Em comunicado, a Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve (Almargem) manifestou “viva apreensão” perante o anúncio do Ministério do Ambiente sobre a construção de uma incineradora na região.
A associação considera positiva a abertura da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, para dialogar e avaliar as alternativas, reconhecendo que os dois aterros existentes no distrito de Faro estão perto do limite.
A região produz cerca de 400 mil toneladas de resíduos urbanos por ano e 85% são encaminhados para aterro, segundo a associação, que considera que a incineração é uma solução “de fim de linha”, com custos elevados.
Segundo a associação, a prioridade deve ser dada à redução da produção de resíduos, à separação e à reciclagem: “Uma incineradora trata o que já falhámos em evitar”, afirma o presidente da direção da Almargem, Edgar Ribeiro.
Citado na nota, o dirigente defendeu que o problema dos resíduos no Algarve se resolve “a montante”, acrescentou, defendendo “uma triagem eficaz e a valorização dos resíduos orgânicos e dos materiais”.
Para Edgar Ribeiro, uma melhor separação permite tornar “mais eficiente e mais barata” qualquer solução de tratamento dos resíduos que seja adotada.
A Almargem contesta ainda o facto de a construção da incineradora ter sido anunciada antes de estar concluído o estudo sobre a solução a adotar, defendendo que a decisão seja tomada depois de avaliadas as necessidades e comparadas as diferentes soluções de gestão de resíduos.
No sábado, a ministra do Ambiente indicou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai avançar com um projeto para a instalação de uma unidade de valorização energética de resíduos na região.
Os atuais aterros em funcionamento no Algarve, em Loulé e Portimão, só têm capacidade para receber resíduos até um período máximo de dois anos, acrescentou, referindo que a região - a que mais resíduos 'per capita' produz no país, por os turistas não serem contabilizados para as médias - tem uma produção anual de 400.000 toneladas de resíduos.