Sociedade

Danni Gato estreia-se hoje no Tomorrowland

Danni Gato (Facebook)
Danni Gato (Facebook)  
O DJ e produtor Danni Gato estreia-se hoje no Tomorrowland, na Bélgica, tornando-se no primeiro artista cabo-verdiano a atuar no festival, que é dos maiores de música eletrónica, uma “conquista pessoal” que espera transformar numa oportunidade internacional.

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“Para mim significa muito. De onde eu vim, do Algarve, é um bocado difícil para as pessoas saírem de lá, serem reconhecidas. E estar aqui como o primeiro DJ cabo-verdiano, além de português, significa muito para mim”, disse Danni Gato.

Em entrevista à agência Lusa, na cidade belga de Boom, onde hoje arranca o Tomorrowland, Daniel Fernandes (de nome artístico Danni Gato), falou numa “conquista pessoal” e num “sonho de há muitos anos realizado”.

“Estou sem palavras, estou muito feliz”, acrescentou o DJ e produtor à Lusa.

Natural de Faro, e com raízes cabo-verdianas, Danni Gato sobe esta tarde ao palco Melodia, levando ao festival a sonoridade que tem marcado o seu percurso, entre o afro house, a música eletrónica e as influências das suas origens.

Após quase 15 anos de carreira, a atuação surge também como uma oportunidade para reforçar a presença internacional de um género que tem ganhado cada vez mais espaço nos grandes palcos mundiais: “Espero conseguir abrir portas para outros DJs Afro House”.

Para Danni Gato, a ligação às suas origens é uma parte natural da identidade artística.

“Isso é sempre, é o que vai sair, já é natural. É o Danni Gato, as pessoas já sabem”, explicou, referindo que procura manter elementos da sua herança cabo-verdiana e portuguesa na música que produz.

Sem um alinhamento fechado para a estreia no Tomorrowland, o DJ garante que pretende aproveitar o momento: “Não tenho nada preparado, vou fazer na hora e aproveitar para mostrar as minhas origens”.

A estreia no festival belga acontece também com o apoio da comunidade portuguesa presente no recinto.

Danni Gato revelou que espera encontrar bandeiras portuguesas e cabo-verdianas no público, num ano em que a presença portuguesa sobe para seis atuações este fim de semana.

Com presença regular em palcos internacionais, incluindo Ibiza, África, América do Sul e Europa, o DJ e produtor apontou esperar que a passagem pelo Tomorrowland possa abrir novas oportunidades: “Isto também tem um poder de oferta muito grande para a Ásia, América Latina. Espero que corra tudo bem e que abra muitas portas”.

Sobre a evolução da música eletrónica portuguesa, o artista considerou que Portugal atravessa uma fase de maior reconhecimento internacional, destacando igualmente a chegada de artistas estrangeiros ao país.

“Portugal está a ser um ponto muito referente para o mundo. É muito bom para nós, porque podemos conectar-nos com essas pessoas, esses DJs que já têm outros caminhos, outros patamares”, afirmou à Lusa.

Depois da estreia no Tomorrowland, Danni Gato prepara o lançamento de um álbum e pretende dedicar-se cada vez mais à sua vertente eletrónica e afro house, mantendo a ligação às raízes que marcaram o seu percurso.

O Tomorrowland recebe cerca de 400 mil festivaleiros ao longo dos dois fins de semana e tem registado uma presença portuguesa cada vez mais expressiva, tanto entre o público como no alinhamento artístico.

Decorre entre hoje e domingo e entre os dias 24 e 26 de julho, em Boom.

Na edição deste ano, Danni Gato, Diego Miranda, Pette, BIIA, ØTTA, Xinobi e MXGPU fazem parte da programação do festival belga, representando diferentes vertentes da música eletrónica nacional, do house e afro house ao techno, passando pela eletrónica melódica e por formatos híbridos entre DJ set e atuação ao vivo.