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Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade

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05-02-2014 - 22:56
Este é um dos temas que mais suscita preocupação junto dos pais e cuidadores, podendo mesmo afirmar-se que é um problema da era actual ou dos tempos modernos, apesar dos apontamentos científicos percorrerem o século XX.
 
Anotar que, por detrás do Transtorno de deficit de atenção com hiperactividade podem estar inúmeras causas, não sendo de excluir a educação, o menor tempo que se dedica aos filhos, a falta de regras, o desenvolvimento emocional das crianças mais deficiente e a constante necessidade dos mais pequenos chamarem a atenção dos pais para essas lacunas familiares.
 
Ao mesmo tempo, existem causas do foro psiquiátrico, a hereditariedade e outros factores biológicos que devem sempre ser avaliados por um especialista ou equipa multidisciplinar.
 
É importante desde logo reter que, este é um processo que deve envolver a família e que não pode ser encarado isoladamente.
 
O termo hiperatividade tem sido popularizado e muitas crianças rotuladas e medicadas erradamente. 
 
À mínima dificuldade na escola, passou a ser comum a necessidade de visitar um especialista para prescrever ansiolíticos e outro tipo de medicamentos nem sempre ajustados ao problema que, em muitos casos se resolve com uma atitude mais próxima e firme por parte dos pais.
 
É preciso não esquecer que, uma das maiores lacunas em tempos actuais é a falta de atenção familiar, o excesso de tempo que as crianças passam entregues a instituições e a desenvolver umas actividades após as outras num estado de exaustão preocupante que parece resolver a falta de tempo para o convívio familiar e para os afectos. 
 
Também a alimentação nem sempre equilibrada pode conduzir a níveis de energia exagerados, bem como o diálogo reduzido que iria permitir que as crianças falassem abertamente dos seus problemas com aqueles que os deveriam entender e reforçar as suas qualidades sem precisar de ter de obter grandes resultados em tudo o que participam.
 
É basicamente a era do ter de fazer e ter sem se valorizar o ser; o que se sente realmente.
 
 Neste sentido, é preciso cautela ao se caracterizar uma criança como portadora de TDAH. Somente um médico (preferencialmente psiquiatra), juntamente com um psicólogo ou terapeuta ocupacional especializados, podem confirmar a suspeita de outros profissionais de áreas afins, como fonoaudiólogos, educadores ou psicopedagogos, que devem encaminhar a criança para o devido diagnóstico. 
 
Existem testes e questionários que auxiliam o diagnóstico clínico.
 
Hoje já se sabe que a área do cérebro envolvida nesse processo é a região orbital frontal (parte da frente do cérebro) responsável pela inibição do comportamento, pela atenção sustentada, pelo autocontrole e pelo planeamento do futuro. Entretanto, é importante frisar que o cérebro deve ser visto como um órgão cujas partes se interligam. Portanto, o funcionamento inadequado de outras áreas conectadas à região frontal pode levar a sintomas semelhantes aos do TDAH.
 
O TDAH foi descrito pela primeira vez num jornal médico (Lancet) por um pediatra, George Still, em 1902.
 
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) (em inglês, Attention Deficit/Hyperactivity Disorder, ADHD), é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade causando prejuízos a si mesmo e aos outros em pelo menos dois contextos diferentes (geralmente em casa e na escola/trabalho). 
 
Na mais recente classificação Internacional de Doenças da OMS, descreve-se como um Transtorno Hipercinético.
 
Estudos realizados no Brasil e outros países, utilizando os critérios plenos do DSM-IV, tendem a encontrar prevalências em torno de 3 a 6% em crianças em idade escolar, sendo que, desse universo cerca de 30 a 50% dos casos persiste até à idade adulta.
 
Ao mesmo tempo, é de salientar que, a causa, o diagnóstico e a eventual utilização do TDA-H para justificar mau desempenho escolar e o grande número de tratamentos desnecessários, com anfetaminas, geram controvérsias desde a década de 70 do século XX.
 
Características:
 
De um modo geral, o transtorno caracteriza-se por frequente comportamento de desatenção, inquietude e impulsividade, em pelo menos três contextos diferentes (casa, creche, escola, etc).
 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM IV) sub-divide o TDAH em três tipos:
 
TDAH com predomínio de sintomas de desatenção;
TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade e;
TDAH combinado.
 
Na década de 80 do século passado, a partir de novas investigações, passou-se a ressaltar aspectos cognitivos na definição de síndrome, principalmente o déficit de atenção e a impulsividade ou falta de controle, considerando-se, além disso, que a atividade motora excessiva é resultado do alcance reduzido da atenção da criança e da mudança contínua de objetivos e metas a que é submetida.
 
O transtorno é reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), tendo inclusive em muitos países, lei de proteção, assistência e ajuda tanto aos portadores quanto aos seus familiares.
 
