Sociedade

Cidades Inclusivas "juntaram-se" em Lagos para otimizar trabalho em rede

Foto: Carlos Afonso/CMLagos
Foto: Carlos Afonso/CMLagos  
O 1º Encontro de 2025 do Grupo de Trabalho “Cidades Inclusivas” da Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras (RTPCE), aconteceu em Lagos.

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Nota da autarquia de Lagos, adianta que representantes dos municípios, de entidades locais e regionais ligadas às áreas sociais, culturais e educativas, juntaram-se para debater a importância da intervenção em rede e partilhar experiências sobre como incluir com sentido e sem barreiras da idade. Três painéis que preencheram os trabalhos na terça-feira no Centro Cultural de Lagos, incluíram demonstrações ao vivo no âmbito de projetos de parceria que estão a ser implementados em Lagos.

Lagos é cidade educadora e membro da RTPCE, tendo aderido em 2017, integrando os grupos de trabalho “Cidades Inclusivas” e “Brincar na Cidade Educadora”. Foi nesta qualidade que organizou o 1º Encontro de 2025 do grupo de trabalho “Cidades Inclusivas”, onde teve oportunidade de partilhar algumas boas práticas com impacto no território, como o programa de ocupação de tempos livres “Viver o Verão + In”; o projeto musical intergeracional “Cavaquinhos” dinamizado em contexto escolar, no âmbito das Atividades de Enriquecimento Curricular, em parceria com o Centro de Estudos de Lagos (“Universidade Sénior de Lagos”); assim como os projetos “Está do Aço” e  “Gatilho”, promovidos pela associação Questão Repetida, em parceria com o município, os agrupamentos escolares e IPSS locais. 

A Câmara Municipal de Almada deu o mote de partida para uma reflexão sobre os desafios que se colocam ao trabalho em rede, num contexto em que são já muitas as redes constituídas para as diferentes áreas de intervenção, mas em que os atores são quase sempre os mesmos, sendo "importante pensar em conjunto, integrar objetivos, articular respostas, capacitar os agentes, construir relações de confiança e, bastante importante para a eficácia da sua ação, dotá-las de legitimidade técnica e política", adianta o documento do município.

De outros pontos do país vieram experiências que mostram o que está a ser feito em rede para incluir todos. A Câmara de Vila Nova de Famalicão apresentou o seu Centro de Recursos Educativos, estrutura que, numa abordagem multidisciplinar e integrada, está a dar resposta aos alunos com medidas seletivas e adicionais. Por seu turno, o município de Valongo trouxe a temática das pessoas em situação de sem-abrigo, apresentando o projeto de criação do CRIS – Centro de Recursos para a Inclusão Social, que tem como missão dar dignidade, integrar e ajudar a concretizar os sonhos desta população mais fragilizada. 

Mediação e intervenção para o bem-estar e sucesso escolar é o âmbito do projeto “Quokka” que está a ser dinamizado pela autarquia de Torres Novas junto dos alunos finalistas da Educação Pré-Escolar, para identificação precoce das dificuldades de aprendizagem, e dos alunos do 4.º ano de escolaridade, para promoção de competências socio-emocionais necessárias à integração num novo contexto escolar, que gera novas emoções e desafios. 

“Mediação para a melhoria socioeducativa escolar” é o foco do projeto apresentado pela Câmara Municipal do Porto, que atua na área da promoção da interculturalidade e da integração de minorias, visando um Porto mais inclusivo e coeso. 

Évora trouxe o projeto “Velhas? Quem disse? Ainda aqui estamos!!”, uma performance inserida no Projeto Europeu CERV – “Age Against The Machine”, que junta em palco docentes e alunos da Escola de Artes Cénicas da Universidade de Évora e seniores ativos, mostrando o resultado de um trabalho comunitário desenvolvido ao longo de vários meses, dando visibilidade às suas histórias, aos medos e desconstruindo os preconceitos relativos ao envelhecimento. 

Do Algarve, Lagoa apresentou o seu projeto de inclusão pela cultura intitulado “Tudo Incluído/All Inclusive”, que está a dinamizar em parceria com a ARTIS XXI, Conservatório de Artes de Lagoa e a Boia – Associação Cultural, proporcionando atividades de expressão artística e cultural por e para grupos particularmente vulneráveis, democratizando a cultura e garantindo o acesso e a fruição de atividades e bens culturais por todas as pessoas. 

ASAS – Aldeia dos Saberes e dos Afetos é a designação do projeto que o município de Loulé está a promover em Alte com o objetivo de combater a solidão e o isolamento, que recupera as vivências, saberes e histórias da comunidade.

Margarida Cardoso, da Associação Salvador, apresentou a Academia Salvador, centro de formação para a inclusão que trabalha com entidades públicas e privadas, mas também com pessoas com ou sem deficiência, no sentido de promover a diversidade, equidade, respeito e igualdade de oportunidades na sociedade. Em parceria com o município de Lagos, a Academia Salvador está a dinamizar o projeto “In Escolas: Por Comunidades Mais Inclusivas” nas escolas do concelho que, sendo apoiado pelo Fundo Social Europeu no âmbito do Portugal 2030, inclui a capacitação dos professores e atividades de sensibilização destinadas aos alunos, abordando o tema da deficiência e da inclusão com as crianças e jovens, em contexto de sala de aula, através de ferramentas práticas. 

Hugo Pereira e Sara Coelho, respetivamente presidente e vereadora do município de Lagos, abriram e encerraram os trabalhos, agradecendo a partilha das experiências e sublinhando o valor das respostas que são promovidas pelos municípios em contexto de parceria com os demais agentes que atuam no território, lembrando que a inclusão deve estar presente e ser construída todos os dias, envolvendo escolas, famílias, associações, IPSS, outras entidades públicas, privados e auscultando os cidadãos, para garantir que as pessoas com deficiência, os membros de minorias e as pessoas oriundas de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos tenham os mesmos direitos e acessos à educação, à cultura, ao desporto e ao trabalho, de modo a conseguirem concretizar os seus sonhos.