Não é verdade que o Algarve esteja atrasado na vacinação em relação a outras regiões do país, garante Paulo Morgado, Presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve.
Em declarações ao nosso jornal, o responsável disse que «essas críticas não têm fundamento, pois os dados que são apresentados no boletim semanal da DGS, não explicam tudo».
O responsável lembrou que as cinco regiões do continente não são comparáveis, do ponto de vista daquilo que é a sua estrutura populacional: «por exemplo comparam-nos geralmente com o Alentejo, porque tem uma população parecida com a população do Algarve, só que a realidade do Alentejo é muito diferente da realidade do Algarve, primeiro o Alentejo tem uma população muito mais dispersa, muito mais concelhos e mais idosos do que tem a população do Algarve e tem também mais profissionais de saúde».
Paulo Morgado explicou que nesta primeira fase, «estamos a vacinar de forma dirigida, isto é, começámos pelos profissionais de saúde, ora o Alentejo tem mais profissionais de saúde, mais hospitais e centros de saúde do que o Algarve. Depois foi levada a cabo a vacinação nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI's), e também aqui o Alentejo tem muito mais idosos institucionalizados, mais ERPI's do que tem o Algarve, estamos a vacinar a população com mais de 80 anos e o Alentejo tem a população mais envelhecida que a nossa região, com isto quero dizer que estamos a vacinar grupos específicos e não a população em geral, portanto estar a comparar percentagens da população em geral é enganador e vai dar uma imagem distorcida daquilo que é a realidade», salientou.
O Presidente da ARS garantiu ao Algarve Primeiro, que a região «não vai ficar para trás», quando arrancar o processo de vacinação massiva em abril, «assim que o país tenha vacinas, o Algarve acompanhará aquilo que é o esforço nacional. Até ao momento não tem havido vacinas suficientes como é do conhecimento geral, mas a partir de meados de abril, o país vai receber vacinas em quantidades já significativas, com a chegada também da vacina da Johnson & Johnson, que são doses únicas permitindo poupar tempo», referiu.
Os centros de vacinação no Algarve serão fixados particularmente em todas as cidades do litoral. Para atingir a imunidade de grupo na região, o equivalente a 70% da população, Paulo Morgado estima que sejam vacinados mais 300 mil algarvios, até final de agosto, atendendo a que terminada esta primeira fase de vacinação, esteja já vacinada 10% da população. Na segunda fase, a expetativa é que sejam vacinadas 2 mil pessoas por dia, admitindo que «é muito provável que tenhamos de contratar alguns profissionais, quer sejam reformados e enfermeiros que tenham disponibilidade para trabalhar connosco, ou enfermeiros dos hospitais, portanto é algo que ainda está a ser equacionado», concluiu.