitar estes períodos particularmente sensíveis”, depositando confiança na responsabilidade e no bom senso das pessoas.
Com uma taxa de sobrevivência razoavelmente baixa, que prevê que cerca de 50% das crias não atinjam a fase adulta, torna-se, portanto, fundamental preservar a fauna e a flora na sua essência, bem como respeitar o espaço que este animais carecem, para que, num futuro, os mesmos cá permaneçam enquanto verdadeiras riquezas naturais e de apreciação por parte de todos.