Segundo a OMS e a Associação Psiquiátrica Americana, o TDAH é um transtorno psiquiátrico que tem como características básicas a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade, podendo levar a dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como a baixo desempenho escolar e outros problemas de saúde mental. Embora a criança hiperativa tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é caracterizado por problemas de aprendizagem e comportamento. 
 
Os professores e pais da criança hiperativa muitas vezes têm dificuldades em lidar com a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da criança. 
 
Há especialistas que defendem o uso de medicamentos; outros acreditam que o indivíduo, a sua família e os professores devem aprender a lidar com o problema sem a utilização de medicamentos - através de psicoterapia e aconselhamento familiar, já que há pequenos “truques” que assentam em regras de bom comportamento que podem fazer toda a diferença; tudo depende do diagnóstico e, se existe uma efectiva relação entre o comportamento e um transtorno mental.
 
Há, portanto, muita controvérsia sobre o assunto.
 
A criança com déficit de atenção sente-se muitas vezes isolada e segregada dos colegas, mas não entende por que é tão diferente. Fica perturbada com as suas próprias incapacidades. Sem conseguir concluir as tarefas normais de uma criança na escola, nas actividades ou em casa, a criança hiperativa pode sofrer de stress, tristeza e baixa-auto-estima.
 
Critérios Diagnósticos:
 
Para se diagnosticar um caso de TDAH é necessário que o indivíduo em questão apresente pelo menos seis dos sintomas de desatenção e/ou seis dos sintomas de hiperatividade; além disso os sintomas devem manifestar-se em pelo menos dois ambientes diferentes e por um período superior a seis meses.
 
Criança com predomínio de desatenção
 
Caracteriza-se o predomínio da desatenção quando o indivíduo apresenta seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistentes num espaço de pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:
 
Frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho entre outras.
 
Com frequência tem dificuldades em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.
Com frequência parece não ouvir quando lhe dirigem a palavra.
Com frequência não segue instruções e não termina os seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções).
Com frequência tem dificuldade em organizar tarefas e atividades.
Com frequência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa).
Com frequência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex., brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais).
É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa
Com frequência apresenta esquecimento em atividades diárias.
 
Com predomínio de hiperatividade e impulsividade
 
Caracteriza-se o predomínio da hiperatividade e impulsividade quando seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistirem por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento.
 
Hiperatividade
 
Frequentemente agita as mãos ou os pés.
Frequentemente abandona a sua cadeira na sala de aula ou noutras situações nas quais se espera que permaneça sentado.
Frequentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação).
Com frequência tem dificuldade em brincar ou em envolver-se silenciosamente em atividades de lazer.
Está frequentemente "a mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo o vapor".
Frequentemente fala em demasia.
 
Impulsividade
 
Frequentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas.
Com frequência tem dificuldade em aguardar a sua vez.
Frequentemente interrompe ou mete-se em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou brincadeiras).
 
Critérios para ambos os casos
 
Em ambos os casos os seguintes critérios também devem estar presentes:
 
Alguns sintomas de hiperatividade/impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade.
Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por ex., na escola [ou trabalho] e em casa).
Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, académico ou ocupacional.
Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno invasivo do desenvolvimento, esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são melhor explicados por outro transtorno mental (por exemplo transtorno do humor, transtorno de ansiedade, transtorno dissociativo ou um transtorno da personalidade).
 
Os sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade relacionados ao uso de medicamentos (como broncodilatadores, isoniazida e acatisia por neurolépticos) em crianças com menos de 7 anos de idade não devem ser diagnosticados como TDAH.
 
Pessoas com TDA-H têm problemas em fixar a sua atenção pelo mesmo período de tempo que as outras, interessadamente. Crianças com TDA-H não têm problemas para filtrar informações. Elas parecem prestar atenção aos mesmos temas que as crianças que não apresentam o TDA-H prestariam. 
 
Crianças com TDA-H sentem-se aborrecidas e acabam por perder o interesse pela tarefa mais rapidamente que outras crianças. Ao mesmo tempo, parecem atraídas pelos aspectos mais recompensadores, divertidos e reforçativos em qualquer situação, conforme o entendimento da psicologia behaviorista.
 
Essas crianças também tendem a optar por fazer pequenos trabalhos, mais rápidos, em troca de uma recompensa imediata, embora menor, em vez de trabalhar por mais tempo em troca de uma recompensa maior que só estaria disponível mais tarde. Na realidade, reduzir a estimulação torna ainda mais difícil para uma criança com TDA-H manter a atenção.
 
Estas crianças apresentam também dificuldades em controlar impulsos. Os problemas de atenção e de controlo de impulsos também se manifestam nos atalhos que essas crianças utilizam no desenvolvimento do seu trabalho. O objectivo é dedicar menos tempo e esforço ás tarefas que os aborrecem. 
 
