O Museu Municipal de Tavira – Palácio da Galeria inaugurou este sábado a exposição "A Arte que é – II de Pedro Portugal", estando a mesma aberta ao público a partir do dia 27 e patente até 30 de dezembro.
Trata-se de uma mostra que apresenta uma grande diversidade de trabalhos, desde pinturas de grandes dimensões criadas, entre 1996 e 2002, assim como filmes, desenhos, animações, performances e objetos realizados a partir de 2013.
A exposição inclui obras do artista dispersas por várias coleções, nomeadamente, Fundação Altice Portugal, Fundação Caixa Geral de Depósitos – Culturgest, Fundação Carmona e Costa, Fundação de Serralves, Galeria de Arte António Prates e Museu de Arte Contemporânea de Elvas – Coleção António Cachola.
Pedro Portugal, Professor na Universidade de Évora, nasceu em 1963, é especialista em informação visual, pintor, escultor, ensaísta, consultor e pedagogo. Cofundador dos movimentos artísticos: Homeostética (1983), Ases da Paleta (1989), Etno-Estética (1993), Explicadismo (2007), Pandemos (2013), Zuturismo (2017), Arthomem (2018) e KWØ (2020). Tem grande destreza na pintura a óleo de grandes dimensões com temas heróicos e mestria na aguarela, lápis de cor, instalações e performances de larga escala. Está representado nas principais coleções públicas e privadas em Portugal, na coleção pessoal da rainha Sonja da Noruega e coleção do Vaticano.
O Algarve Primeiro esteve na inauguração e percebeu que um verdadeiro artista é aquele que usa as mãos e a comunicação com mestria para passar a mensagem. Isso foi constatado com os trabalhos expostos no Museu de Tavira, cuja diversidade é um convite a uma visita.
Pedro Portugal disse ao nosso jornal, que a liberdade do artista é fundamental, embora muitas das vezes, possa ser limitada de várias formas de censura ou mesmo de não financiamento, «porque são os artistas que têm mais dinheiro que fazem primeiro».
Nas declarações, explicou que as suas obras «são sérias, políticas e interventivas», e alertou que o público português, «está a encolher cada vez mais, a arte portuguesa está a contrair-se e dentro de 20 anos, vamos ter que construir um museu muito pequenino porque a arte portuguesa ficou muito pequenina, porque o mercado é tão pequenino e os colecionadores são tão poucos, que os artistas tem de se adaptar ao mercado e o mercado neste momento corresponde a pinturas de 10 por 10 centímetros e a 100 euros, é esse o mercado que temos», evidenciou.
Questionado se o mercado já viveu melhores dias, disse que «pelas fotos que vemos nas inaugurações nos anos 60,70 e 80 as galerias estão cheias de gente e isso acabou com as crises de 2008 e a pandemia, foi tudo abaixo, isto é, ainda mais».
Sobre as possibilidades que a nova geração de artistas pode esperar em Portugal, Pedro foi lacónico, «a maneira mais fácil é sair do país antes dos 30 anos, que é aquilo que fazem, ou seja, é como as pessoas que vivem numas aldeias porque ainda não conseguiram ir para a cidade», e concluiu recorrendo a Picasso: «deem-me um museu que eu vou enchê-lo».