Educar mobiliza as emoções, os valores, as memórias passadas e os traumas de um indivíduo. Quando se assume a parentalidade, sente-se a necessidade de dar o melhor aos filhos, mas também persiste a tendência para “corrigir” o que correu menos bem na infância e adolescência dos pais, o que dá lugar a uma enorme confusão que deixa pouco espaço para refletir acerca da melhor postura a adotar.
Assim, segundo os especialistas na área do desenvolvimento humano, o primeiro passo para educar com mais qualidade é resolvermos a nossa criança interior para que depois nos possamos afastar dela e olhar os nossos filhos como indivíduos com as suas diferenças, características mais ou menos positivas, seguindo a linha dos valores de boa convivência social e familiar. «A tarefa não é fácil, mas é o único caminho para educar melhor», afirmam os entendidos.
A ciência sublinha ainda que «não basta amar, é preciso dizer, expressar, tocar — inventar formas de transmitir afeto mesmo quando não se teve essa experiência na própria infância». Para educar bem, é preciso tentar ser uma pessoa “equilibrada, capaz de tomar boas decisões e de lidar com as adversidades".
De acordo com a psicóloga Ana Maria Logatti Tositto, a maioria dos pais oscila entre a necessidade de tornar os filhos equilibrados, independentes, com um conjunto de habilidades, interessantes, com muitas potencialidades, saudáveis física e emocionalmente, com capacidade para tomar decisões, à altura de cuidarem de si mesmos e de conseguirem superar as dificuldades e os desafios que a vida lhes coloca pelo caminho, mas que também sejam seus amigos e que desenvolvam características da família.
Para tal, a especialista deixa estas 10 atitudes dos pais que, no seu entender, ajudam a estruturar melhor os filhos, a prepará-los para a vida e para desfrutarem de mais alegria e felicidade:
Amor e carinho. É indispensável apoiar e aceitar os filhos, entendendo que são pessoas com ideias e gostos próprios, e respeitar essas diferenças, demonstrando afeto e usufruindo dos períodos passados em conjunto;
Gestão do stresse dos pais. Praticar técnicas de relaxamento, atividade física e investir na própria psicoterapia favorece a capacidade de entender melhor os próprios sentimentos e as possibilidades de cuidar bem de crianças;
Habilidades de relacionamento. Quem mantém uma relação saudável com o cônjuge ou com outras pessoas importantes na sua vida demonstra a importância de manter relações afetivas;
Incentivo à autonomia e à independência. Apesar de ser difícil para alguns pais encontrar a medida certa, é fundamental tratar os filhos com respeito e estimulá-los a tornarem-se pessoas confiantes e com iniciativa;
Acompanhar a aprendizagem. Ao valorizarem a curiosidade dos filhos e a sua predisposição para aprender, os pais prestam-lhes um enorme benefício;
Preparação para a vida. É um ato de amor conversar com os filhos sobre temas delicados como medos, sexo e morte em linguagem acessível, bem como prepará-los para assumir responsabilidades (a mesada, por exemplo, é uma forma de ensiná-los a lidar com dinheiro);
Atenção ao comportamento. Reforçar positivamente as boas atitudes e recorrer ao castigo somente quando outros métodos, como conversas, já falharam mais de uma vez;
Saúde. Bons pais propiciam um estilo de vida saudável e estimulam bons hábitos como exercícios regulares, higiene e alimentação adequada aos filhos;
Espiritualidade. Apoiar o desenvolvimento da religiosidade e a preservação da natureza, o respeito ao outro e às diferenças, de modo a evitar a disseminação de preconceitos e intolerância;
Segurança. É fundamental o empenho constante para proteger os filhos de situações de risco e manter-se vigilante quanto às suas atividades e amizades.
Para a coordenadora do Centro de Psicologia Aplicada - CPA e psicóloga do Centro de Orientação Profissional - COP do Centro Universitário de Araraquara, os pais educam tanto melhor quanto estão consigo mesmos; na sua relação, profissão e ajustados ao estilo de vida que escolheram para a família. Pais que gerem bem as suas emoções, que se aceitam tal como são, estão mais informados, interessados em saber mais, em melhorar a sua postura perante a vida e para com os filhos. Educar é um desafio que também requer prazer, liberdade, análise e ponderação para corrigir, manter e alterar sempre que necessário, pois as necessidades de uma criança vão-se modificando com o próprio desenvolvimento de ambos, já que pais e filhos aprendem e evoluem em conjunto, resume Ana Maria Tositto.