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Violência doméstica: a família tem de re(agir)

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17-09-2013 - 22:43
Os números de mulheres vítimas de violência doméstica não param de aumentar em Portugal, bem como os casos de homicídios que já são um fim de uma linha que deveria ter sido travada a tempo.
 
São inúmeras as vezes a que assistimos a títulos assustadores na imprensa, mas ainda assim, parece “normal” que um casal se agrida; que uma mulher seja maltratada no seio familiar, que crianças assistam à violência e, na maioria das vezes, façam parte das discussões e da pancadaria, bem como idosos que coabitam na mesma residência integrarem as estatísticas do medo dos agressores ou mesmo de vítimas dessa violência.
 
É caso para reflectir acerca do que está profundamente errado dentro e fora de casa no nosso país…
 
Em primeiro lugar, o aspecto cultural continua muito vincado em muitas mentalidades. Segue-se o problema do ainda aceite “sexo forte”, em que a mulher se tem de sujeitar aos maus-tratos em silêncio por medo de represálias.
Depois e, não menos importante, temos o problema da família, dos amigos e dos vizinhos que, “não se metem” porque não querem problemas, sem esquecer que, muitas mulheres acreditam no amor e na bofetada e que não encontram apoio de ninguém no seio familiar.
 
É vergonhoso o retrato de uma sociedade que ainda defende que, uma mulher gosta de apanhar pancada, que tem de se sujeitar aos maus-tratos porque “é assim a vida de mulher casada”.
 
Não menos terrível é o papel distante de uma família que, assiste ao sofrimento de uma filha e que lhe pede paciência até que “ele melhore”. Palavras como: “isso vai passar, tens de ter paciência, ou eu já passei pelo mesmo”, continua a manchar a educação, a inibir o progresso e a retrair a punição das autoridades face a um problema que tem ganho proporções, sobretudo porque se conhecem muitas mais realidades, mas também porque é crime e devido ao facto de existirem pessoas mais atentas ao seu papel social.
 
É uma realidade que, em cenários de maior dificuldade como aquele a que estamos a assistir, há um aumento deste tipo de situações, mas isso não serve de explicação para um problema real que existe no namoro, no casamento e mesmo no divórcio.
 
Tem sido aceite que o homem bate na mulher e que ela se conforma e, esta realidade existe com ou sem dinheiro, com mais ou menos problemas de saúde, até porque não é só nos meios mais desfavorecidos que a violência doméstica existe, muito pelo contrário.
 
Depois temos o problema de uma sociedade mal esclarecida e que, nem sempre procura o apoio de que precisa por desconhecimento, por apatia, por medo, por retracção ou falta de incentivos exteriores. Mais um motivo para que se fale, se escreva e se aborde o assunto nos meios de comunicação social até que se perceba que os resultados existem.
 
Neste contexto, é de sublinhar o papel activo e interventivo do psicólogo Quintino Aires que, participa no programa Você na TV apresentado por Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira, em que inúmeras vezes aborda este tipo de problemas, dá orientações e alerta para uma realidade perigosa por detrás de um agressor e na vida de uma família que com ele coabita.
 
Estas mensagens são sempre poucas, mas importantíssimas para mudar mentalidades, pois nunca se pode desistir de uma causa preocupante.
 
Entre outros pontos, o Dr. Quintino Aires tem frisado o papel da família que não se pode afastar deste problema.
 
Para este especialista, um pai ou uma mãe que tem conhecimento de um cenário de violência no namoro ou no casamento, deve alertar imediatamente o filho ou a filha e ser firme: “tens o meu apoio para terminar já essa relação”.
 
Recorde-se que, o papel da família tem vindo a conhecer alterações e que, cada vez mais se é adulto sem qualquer preparação, pois a idade não é sinónimo de estar pronto para assumir determinadas responsabilidades e, a família em conformidade com o que assiste em termos sociais, acredita que sim e descarta-se do seu papel sem que se aperceba se existe essa maturidade.
 
Recorde-se que, a maioridade se atinge aos 18 anos e que, a maioria dos jovens no nosso país, não tem emprego, ainda estuda, depende dos pais financeiramente e, na maioria dos casos, emocionalmente, já que não reúne as competências para ser um adulto, apenas atingiu a idade que a sociedade definiu para assumir responsabilidades.
 
