Política

Deputados do Chega consideram traçado da Linha do Algarve “histórico” e criticam comboios com cerca de 50 anos

 
Os deputados João Paulo Graça e Ricardo Moreira, eleitos pelo Algarve, percorreram ontem, de comboio, toda a Linha do Algarve, entre Lagos e Vila Real de Santo António e no sentido inverso, acompanhados por militantes de várias zonas da região, com o objetivo de conhecer as dificuldades sentidas pelos passageiros.

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Segundo uma nota do Chega, a comitiva partiu de Lagos às 10h34, naquele que o partido identifica como o único serviço InterRegional do dia, chegando a Vila Real de Santo António às 12h54, após uma viagem de 2 horas e 20 minutos para percorrer cerca de 140 quilómetros.

No regresso, realizado em serviço Regional, a partida ocorreu às 15h34, com chegada a Lagos às 18h13, num total de 2 horas e 39 minutos de viagem.

Os deputados afirmam que, durante o percurso, estabeleceram "inúmeros contactos" com passageiros, que terão transmitido preocupações relacionadas com os horários, tempos de viagem, ligações e condições oferecidas.

Segundo o Chega, a eletrificação da Linha do Algarve, apesar de necessária, não resolveu o problema dos tempos de viagem. O partido considera que, após um investimento de cerca de 135 milhões de euros, a comparação com os tempos de circulação anteriormente registados representa uma redução de apenas cerca de 19 minutos.

Os deputados criticam também a idade do material circulante utilizado na linha, referindo que as carruagens têm cerca de 50 anos, apesar de terem sido modernizadas há aproximadamente duas décadas. Apontam ainda a ausência de um serviço de venda de bebidas e alimentos a bordo.

Na perspetiva dos parlamentares, a ligação ferroviária entre Lagos e Vila Real de Santo António, que completou recentemente 104 anos, mantém, apesar das sucessivas intervenções, um traçado que classificam como "histórico", concebido para uma realidade diferente da atual.

O Chega aponta ainda a ausência de ligações ferroviárias adequadas aos centros urbanos de Lagoa, Silves, Armação de Pêra e Loulé, bem como a inexistência de uma ligação ferroviária direta ao Aeroporto Internacional de Faro.

Os deputados consideram igualmente que a ligação ferroviária entre Faro e Lisboa continua a ser "demasiado demorada" e defendem a concretização de uma ligação ferroviária ao sul de Espanha.

O partido entende que o Algarve não deve continuar a depender de uma infraestrutura assente num traçado com mais de um século, com tempos de viagem elevados e material circulante que considera envelhecido, numa altura em que estão a ser discutidos e realizados investimentos na alta velocidade ferroviária no Norte do país.

Por outro lado, defende que, sendo o Algarve uma região turística, a ferrovia deve responder às necessidades atuais de quem vive, trabalha, estuda e visita a região.

O partido adianta que está em fase de conclusão um projeto ferroviário para o Algarve, que pretende apresentar com propostas para uma ferrovia que classifica como "moderna, rápida e adequada às necessidades" da região.

Coincidentemente com o dia em que os deputados percorriam a Linha do Algarve, o Chega diz que o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, considerou que a infraestrutura é "terceiro-mundista" e afirmando que "não há condições de qualidade suficiente" nos comboios que circulam no Algarve. O governador criticou ainda a velocidade dos comboios, considerando que "não se coaduna com um país desenvolvido".