Nesse sentido, a ciência alerta para a importância de aprendermos a gerir a ansiedade de modo a que não nos afete tanto a qualidade de vida e o bem-estar, sabendo que, essa condição prejudica as relações pessoais, profissionais, familiares e conjugais.
De acordo com Olivia Remes, doutoranda e investigadora do Departamento de Saúde Pública e Cuidados Primários da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, os transtornos de ansiedade generalizada são caracterizados por sensações frequentes de medo, inquietação, e de sensação “de que se está no limite”.
"Quando uma pessoa tem um prazo apertado ou uma emergência no trabalho, sente-se ansiosa e isso é normal. Mas há pessoas que se preocupam com cada ponto das suas vidas e não conseguem libertar-se disso", explica. "Pessoas com transtorno de ansiedade, preocupam-se muito mais frequentemente e com mais intensidade do que aquelas com uma boa saúde mental."
Apesar dos distúrbios de ansiedade serem um problema sério, que muitas vezes demanda acompanhamento com especialistas, é possível desenvolver habilidades para lidar com o transtorno, garante a especialista à BBC Brasil.
Com base num estudo recente que liderou, Remes deixa algumas estratégias para lidar com a ansiedade:
1. Monitorize os seus pensamentos
Quem sofre com transtornos de ansiedade geralmente vê-se “inundado” por pensamentos negativos que invadem a mente sem aviso. "Pessoas com transtornos de ansiedade são pessimistas. Acreditam que há sempre algo muito negativo que lhes vai acontecer, mesmo que nada o indique, mas como temem o futuro, não conseguem libertar-se de preocupações.
A investigadora sugere que, reservemos um momento diário para nos preocuparmos. “Reservar 20 minutos só para a preocupação, liberta a mente e reduz o impacto da negatividade que perde expressão quando não é alimentada”.
2. Faça atividades físicas e pratique meditação
Saúde mental e física são codependentes, afirma Remes, e a prática de exercícios físicos é um aliado essencial para o bem-estar psíquico. Em conjunto com exercícios regulares, a meditação consciente também pode ajudar mentes ansiosas, assegura a cientista citada pela BBC Brasil.
3. Encontre um propósito
O trabalho de investigação de Remes notou que pessoas com senso de coesão, de propósito e que encontravam um sentido para as suas vidas, apresentavam menos distúrbios de ansiedade.
De acordo com Remes, pessoas com distúrbios de ansiedade muitas vezes não conseguem identificar um propósito claro nas suas vidas e não acreditam que vale a pena esforçarem-se por algo. Ao modificarem esta mentalidade, concentram-se no seu propósito, encaram melhor as situações difíceis e reduzem muito os seus níveis de ansiedade, explica.
O sentido de propósito constrói-se nas pequenas situações quotidianas como ajudar uma pessoa num momento delicado, praticar voluntariado ou fazer algo de que se gosta, já que o essencial é sentir-nos úteis e necessários em alguns contextos de vida. Pensar noutras pessoas alivia a ansiedade, os medos nos momentos mais difíceis e proporciona-nos conforto e bem-estar, destaca a investigadora.
4. Veja o lado bom da vida
Para dominar a mente e espantar os pensamentos negativos, Remes recomenda olhar para elementos que nos dão prazer e dar menos importância ao que nos aborrece, irrita e provoca mal-estar. Como não se pode evitar os pensamentos, podemos fazer algo valioso: transformá-los, ou seja, quando temos pensamentos negativos, devemos dialogar com eles ao ponto de os tornar mais positivos e toleráveis. Quando faz uma tarefa e é inundado por pensamentos negativos, tente alterar qualquer coisa, fazer uma pausa, mudar o modo de trabalhar ou dar um novo sentido a esse pensamento, recomenda Remes.
5. Viva no presente
A prática de ruminar pensamentos e ser constantemente invadido por memórias do passado tende a alimentar a ansiedade. Preocupar-se com o que pode ocorrer no futuro também pode deixar o indivíduo mais ansioso. Embora muitas vezes esses pensamentos sejam difíceis de controlar, Remes aponta que é importante manter um foco constante no que se está a fazer agora e desfrutar do momento com prazer pela tarefa, com concentração e disponibilidade para estar ali. A cientista garante que, as pessoas que se focam no presente são muito mais felizes e livres no seu dia-a- dia.
6. Faça terapia
Em muitos casos, a pessoa não consegue lidar sozinha com a situação e deve pedir ajuda especializada, uma vez que, também a medicação por si só, não é suficiente para que se entenda o que desencadeia a ansiedade e que ajude a reduzi-la. Para Remes, é essencial que o paciente aprofunde o conhecimento sobre si mesmo, que identifique o que lhe causa mais ansiedade para que possa melhorar a sua postura e adquirir novas habilidades. Para tal, a psicoterapia é muito útil e, em muitos casos, indispensável nos transtornos de ansiedade.