Foi inaugurada em Boliqueime, a placa toponímica em homenagem a Maria Aliete Galhoz, na rua com o seu nome.
Estiveram presentes a autora Lídia Jorge, José Sérgio Galhoz, filho da homenageada, Maria Elisa Domingues, jornalista que foi aluna da poetisa, o presidente do município, Vítor Aleixo, e o presidente da Junta de Boliqueime, Nélson Brazão.
Uma “’rua que parece uma avenida, virada para o mar, o mar que ela que tanto amava”, disse Lídia Jorge, descrevendo a homenageada como uma “cidadã exemplar, uma lutadora, sobretudo uma resistente pela liberdade e uma progressista que teve influência em imensas pessoas”.
Realçou “o papel inestimável que teve no conhecimento da figura de Fernando Pessoa, quando ainda não se falava dele; sobretudo a partir dos anos 60 é ela que dá a porta para o reconhecimento imenso da ‘galáxia de Pessoa’”.
O presidente da autarquia, Vítor Aleixo, salientou a importância de “despertar e sensibilizar a comunidade escolar, nomeadamente os professores do Secundário, em Quarteira e Loulé, para que possam introduzir nas suas aulas a autora, os seus escritos, a crítica literária, a poesia”. Acrescentou que “seria bonito e muito interessante porque precisamos de valorizar os nossos valores locais. A Maria Aliete Galhoz pertence a essa galeria de pessoas ilustres que o concelho de Loulé tem dado ao longo dos tempos ao país e ao mundo”.
O seu filho exaltou a principal qualidade da mãe: a humildade. “A posição de prestígio que lhe é devida foi conseguida com trabalho árduo e incansável dedicação, não a empurrar outros para baixo para se elevar a ela mas antes subindo a pulso – como gostava de dizer – e dando a mão a tantos outros para subirem com ela. Mais do que a intelectualidade sublime ou a profundeza dos seus trabalhos, espero que seja este modo de vida, esta humildade, que venha a ser exemplo e a produzir frutos”.
A sua antiga aluna disse que “foi uma das pessoas que mais nos ajudou a tornar-nos cidadãs atentas, empenhadas, solidárias. Ensinou-me também o valor da liberdade. Com ela aprendi um excelente Francês e iniciou-me em vários escritores, para além do Círculo Espartano do Neorealismo. Acima de tudo fez-me descobrir Pessoa, não podia ter sido mestre mais conhecedora”.
A Rua Maria Aliete Galhoz passa agora a integrar o leque de toponímica da freguesia, que para Nélson Brazão, demonstra bem “os vários notáveis nesta humilde terra que têm levado o nome de Boliqueime por todo o mundo, uns por via das artes, da literatura, do ensino, da política, investigação, desporto, entre outras; somos uma terra bafejada pela sorte”.
Sobre Maria Aliete das Dores Galhoz, a biografia enviada pela Câmara Municipal de Loulé, adianta que: nasceu em Boliqueime, em 1929, e viria a falecer em 2020. De destacar, o seu contributo para a valorização do património oral do concelho de Loulé, tendo publicado, entre outras obras, a "Memória Tradicional de Vale Judeu" (1996), "Memória Tradicional de Vale Judeu II" (1998) e "Romanceiro do Algarve" (2005). Colaborou igualmente na edição de "Povo, Povo, Eu te pertenço" de Filipa Faísca em 2000, bem como num conjunto de volumes subordinados ao tema "Património Oral do Concelho de Loulé" em parceria com Idália Farinho Custódio e Isabel Cardigos. Recebeu, desta Autarquia, a Medalha Municipal de Mérito - Grau Prata, em 1994. Foi homenageada nesta quinta-feira, pela Casa Fernando Pessoa, no Congresso Científico sobre o poeta e que se realiza de 4 em 4 anos.