“Viver ComPaixão” é esta a designação do projeto vencedor que o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) e a Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Faro-Loulé, apresentaram ao concurso "Portugal Compassivo – Laços Que Cuidam".
Este concurso resultou de um protocolo de cooperação entre a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos e a Fundação "la Caixa" e teve como objetivo, atribuir financiamento para a criação de comunidades compassivas.
De acordo com Giovanni Cerullo, médico da equipa de Cuidados Paliativos da Unidade Hospitalar de Faro e representante do projeto pelo CHUA, "é mais um motivo de orgulho pelo facto de o CHUA ser o impulsor da criação de uma comunidade compassiva na região do Algarve, comunidade essa que irá melhorar a qualidade de vida das pessoas e criar uma cultura de compaixão. Mais uma vez o CHUA sai das suas paredes para ir ao encontro dos utentes".
O projeto vai avançar em rede, com mais de 15 parceiros locais, regionais, nacionais e espanhóis de vários setores da sociedade.
Ao Algarve Primeiro, Vítor Alua, sociólogo, coordenador da área de formação e projetos, representante da Delegação de Faro-Loulé da Cruz Vermelha Portuguesa, realçou que a missão "é dar apoio mais holístico ou espiritual, na escuta, na gestão das emoções, até mesmo na necessidade do descanso do cuidador, porque temos na região centenas ou milhares de cuidadores e se calhar não sabem que o são, e que têm direitos". O projeto pretende trazer este tema para a sociedade, nomeadamente nos três concelhos abrangidos, nas freguesias mais urbanas.
Vítor Alua explicou que neste projeto, "não será usada a palavra terapia, nem psicologia, mas um modelo de relação centrada na pessoa, sendo essa a formação que os nossos voluntários vão ter, através de vários parceiros. O apoio pode ser dado à pessoa cuidada, ao cuidador ou familiares". Os casos podem ser reportados através de diversos serviços, como o CHUA ou a Associação Oncológica do Algarve. Os voluntários que forem selecionados, irão atuar nos concelhos onde residem.
O responsável sublinhou que o diagnóstico feito no terreno, levado a cabo por vários serviços como o CHUA ou a ARS Algarve, detetou que além da conhecida falta de recursos técnicos e de enfermagem, "há uma grande carência no apoio espiritual e na escuta, daí criarmos o projeto que representa um apoio na comunidade", concluiu.