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Maria Veleda

Maria Veleda
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11-09-2013 - 22:31
Maria Veleda é o pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispin, uma figura que ficou célebre por um percurso invejável e pela sua capacidade de intervir socialmente e de deixar um trabalho para a sociedade portuguesa.
 
 
Maria Veleda foi professora, feminista, republicana, livre-pensadora e espiritualista, um conjunto de atributos que a fazem merecer este destaque e a colocam numa posição de exemplo a seguir pelas novas gerações. 
 
É de salientar que, Maria Veleda foi uma mulher pioneira na luta pela educação das crianças e pelos direitos das mulheres e na divulgação dos ideais republicanos. Esta mulher destacou-se também como uma das mais importantes dirigentes do primeiro movimento feminista português, o que marcou a sua época. 
 
Natural de Faro, nasceu a 26 de Fevereiro de 1871 e faleceu em 1955 em Lisboa. 
 
De acordo com Natividade Monteiro que publicou uma breve biografia de Maria Veleda, esta mulher estreou-se na imprensa algarvia e alentejana com a publicação de poesia, contos e novelas, dedicou-se aos temas feministas e educativos e seguiu um percurso que a colocou na linha da escola moderna de Francisco Ferreira. 
 
Defendia a educação laica e integral, em que se aliassem a teoria e a prática, a liberdade, a criatividade, o espírito crítico e os valores éticos e cívicos. 
 
Maria Veleda ficou também conhecida do grande público pela publicação de contos infantis que, na sua época em Portugal, eram praticamente inexistentes. Assim, em1902, publicou uma colecção de contos para crianças, intitulada «Cor-de-Rosa» e o opúsculo 
“Emancipação Feminina”. 
 
Cerca de sete anos mais tarde, por sua iniciativa, a «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» fundou a «Obra Maternal» para acolher e educar crianças abandonadas ou em perigo moral, instituição que se manteve até 1916, graças à solidariedade da sociedade civil e às receitas obtidas em saraus teatrais, cujas peças dramáticas e cómicas eram escritas pela autora e posteriormente levadas à cena. 
 
Em 1912, o governo nomeou-a Delegada de Vigilância daTutoria Central da Infância de Lisboa, instituição destinada a recolher as crianças desamparadas, pedintes ou delinquentes, cargo que ocupou até 1941. 
 
É de recordar que, Maria Veleda esteve sempre a par das dificuldades da sua época e que lutou com todo o seu saber e energia para mudar algo. Assim, iniciou nos primeiros anos do século XX, um dos maiores combates da sua vida: defender a igualdade de direitos jurídicos, cívicos e políticos entre os sexos, isto porque as desigualdades e o sofrimento de muitas mulheres assim o exigia. 
 
Refira-se que, esta forma de intervenção teve como base alterar a realidade feminina que se circunscrevia à célula familiar, sendo o trabalho doméstico o seu único recurso. 
 
Maria Veleda criou então cursos nocturnos no Centro Republicano Afonso Costa, onde era professora do ensino primário, e nos Centros Republicanos António José de Almeida e Boto Machado, para ensinar a ler e a escrever as mulheres que igualmente precisavam de uma educação civica, já que não estavam preparadas para enfrentar os desafios da sociedade e as mudanças que se impunham. 
 
Era seu objevtivo despertar e preparar as mulheres para uma vida social mais activa e para uma participação política. 
 
Entre 1910 e 1915, enquanto dirigente da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» e das revistas, conseguiu colocar em marcha alguns dos seus ideais para as mulheres da sua época. 
 
Desta feita, empenhou-se na luta pelo sufrágio feminino, escrevendo, discursando, fazendo petições e liderando delegações e representações aos órgãos de soberania. Combateu a prostituição, sobretudo, a de menores, e o direito de fiança por abuso sexual de crianças. 
 
Fundou o “Grupo das Treze” com o intuito de combater a superstição, o obscurantismo e o fanatismo religioso que afectava sobretudo as mulheres e as impedia de se libertarem dos preconceitos sociais e da influência clerical que as mantinha submetidas aos dogmas da Igreja e à tutela masculina. 
 
Ainda de acordo com Natividade Monteiro, Maria Veleda converteu-se ao Livre-Pensamento e ingressou na Maçonaria, em 1907, aderiu também aos ideais da República e tornou-se oradora dos Centros Republicanos, escolas liberais, associações operárias e intelectuais, grémios, círios civis e comícios do Partido Republicano, da Junta Federal do Livre-Pensamento e da AssociaçãoPromotora do Registo Civil. 
 
Com um espírito tão interventivo para o seu tempo, não seria de admirar que, Maria Veleda fosse punida e perseguida, além de ter recebido constantes ameaças de morte, movidas por alguns sectores católicos e monárquicos mais conservadores. 
 
Em 1910, com a implantação da República, integrou oGrupo Pró-Pátria e percorreu o país em missão de propaganda, discursando em defesa do regime ameaçado. 
 
Em 1915, em consonância com o Partido Democrático de Afonso Costa, juntou-se aos conspiradores na preparação do golpe revolucionário que destituiu o governo ditatorial do General Pimenta de Castro e, envolveu-se na propaganda a favor da entrada de Portugal na 1ª. Guerra Mundial. 
 
Nesse mesmo ano, filiou-se no Partido Democrático e fundou a «Associação Feminina de 
Propaganda Democrática», cuja acção terminou em 1916, em nome da “União Sagrada” de todos os portugueses na defesa dos interesses da Pátria ameaçada. 
 
Maria Veleda, após toda a sua luta, estava desiludida com a actuação dos governos republicanos que não cumpriram as promessas de conceder o voto às mulheres nem souberam orientar a República de modo a estabelecer as verdadeiras Igualdade, Liberdadee Fraternidade e construir uma sociedade mais justa e melhor, pelo que abandonou o activismo político e feminista em 1921. 
 
As suas atenções voltaram-se então para o jornalismo onde acreditou poder intervir de uma forma mais concrecta e alargada. Assim, tornou-se jornalista do Século e de A Pátria de Luanda. 
 
Uma outra dimensão que a fascinava era o domínio da espiritualidade e do esoterismo sendo que, a existência humana era um motivo de preocu pação. 
 
Por esses motivos, aderiu ao espiritismo filosófico, científico e experimental. Fundou o «Grupo Espiritualista Luz eAmor» e, em 1925, dinamizou a organização do I Congresso Espírita Português e participou na criação da Federação Espírita Portuguesa. 
 
Fundou as Revistas A Asa, O Futuro e a Vanguarda Espírita e colaborou na imprensa espiritualista de todo o país, publicando poesia e artigos de pendor reflexivo e memorialista. Em1950, publicou as «Memórias de Maria Veleda» no jornal República. 
 
De acordo com Natividade Monteiro, “Maria Veleda dedicou a vida aos ideais de justiça, liberdade, igualdade e democracia e empenhou-se na construção de uma sociedade melhor, onde todos pudessem ser felizes. 
 
Semeou ideias, iniciou processos de mudança nas práticas sociais e lançou o debate sobre os lugares, os papéis e os poderes de mulheres e homens num mundo novo”. 
 
Maria Veleda é um nome a reter e um exemplo de luta e dedicação à causa pública que merece ser recordado. 
 
(Actualização:17.05.12)
 
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