O projeto "Algarve Coração Seguro" foi hoje oficializado em Quarteira, entre o Algarve Medical Center - ABC e o Instituto Nacional de Emergência Médica - INEM. Trata-se de um projeto-piloto que pretende formar pessoas para estarem aptas a dar assistência a vítimas cardíacas com desfibrilhadores, contando já com 1700 pessoas formadas só no concelho de Loulé.
Além da utilização do desfibrilhador automático externo - DAE, essas pessoas ficam também com conhecimentos sobre manobras de suporte básico de vida.
Na cerimónia de assinatura, esteve presente o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, Luís Meira - presidente do conselho diretivo do INEM, I.P, Vítor Aleixo - presidente da Câmara Municipal de Loulé, Nuno Marques - presidente do ABC, Telmo Pinto - presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, entre outros convidados.
Essencialmente, o projeto existe, para dar assistência a doentes cardíacos antes da chegada dos meios de socorro em coordenação com o CODU – Centro de Orientação de Doentes Urgentes. Neste momento, existe no concelho de Loulé, uma rede com 61 desfibrilhadores operacionais, prevendo-se que sejam adquiridos um total de 180.
Outro objetivo passa por formar cerca de 3.000 pessoas com esta habilitação específica. «Se nós com isto fizermos os rácios por cada 100 mil habitantes, pode-se dizer que este torna-se o concelho mais seguro, talvez em termos europeus», referiu Nuno Marques do ABC.
Nuno Marques - Presidente do ABC
Se for atingida uma taxa de sucesso com 1.100 pessoas, atendidas num ano, em paragem cardíaca, serão salvas 110 vidas (10%), em que, a grande maioria fica sem sequelas. Convém lembrar que, a rapidez na assistência neste tipo de casos é fundamental. Com uma rede de operacionais próxima da população, a rapidez na assistência faz a diferença entre a vida e a morte. Recorde-se que o caso mediático ocorrido no Euro 2020, com o jogador da seleção dinamarquesa Christian Eriksen, foi um sucesso, devido à assistência rápida das equipas médicas e pela utilização atempada do desfibrilhador, salvando a vida do jogador. «Porque os 8 minutos iniciais são chave, após esse período, a probabilidade de sobrevida é praticamente zero».
Nuno Marques, realçou o interesse da Câmara Municipal de Loulé em integrar este projeto, «que existe para apoiar as pessoas e com as pessoas». «Pretende-se ajudar a salvar vidas, formando pessoas que antes não tinham qualquer formação médica, para que possam ajudar num ato de pura cidadania». O responsável frisou que este projeto é uma sequência de um outro já implementado há cerca de 10 anos pela Universidade do Algarve, designado “LIFE”, desenvolvido no Centro de Formação em Suporte Básico de Vida, formado por técnicos experientes na resposta pré-hospitalar.
Assinatura do protocolo entre o ABC e o INEM
Refira-se que, o sistema de resposta a uma vítima de paragem cardíaca será coordenado pelo CODU, que fará a orientação entre os operacionais habilitados e os meios de resposta pré-hospitalar, «estamos a falar, portanto, de uma rede ‘pré-pré’ hospitalar», sublinhou o presidente do ABC.
Luís Meira, presidente do INEM, referiu que este acordo assinado hoje com o ABC, não é o primeiro, «é o resultado de um relacionamento muito próximo entre o INEM e o ABC», realçando que a articulação que permite salvar vidas está presente no projeto "Algarve Coração Seguro", pois significa que os vários elos da cadeia de sobrevivência têm que ser articulados e efetivamente garantidos, como de resto também já existe através do programa nacional de desfibrilhação automática externa, que pretende garantir numa opção estratégica que o país tomou alguns anos atrás, e que o INEM tem prosseguido com o esforço de muitas entidades da sociedade civil». Luís Meira, aproveitou a ocasião para agradecer o papel da autarquia de Loulé, «que focou a sua disponibilidade para a construção das instalações do INEM Algarve, permitindo a recriação da delegação regional do Instituo de Emergência Médica».

Já Vítor Aleixo, disse que o projeto responde a uma necessidade de cuidado com a saúde pública «extremamente valiosa» por todas as razões explicadas na cerimónia. O autarca explicou que o ABC propôs o programa à Câmara de Loulé que foi, de imediato, bem recebido, «pela sua relevância junto da população». O edil lembrou que a câmara tem estabelecido com a Universidade do Algarve e com o ABC, «imensos programas de colaboração nas mais diversas áreas e aqui está um bom exemplo na área da saúde pública».
O autarca reforçou que, o objetivo é formar mais pessoas e instalar muitos mais aparelhos pelo concelho. Neste momento, as forças de segurança e proteção civil já têm formação em suporte básico de vida e dispõem dos equipamentos adequados nas respetivas viaturas, o que «já é um bom reforço», acreditando que outras autarquias sigam o exemplo.
Exercício de assistência com DAE
António Lacerda Sales falou de uma importante iniciativa para a população do concelho de Loulé, reconhecendo que, nesta fase de pandemia, «todos precisamos de todos». O governante falou do "Algarve Coração Seguro" como «mais um bom exemplo do trabalho em rede, juntando INEM; ABC e município de Loulé». O secretário de Estado informou que, em Portugal, tem-se registado nos últimos anos, um aumento do número de equipamentos disponíveis (DAE) que, em espaços públicos são cerca de 3132, mais 1200 em viaturas de emergência médica, além dos 25 mil operadores formados no país. «A pandemia que se iniciou há cerca 16 meses, ensinou-nos que somos todos agentes de saúde pública, por isso, mais uma vez agradeço o esforço que têm focado para proteger os portugueses e deixo uma palavra de ânimo e de incentivo», concluiu.