“Há imagens que nos chamam pelo que revelam. Outras, pelo que escondem. Nesta exposição, a luz não se impõe. Esbate-se, dissolve-se, torna-se difusa. As primeiras fotografias apresentam-nos um instante de equilíbrio: cor e ausência dela, o visível e esquecido”, descreve Pedro Poucochinho.
“À medida que avançamos, a nitidez dá lugar ao mistério, e o olhar é convidado a atravessar camadas de bruma e nevoeiro, onde a forma se dilui e a realidade se torna quase tátil na sua ausência”, acrescenta como se estivesse a “guiar” o visitante pelo conjunto de fotografias que estarão expostas até 31 de maio.
Citando Kant, que afirmava “que o Belo nos conforta, enquanto o Sublime nos desafia”, o autor aponta para a frágil fronteira existente entre as brisas que se insinuam e as sombras que hesitam.
A exposição, composta por imagens exclusivamente captadas e editadas através de um telemóvel, poderá ser visitada até 31 de maio, de terça-feira a sexta-feira, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h00, e ao sábado, das 14h00 às 17h00.
O portimonense Pedro Poucochinho não é fotógrafo. É um contador de histórias visuais, um viajante dos sentidos e um observador atento das paisagens que o rodeiam. O seu trabalho pode ser apreciado na página www.instagram.com/pouco/
Formou-se em Gestão e Marketing, construiu a sua carreira profissional na área da comunicação política e autárquica, desempenhando atualmente funções na Câmara Municipal de Portimão.
Em setembro de 2020, num momento de transformação pessoal e inspirado pelo encontro com o artista Ji Lee, deu início a uma nova fase da sua vida criativa. Foi desafiado a explorar as suas paixões e a concretizar um projeto pessoal. E assim o fez.
Criou os “Cadernos de Andarilho”, um projeto diferente que é uma fusão de três dos seus gostos pessoais: a caminhada, a escrita e a fotografia mobile. Desde então, ao amanhecer de cada domingo, percorre os trilhos do Algarve com o seu fiel iPhone, capturando e editando imagens que são tanto registos visuais quanto reflexões sobre o efémero.
Em agosto de 2023, apresentou “Despertares de Andarilho”, a sua primeira exposição, no edifício da Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP). No ano seguinte, em dezembro de 2024, realizou na Galeria C&S - Armazém das Artes a sua segunda exposição, a que chamou “Elogio ao Solstício de Inverno”, numa celebração desta estação do ano.
As suas exposições estiveram patentes apenas na sua cidade natal e, como sempre, diferenciam-se por todas as imagens terem sido captadas e editadas exclusivamente em telemóvel.