”Connosco [ACP] não haverá problema nenhum, será tudo evitado. Haverá parques de estacionamento e forças policiais em todo o percurso para que não haja qualquer espécie de problema”, garantiu o responsável máximo do maior clube automóvel português na conferência de imprensa de apresentação da edição de 2027 da competição de todo o terreno, cuja 49.ª edição partirá do Algarve.
Na cerimónia, que se realizou na sede do ACP, em Lisboa, e contou com a presença de meia centena de convidados, entre os quais David Castera, diretor do Rally Dakar e responsável pela sua organização, Armando Marques, presidente da Federação de Motociclismo de Portugal [FMP] e Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), Carlos Barbosa assegurou que a passagem do Rali Dakar por Portugal decorrerá de forma exemplar, incluindo a passagem pela Comporta, onde em 2007 a realização de uma 'especial' motivou alguns problemas.
“É uma pergunta desnecessária, porque nas organizações do ACP a primeira questão que temos é a segurança e, portanto, o que se passou em 2007 na Comporta, que, infelizmente, correu mal - porque passar naquela zona era lindíssimo, apesar dos troncos no chão - não se repetirá. É evidente que connosco não haverá problema nenhum”, vincou Carlos Barbosa.
O presidente do Automóvel Clube de Portugal não escondeu a satisfação por voltar a receber uma partida da ‘prova rainha’ do todo-o-terreno mundial em solo luso e explicou, sorridente, como tudo se conjugou.
“Quando os houthis começaram a meter bombas na Arábia Saudita, perguntámos [à organização] se queriam partir de Portugal e pediram-nos fazer uma etapa de 100 quilómetros e um prólogo de 10 quilómetros, a partir também do Algarve. A partir do momento em que eles tiveram confiança, até porque já trabalham connosco em rally-raid há muito, nós preparámo-nos para o fazer”, salientou o dirigente.
Ao seu lado, igualmente confiante quanto a um Dakar2027 de sucesso estava o francês David Castera, figura principal da organização da prova que começou por lamentar as contingências que obrigaram a alterar o local da partida da corrida de forma repentina, mas também saudar o seu retorno às estradas portuguesas.
“A opção inicial não foi possível, partir da Arábia Saudita infelizmente só será possível em 2028. Agora, estamos muito felizes e vamos fazer o máximo que pudermos para o público português”, afirmou, otimista.
O antigo piloto mostrou-se tranquilo quanto ao sucesso da organização e destacou o elevado número de inscrições para a corrida.
“Temos efetivamente a certeza de que tudo será bem feito e as inscrições estão muito avançadas, em motos já tinham encerrado há muito, desde o mês de julho, altura em que já haviam 140 motociclistas inscritos, o máximo que podemos acolher no Dakar”, indicou.
A 49.ª edição decorrerá de 09 a 23 de janeiro de 2027, entre Loulé-Faro e Marraquexe, com datas sujeitas à aprovação do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da Federação Internacional do Automóvel (FIA), e o Estádio Algarve acolherá o arranque e o centro nevrálgico das verificações técnicas e administrativas, que antecedem a prova, ao longo de três dias.
O prólogo disputa-se em 09 de janeiro e a primeira etapa no dia seguinte, antes da travessia marítima para Nador, em Marrocos, que receberá as restantes 11 etapas e o dia de descanso, em Agadir. O percurso terá 7.824 quilómetros, dos quais 4.341 cronometrados.
O regresso acontece 20 anos depois da última edição disputada em território português e 19 após o cancelamento do Lisboa-Dakar de 2008. Em 2020, o Dakar transferiu-se para a Arábia Saudita, iniciando um novo período que será interrompido pela passagem por Portugal e Marrocos.