Política

Cristóvão Norte defende que "não faz sentido" discutir localização da dessalinizadora quando o essencial já foi decidido

Cristóvão Norte
Cristóvão Norte  
Foto cedida pelo PSD Algarve
O presidente do PSD Algarve defende que o Algarve precisa de uma resposta "completa, integrada e consequente" para a crise hídrica, sustentando que a dessalinização deve ser entendida não de forma isolada, mas como parte de um programa mais vasto para garantir segurança no abastecimento de água à região.

PUB

Num comunicado divulgado pelo PSD Algarve, Cristóvão Norte considera que "a dessalinização não é uma questão de preto e branco. Não se trata de simplificar um problema estrutural num ‘sim’ ou ‘não’. O que o Algarve precisa é de uma visão complementar e integrada para a água, que articule reutilização, eficiência hídrica, redução de perdas, interligação de sistemas, novas origens de água e maior robustez do abastecimento".

Nesse quadro, sublinha que a dessalinização "não deve ser vista como primeira nem como única resposta, mas como última linha de segurança, como reserva estratégica, como seguro de vida de uma região que continua exposta à escassez hídrica e à incerteza da precipitação".

O deputado algarvio recorda que a dessalinização integra um programa estrutural para responder à crise da água no Algarve, "com investimento público, estudos, avaliação ambiental, tramitação legal e uma solução definida no quadro de uma estratégia mais vasta".

"A minha posição não é apenas a favor da dessalinização. É a favor de um programa global para a água no Algarve. É isso que está verdadeiramente em causa. O Algarve não pode continuar dependente de uma única variável chamada chuva. Precisa de redundância, de segurança e de capacidade de resposta", defende, realçando que "não faz sentido reabrir eternamente debates sobre necessidade e localização quando o essencial já foi decidido no plano técnico e político".

Para o dirigente algarvio, existe no Algarve um bloqueio recorrente à concretização de investimentos estruturantes. "Pedem-se intervenções, exigem-se decisões, reclama-se investimento público. Mas, quando finalmente se avança, volta-se sempre atrás para reabrir o que já estava decidido. Parece o novo aeroporto: quando está em vias de começar, regressa-se ao princípio e volta tudo a ser discutido outra vez."

Considera que o debate sobre a água no Algarve deve ser feito com "seriedade, responsabilidade e sentido estratégico, sem simplismos nem adiamentos permanentes", pois "as condições de base não se alteraram. O Algarve continua a precisar de fontes alternativas de água. Continua a precisar de uma resposta integrada. Continua a precisar de segurança hídrica. É tempo de levar até ao fim aquilo que já foi definido como necessário", conclui.