Saúde

Abril é o mês da doação de óvulos. Saiba como tudo funciona

Foto - Depositphotos  
O processo é simples e pode ajudar muitas famílias a concretizarem o desejo de ter um filho.

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Numa altura em que, segundo Mary Branquinho, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia na AVA Clinic, em Lisboa, a procura por óvulos doados tem aumentado, “reflexo das mudanças na sociedade, como a maternidade tardia e uma maior consciencialização sobre as opções de tratamento da fertilidade”, a doação torna-se uma parte fundamental do caminho que muitos casais percorrem para concretizar o sonho de ter uma família. 

No Mês de Doação de Óvulos em Portugal, uma iniciativa do Sou Dadora, é tempo de reconhecer e celebrar quem faz este gesto altruísta que, ao doar, oferece a outra pessoa uma das possibilidades mais preciosas: a de ter um filho, regista comunicado enviado ao Algarve Primeiro.

“Muitas mulheres não conseguem utilizar os seus próprios óvulos devido à idade, a condições médicas ou a tratamentos que afetam a fertilidade”, confirma a especialista. É por isso que considera que “doar óvulos é muito mais do que um ato médico: é um gesto de solidariedade que pode transformar vidas. Cada doação oferece a alguém a oportunidade de realizar o sonho de ser mãe e constituir família. É uma contribuição valiosa e emocionante que deixa um impacto duradouro na vida de outra pessoa”.

De tal forma, que, refere a enfermeira Joana Cruz, da Ferticentro, em Coimbra, “é bastante comum vermos dadores a regressar para uma segunda ou até mesmo uma terceira dádiva. A primeira experiência é, normalmente, a mais desafiante, pois envolve o desconhecido e, naturalmente, alguns medos e dúvidas. É por isso que o apoio e a forma como cada pessoa vive o processo fazem toda a diferença”. Mas “quando a experiência é positiva, tranquila e bem apoiada, é muito comum os doadores sentirem-se confiantes e motivados para regressar e continuar a ajudar”.

A doação de óvulos é um ato voluntário e altruísta, em que uma mulher doa os seus óvulos para ajudar outra a engravidar. É um processo seguro e regulamentado, realizado por equipas médicas especializadas, com total supervisão médica, em que as dadoras recebem uma compensação legalmente estabelecida de 1075€ pelo seu tempo e disponibilidade, de acordo com a legislação portuguesa.

Embora cada dador seja único, a psicóloga Ana Luísa Alves, da Procriar, no Porto, considera que “podem ser observados alguns padrões motivacionais” em quem decide fazer a doação. “O altruísmo é muito comum, com muitos dadores a expressarem um desejo genuíno de contribuir para o sonho da parentalidade de outras famílias. É também comum mencionarem experiências pessoais com infertilidade, conhecerem alguém que fez tratamentos de fertilidade ou terem sensibilidade para a comunidade LGBTQIA+, fatores que reforçam o seu desejo de ajudar”.

A questão da confidencialidade é uma das que mais preocupa as dadoras, assim como a garantia de não anonimato e “as possíveis implicações futuras e responsabilidades legais. Muitas perguntam também sobre o número máximo de doações, como é controlado o número de famílias e crianças nascidas e a sequência de todo o processo de doação, incluindo os possíveis efeitos secundários, se há algum impacto na fertilidade futura e o tempo necessário para completar uma doação”.

Aqui junta-se ainda um sentimento de “alívio e segurança, o que muitas vezes as motiva a regressar e a realizar donativos dentro dos limites legalmente permitidos”.

Após a conclusão da dádiva, “a maioria descreve um forte sentido de propósito, acompanhado de orgulho e satisfação por poder contribuir para a construção de uma família. Mesmo com a confidencialidade envolvida, é comum expressarem curiosidade e esperança de que a sua dádiva ajude a criar um percurso rumo à parentalidade”, lê-se no comunicado enviado ao nosso jornal.

Como funciona a doação de óvulos?

A mulher inscreve-se através do site soudadora.pt, vai a consultas médicas, psicológicas e de enfermagem, numa clínica perto de si, para garantir a sua elegibilidade; após a validação, segue um protocolo de estimulação hormonal para aumentar a produção de óvulos, que são recolhidos através de um procedimento simples guiado por ecografia, sob supervisão médica.

Quem pode tornar-se dadora de óvulos?

As mulheres que preenchem os critérios médicos e psicológicos podem tornar-se dadoras de óvulos. O processo é voluntário, totalmente supervisionado e oferece a oportunidade de fazer uma diferença real na vida de outra pessoa. Os requisitos ajudam a garantir que o processo de doação é seguro e eficaz tanto para a dadora como para as recetoras, e incluem: ter entre 18 e 34 anos; estar em bom estado geral de saúde física e mental; ter um Índice de Massa Corporal normal; ter ambos os ovários; não ter diagnóstico de síndrome do ovário poliquístico e não ter antecedentes de infeções sexualmente transmissíveis ou doenças genéticas.