“Arrancaram os trabalhos preparatórios para a alimentação artificial de praias no troço Quarteira–Garrão, uma intervenção essencial para reforçar a proteção costeira e aumentar a resiliência deste setor do litoral algarvio”, deu hoje conta o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Segundo José Pimenta Machado, os trabalhos preparatórios incluem a instalação de condutas e equipamentos necessários “à operação de dragagem e transporte de sedimentos, que permitirão a deposição de cerca de 1,3 milhões de metros cúbicos de areia nas praias mais vulneráveis à erosão”.
Este foi um dos troços identificados no relatório de ocorrências elaborado pela APA relativo ao litoral de Portugal continental, no período entre outubro de 2025 e os primeiros dias deste mês, quanto aos efeitos das intempéries que fustigaram o país.
Segundo a APA, esta intervenção, que começou hoje “integra a estratégia de gestão sustentável da zona costeira, contribuindo para mitigar os efeitos da erosão e das alterações climáticas”, disse à Lusa o presidente daquele organismo.
Segundo o levantamento feito pela APA, um total de 35 praias foram mais atingidas, no Algarve, pelas tempestades sucessivas, sendo os concelhos com mais praias referidas os de Albufeira, com nove, e o de Lagoa, com oito.
O caso mais preocupante no sul do país foi observado na praia do Peneco (Albufeira) com um recuo máximo da berma da praia de 24 metros.
Outros casos assinalados são o do recuo máximo local de 15 metros detetado na praia de Loulé Velho–Trafal, de 14 metros na praia de Quarteira-Garrão (Loulé) e de seis metros na praia do Forte Novo (Loulé).
Em 2024, a ministra do Ambiente anunciou um investimento de 16,7 milhões de euros para a proteção do litoral algarvio, com intervenções em faixas costeiras em Loulé e Portimão, numa extensão total de oito quilómetros.
A operação maior é a que está prevista para o troço Quarteira – Garrão (Loulé), com um investimento de 14,3 milhões de euros, e que consiste na alimentação artificial daquela área, numa extensão de 6,6 quilómetros, combinando a reposição de areias com a proteção das arribas.
Em 10 de janeiro, o Governo assinou o contrato para o início da obra de alimentação artificial com areia, entre as praias de Quarteira e do Garrão.