O atleta do Sporting, de 26 anos, esteve momentaneamente em lugar de pódio, após o seu sexto e último salto, a 8,18 metros, depois de uma final em que as suas marcas rondaram os oito metros – começou com 7,91, melhorou para 7,98, depois de um nulo e de 7,86.
Gerson Baldé arriscou no quinto salto, mas foi nulo, tendo de tentar no sexto, já sem margem de erro, conseguindo os 8,18 que lhe deram o terceiro lugar, até Sarâboyukov chegar aos 8,26 e arrebatar a medalha de bronze.
Os dois ficaram atrás do grego Miltiadis Tentoglou, agora bicampeão olímpico e tetracampeão europeu, que resolveu a competição com os 8,44 metros do quarto ensaio – e não voltou a saltar –, e do suíço Simon Ehammer (8,29, no segundo), recordista mundial do heptatlo ‘indoor’, segundo, depois de ter sido terceiro em Roma2024.
A descontração preconizada por Gerson Baldé, desde que é treinado por José Barros, é uma constante no atleta, mesmo poucos minutos depois de ter ‘perdido’ uma medalha europeia, na zona mista do Alexander Stadium.
“Isto faz parte do desporto. Eu acho que só tenho de sair contente e agradecer às pessoas que estiveram comigo nas últimas semanas”, começou por dizer Gerson Baldé, nas declarações aos jornalistas, avançando com agradecimentos a todos a quem o acompanharam nos últimos tempos.
O atleta natural de Albufeira confirmou em Birmingham2026 o quarto lugar que ocupava à partida, mas recordou as “semanas difíceis”, que ultrapassou com a sua estrutura mais próxima, assegurando: “É óbvio que estou contente”.
Em 22 de março, em Torun, na Polónia, arrebatou o título mundial ‘indoor’ com o último salto, relegando para o terceiro lugar Sarâboyukov, que hoje se ‘vingou’ – repetindo a graça dos Europeus em pista curta de 2025, quando o búlgaro se sagrou campeão e também atirou Baldé para fora do pódio.
“Eu disse-lhe que esteve muito bem hoje. Eu já sabia que ele era muito forte na resposta, porque em Apeldoorn também foi ele que me tirou das medalhas. Brincámos um pouco, mas claro, tudo dentro da amizade e com respeito, mas acho que foi uma boa competição”, reconheceu.
E, apesar no meio desta rivalidade, emerge, novamente o desportivismo.
“Para mim, é o desporto. Há que ganhar, há que saber ganhar e há que saber perder. Hoje perdi, amanhã posso ganhar e é por isso que estamos aqui na batalha”, frisou.
Baldé admitiu sentir-se “um pouco tenso na parte final da corrida”, durante as primeiras tentativas, mas também “ganhando confiança ao longo dos saltos”.
“Depois, com as orientações do professor [José Barros] conseguimos soltar e, pronto, com mais confiança cheguei ao último salto – também o quinto salto que foi um bom salto, mas nulo, pronto, não conta –, depois tive de fazer um válido e foi o que foi”, descreveu.
Apesar de tentar desvalorizar, o algarvio acabou por reconhecer que este último nulo devia valer mais do que o conquistado.
“Foi um bom salto, olhei para a fita métrica de relance, mas foi nulo, não conta, mas foi um bom salto onde me senti bem posicionado e acho que dava para as medalhas independentemente do resultado dos outros atletas, mas só tenho de estar contente, como já disse”, concluiu.
O quarto lugar de Baldé iguala o melhor resultado de sempre de um português no salto em comprimento em Europeus ao ar livre, 76 anos depois de Álvaro Dias também ter tinha ficado à beira do pódio, com o quarto lugar em Bruxelas1950, tornando-se, então, no primeiro finalista luso de sempre na competição.