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Como é que a inveja dos outros nos pode afetar?

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A psicologia diz que quem inveja alguém é mais afetado do que quem recebe essa energia negativa e explica porquê.

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A ciência afirma que uma pessoa não consegue sentir fisicamente ou telepaticamente quando alguém lhe deseja mal em segredo.

Para os psicólogos, quando uma pessoa deseja mal a outra e espera que algo lhe aconteça à distância, pouco ou nada sucede ao destinatário dessa energia porque existe uma ausência  de conexão física.  Nesse sentido, «pensamentos e desejos não emitidos através de ações concretas não viajam pelo espaço para afetar o corpo ou a mente de outra pessoa», completam.

Os cientistas afirmam que quem sente inveja acaba por sentir um efeito negativo do que deseja aos outros. Tal emoção destrutiva expressa-se através da amargura, desgaste emocional e stress.

A psicologia aponta que, na maioria das vezes, desejar o mal nasce de inseguranças, frustrações ou inveja pelo que a outra pessoa é. «Estes sentimentos revelam muito mais acerca do estado interior do invejoso do que da sua capacidade de “fazer mal a alguém”».

Apesar de não se poder transmitir a inveja à distância, a ciência apresenta alguns sinais que, de forma indireta, permitem que detetemos quem quer prejudicar-nos e, ao mesmo tempo, ajudam a que nos protejamos dos invejosos:

• Mudança de comportamento: A pessoa só percebe que alguma coisa não está bem se houver atitudes práticas, como olhares, microexpressões, tratamento frio ou comentários maldosos.

• Intuição: Se notar um ambiente pesado ou hostil, isso resulta de dinâmicas reais e observáveis, e não de energia oculta, pelo que deverá estar atento e mudar alguma coisa durante a convivência com essa ou essas pessoas.

Sabendo que a inveja existe; que é real e que não é agradável, os entendidos deixam alguns conselhos que podem ajudar a proteger-nos:

Manter a discrição sobre a nossa vida é o primeiro passo para afastar a inveja, pois quem não sabe muito a nosso respeito, não terá muitos motivos para invejar-nos.

Um outro aspeto essencial é estabelecer limites nas nossas relações sejam elas pessoais, familiares, de trabalho, grupos de pertença ou outras. O segredo é não permitir “invasões” de privacidade evitando responder a certas questões, frequentar determinados locais ou exibir aquilo que não queremos que os outros saibam. É também fundamental que não alimentemos determinadas conversas e a curiosidade alheia e que saibamos dizer um delicado “não” quando a pessoa tenta ultrapassar os limites que lhe colocámos.

Registe que, por muito que uma pessoa seja sua amiga, dificilmente ficará mais contente com o seu sucesso do que com o dela, por isso, não revele planos ou desejos e apresente os resultados das suas conquistas, não mostre o processo, pois efetivamente pode correr mal.

Tenha em conta o que publica nas redes sociais, uma vez que estas “são a montra da sua vida”. Evite partilhar a sua privacidade, momentos felizes, situações afetuosas e tudo o que possa chamar a atenção dos outros, pois é mesmo por aí que os invejosos começam a sua ação.

Afaste-se de pessoas maldosas, fofoqueiras, intriguistas, excessivamente curiosas sobre a sua vida e, mesmo que lhe falem de outros, saiba que também vão fazer o mesmo consigo e com o que observam a seu respeito. A discrição continua a ser a regra nas redes, no dia a dia, em quem convida para ir à sua casa e daí por diante.

Evite reações impulsivas: Não entre em confrontos ou discussões diretas, pois isso alimenta o ressentimento de quem tem inveja e acaba por acentuar a ação dando lugar a uma convivência cada vez mais tóxica.

É imperioso que olhe mais para si, que fortaleça a autoestima, que valorize mais o que tem e o que deseja conquistar, que aprenda e desenvolva novas habilidades, defina os seus objetivos e lute pelo que ambiciona e, o mais importante, não se compare aos outros. Aceite-se, conheça-se o melhor possível e desafie os seus próprios limites. Aprenda com os outros, mas respeite-se e aceite os seus pontos negativos e positivos, pois só assim estará a evoluir e a desligar-se da inveja alheia.

Por fim, o Algarve Primeiro apurou as novidades acerca da posição da psicologia moderna em relação à inveja. Nesse sentido, a inveja pode ser benigna (que pode gerar benefícios) e a inveja maliciosa (que causa prejuízos).

A inveja pode ser positiva quando funciona como um motivador de crescimento pessoal. Ver o sucesso de outra pessoa na nossa área profissional, por exemplo, pode motivar-nos para trabalhar ou estudar mais para alcançar um novo objetivo que não tem de ser o mesmo do outro, mas sim um passo a seguir ao que já somos. Neste caso, melhorar o foco e definir prioridades com um pouco mais de empenho e esforço pessoal podem servir de base para melhorar o que somos e o que fazemos.

Como a inveja funciona como um espelho dos nossos próprios valores, pode servir para que reconheçamos aquilo que realmente desejamos e ambicionamos. Com esta tomada de consciência, podemos direcionar melhor a nossa atenção de modo a conquistarmos o que pretendemos. Para isso, é essencial analisar aquilo que invejamos nos outros e tentarmos adequar um plano de ação para que também lutemos por isso mediante as nossas capacidades e disponibilidade.

Dar lugar a competitividade saudável 

Numa empresa ou atividade em que colaborem pessoas com diferentes competências, podemos ambicionar mais e melhor, de modo a tentar alcançar outros patamares de conhecimento e de concretização de tarefas. Uma pessoa mais competente e que já chegou ao topo pode servir-nos de referência profissional, por exemplo.

A inveja maliciosa é o oposto do que definimos acima, pois resulta da frustração de alguém que, ao não ser como outra pessoa bem-sucedida, tenta fazer tudo para destruí-la. Este tipo de inveja acarreta muitos prejuízos para a própria pessoa que acumula um enorme desgaste, cada vez mais frustrações, desvalorização pessoal resultante da comparação destrutiva, afeta gravemente as relações profissionais e sociais e, em muitos casos, pode levar à doença mental, entre outras consequências nada abonatórias.

As pessoas invejosas acabam por perder oportunidades de crescimento pessoal e profissional porque dedicam demasiado tempo à vida alheia e reservam pouca energia para os seus próprios projetos e objetivos, perdem a autoestima, desvalorizam-se e passam a vida num sofrimento desnecessário, alertam os psicólogos.