Conforme revela a empresa numa nota enviada ao Algarve Primeiro, a Fábrica da Cortiça, fundada a 2 de janeiro de 1894 pelos industriais corticeiros Avern, Sons & Barris — com ligações à indústria londrina e catalã — foi, durante mais de um século, o coração económico e social de Silves. Em 1918, sob a gestão de Victor Sadler — “o senhor inglês” que daria nome ao complexo —, a fábrica modernizou-se e consolidou a sua posição como uma das maiores unidades corticeiras do país.
Em 1999, o espaço foi reconvertido no Museu da Cortiça, preservando uma rara linha de produção industrial praticamente intacta — um caso singular no panorama museológico europeu. Em 2001,
recebeu o prestigiado Prémio Luigi Micheletti para Melhor Museu Industrial da Europa, ano em que ultrapassou os 100 mil visitantes.
Em 2009, problemas de insolvência conduziram ao encerramento do museu e do complexo. Silves ficou sem o seu museu durante 16 anos.
“Devolver este museu a Silves é devolver à cidade uma parte de si mesma. A Fábrica do Inglês nunca foi apenas uma fábrica — foi o lugar onde gerações trabalharam, construíram e pertenceram. Trazê-la de volta, com o cuidado que merece, é o compromisso mais exigente e mais significativo que assumimos neste projeto.”, destaca Elsa Lopes, diretora do Museu da Cortiça.
Para dar vida digital ao Museu da Cortiça, a Carvoeiro Branco convidou o artista Davi Kampu5 a criar a identidade visual do novo website — www.museudacorticasilves.pt.
Davi Kampu5 é uma das vozes mais relevantes da nova geração de artistas portugueses com projeção internacional. Com obra exposta em Lisboa, em várias capitais europeias e nos Estados Unidos, é frequentemente associado a Bordalo II como representante de uma nova vaga criativa que faz da rua e do arquivo fontes de reinvenção estética.
No dia da sua abertura ao público, o museu acolhe pelas 19h30, Ressonâncias, um concerto para contrabaixo e poesia contemporânea, com Cristina Calvino e Zé Eduardo, a partir de poemas de João Luís Barreto Guimarães, Andreia C. Faria, Cláudia R. Sampaio, Nuno Júdice e Herberto Helder, entre outros autores contemporâneos.
A presença no dia aberto de 11 de julho requer inscrição prévia, disponível no website do museu.
A Carvoeiro Branco conta com 32 projetos em desenvolvimento na região. Para além da reabilitação da Fábrica do Inglês, em Silves, o portfólio ativo da empresa inclui vários empreendimentos, entre os quais The Court e Primelife, em Carvoeiro, e Bela Formosa, em Olhão.