Alguns problemas relatados por estas crianças referem-se à dificuldade em transformar as suas grandes ideias numa ação verdadeira.
Existem também problemas para se fazer entender ou explicar os seus pontos de vista.
Falta crónica de iniciativa.
Humor volúvel, da raiva para a tristeza rapidamente.
Pouca ou nenhuma tolerância à frustração.
Problemas na gestão e organização do tempo.
 
Como apresentam uma constante necessidade de adrenalina, estas crianças precisam de provocar conflitos apenas para satisfazer essa necessidade.
Igualmente têm tendência para o isolamento e para as actividades solitárias.
 
Raramente conseguem aprender com os próprios erros.
 
Causas:
 
Os principais fatores identificados como causa são uma suscetibilidade genética face à interação direta com fatores ambientais.
 
Quando um dos pais tem TDAH a probabilidade dos filhos terem  automaticamente duplica. No caso de, os pais serem ambos portadores, a probabilidade dispara oito vezes.
 
Eventuais problemas na gravidez também estão associados com maior incidência de casos mesmo quando desconsiderados outros fatores como psicopatologias dos pais.
 
Outros fatores, como danos cerebrais perinatais no lobo frontal, podem afetar o processos de atenção, motivação e planeamento e estariam indiretamente relacionados com a doença.
 
Problemas familiares também poderiam propiciar o aparecimento do TDA-H no indivíduo predisposto geneticamente: uma família numerosa, discussões muito frequentes entre os pais, criminalidade dos pais, colocação em lar adotivo ou pais com transtornos psiquiátricos. 
 
Tais problemas não originam o distúrbio mas poderiam amplificá-lo. Um dos possíveis motivos seria a negligência dos pais, que leva as crianças a precisarem de se comportar de maneira inadequada para conseguir atenção.
 
Também são de considerar os casos de famílias caracterizadas por alto grau de agressividade nas interações que podem contribuir para o aparecimento de comportamentos agressivos ou de uma oposição desafiante nas crianças perante a sociedade.
 
Problemas de ansiedade, baixa tolerância à frustração, depressão, abuso de substâncias químicas e transtornos opositivos são sintomas frequentes.
 
Fases da vida
 
História clássica de TDAH.
 
Desde bebé que se caracteriza a dificuldade em saciar o mais pequeno, bem como se verificam estados de irritabilidade, constante necessidade de consolo sem que alcance o bem-estar e a tranquilidade, uma maior prevalência de cólicas, dificuldade para se alimentar e problemas de sono.
 
Primeira infância
 
Muito inquieto e agitado, dificuldades de ajustamento, desobediente, facilmente irritado e extremamente difícil de satisfazer.
 
Na escola
 
Incapacidade de se concentrar, distrações muito frequentes, muito impulsivo, grandes variações de desempenho na escola, envolvimento em discussões, presença ou não de hiperatividade.
 
Adolescência
 
Muito inquieto, desempenho inconsistente, sem conseguir se focalizar, problemas para memorizar, abuso de substâncias, acidentes, impulsividade, muita dificuldade de pensar e se planear a longo prazo.
 
Adulto
 
Muito inquieto, comete muitos erros em atividades que exigem concentração, desorganizado, inconstante, desastrado, impaciente, não cumpre compromissos, perde prazos, distrai-se facilmente, não fica parado, toma decisões precipitadas, dificuldade para manter relacionamentos e rápida perda de interesse.
 
 
Diagnóstico
 
O diagnóstico de TDAH é fundamentalmente clínico, realizado por um profissional que conheça profundamente o assunto e que necessariamente descarte outras doenças e transtornos, para indicar o melhor tratamento.
 
Tratamento
 
Os pais devem ter um papel muito activo face à prescrição de medicamentos, já que, na maioria dos casos, uma mudança no estilo de vida e na forma de relacionamento familiar pode ajudar a conviver com alguns sinais da diferença na criança. 
 
Estar mais próximo dos filhos, fornecer mais regras de boa convivência social, dar mais afecto, participar mais na vida escolar da criança, incentivar, elogiar, respeitar o tempo de cada um e limitar o número de actividades em que a criança participa além da escola podem ser o melhor remédio na posição de muitos especialistas. 
 
Depois, com toda essa atenção dada à criança é mais fácil apurar progressos e, a partir daí aferir se existe mesmo necessidade de recorrer à medicação que deve exclusivamente ser orientada por um médico psiquiatra.
 
Note-se que, como muitas famílias não apresentam esta disponibilidade, tem sido mais rápido aplicar a medicação que, acaba por camuflar um problema emocional que ganha dimensão se não for conhecido.
 
 
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