Organizado pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) em parceria com a Associação Doina Algarve e o apoio da Junta de freguesia de Almancil, a organização refere em comunicado, que o encontro destacou "a necessidade urgente de reforçar o diálogo entre as instituições públicas e os cidadãos, especialmente num contexto regional marcado por fragilidades no financiamento de projetos de igualdade e inclusão".

De acordo com a mesma fonte, o evento destacou os desafios atuais das mulheres, começando pela análise das barreiras linguísticas e institucionais enfrentadas por mulheres estrangeiras no Algarve, onde a Associação Doina sublinhou a importância crítica de garantir apoio jurídico noutras línguas para assegurar o acesso efetivo à justiça. Paralelamente, foi debatida a emergência da ciberviolência e do assédio online, "reconhecendo-se que os retrocessos globais nos direitos das mulheres encontram no mundo digital um novo terreno de propagação que exige vigilância redobrada". Quanto à representação política, o fórum destacou que, embora o Algarve apresente uma média de liderança feminina em câmaras municipais superior à nacional, com 31% de autarcas mulheres em concelhos como Castro Marim, Silves e Tavira, os números continuam a ser insuficientes para uma igualdade plena.
As discussões abordaram ainda a situação socioeconómica e o impacto da precariedade laboral, com foco especial em testemunhos de sobreviventes de situações de vulnerabilidade extrema e na urgência de criar programas de saída e apoio social mais robustos.
Paulo Teixeira, presidente da Junta de Freguesia de Almancil, disse que foi "uma honra para Almancil acolher um debate desta importância, pois só através da sensibilização e do diálogo próximo com a comunidade conseguiremos construir uma sociedade mais justa e verdadeiramente inclusiva para todas as mulheres".
No encerramento dos trabalhos, Elizabeta Necker, presidente da Associação Doina, reforçou que a problemática da desigualdade é transversal a todas as mulheres, independentemente da sua origem, concluindo-se que a região necessita de replicar boas práticas institucionais e combater a escassez de financiamento direcionado para estas causas.
A organização prevê a realização de uma nova edição do fórum em 2027.