Muitas vezes, os filhos vivem problemas e não pedem apoio aos pais por medo de mostrar fragilidade ou por saberem que os progenitores os vão aconselhar a manter a mesma situação complicada.
 
Esta realidade não é produto só das transformações sociais a que assistimos, mas um traço cultural que perdura e que precisa de ser transformado: os pais são sempre quem deve proteger os seus filhos independentemente da idade. 
 
Não importa o que os vizinhos ou demais familiares pensam acerca da separação, do voltar para a casa dos pais e daí por diante, interessa que os nossos filhos sejam felizes e que vivam com estabilidade e qualidade. Dado esse conforto, certamente que vão ficar muito mais preparados para enfrentar novos desafios e futuras relações com mais exigência e consciência do que se pretende com um casamento ou na vida a dois.
 
O Dr. Quintino Aires falava “no sofá que se tem em casa e que serve para deitar o nosso filho ou filha vítima de violência ou de qualquer outro problema”, é preciso é ter essa coragem para agir, para reagir e para apoiar, pois caso contrário, podemos assistir a mais uma vítima mortal e pode ser a nossa filha…
 
Não podemos ser impotentes ao ponto de não conseguirmos dizer “basta” com todas as letras e, se necessário, ajudarmos a pedir apoio fora; junto de instituições, pois mais vale ajudar enquanto é tempo, a chorar depois de estar tudo perdido.
 
O alcoolismo, também muitas vezes associado à violência doméstica, é outro problema que se vai banalizando até porque parece “normal” o acto de beber.
 
 O problema é que a bebida se torna num vício terrível e as consequências são muitas vezes mortais. Sem esquecer que este vício que altera comportamentos em termos sociais, está a começar cada vez mais cedo e de forma menos controlada.
 
O desemprego também é um drama social que não pode justificar a agressão entre quatro paredes, pois é preciso compreender que, alguém que agride desempregado, também o faz se melhorar de condição de vida, pois é um hábito e, mais uma vez, um traço cultural a combater, mas não é a apanhar pancada que uma mulher ajuda o marido a sair do vício.
 
Quem quer melhorar a sua condição, tem mesmo de pedir ajuda médica/técnica especializada.
 
Muitos homens justificam a sua violência com o álcool e parece que se sentem melhor assumindo que “bebi e excedi-me” quando são três ou quatro erros juntos. Beber em vez de resolver o problema, agredir para mostrar força e poder, assumir o erro para justificar a acção negativa e continuar a beber sem pedir ajuda para corrigir definitivamente a situação.
 
É nestes moldes realistas que temos de analisar a nossa vida, a vida dos nossos filhos e dos nossos netos.
 
Quem ama, não agride, muito menos trata mal. Essa é mais uma desculpa. Quem tem uma doença chamada ciúme, tem de ser tratado, pois não é amor e muito menos uma justificação para agredir quem quer que seja.
 
Esta problemática vai passando de geração em geração e continua a parecer normal que a filha que assistiu ao drama familiar, o siga religiosamente e com o apoio da mãe.
 
Se não colocarmos um travão nesta cadeia de passagens geracionais, teremos cada vez mais mortes a lamentar.
 
A melhor forma de ajudar, é rejeitar a agressão de todas e quaisquer formas, é assumir que, uma relação não pode ser envolta em pancadaria e outro tipo de violência, pois chamar nomes também é uma forma de agressão, tal como provocar sofrimento no outro e partir objectos em casa nos actos de fúria.
 
O casamento deve ser partilhado pelo casal, de livre vontade e de uma forma harmoniosa, em que não exista espaço para qualquer tipo de violência.
 
Os pais devem “meter-se” quando reparam que os filhos estão com problemas emocionais de qualquer espécie, pois não é com a passagem das responsabilidades que resolvem o problema. 
 
Se os filhos não são capazes de o fazer, alguém tem de os ajudar e, ninguém melhor que os pais.
 
Os filhos nem sempre se apercebem dos riscos que correm ou do que é mais correcto devido à tal falta de maturidade, por isso não podem estar condenados a uma vida desastrosa que pode ter um desfecho fatal.
 
Os amigos, os vizinhos, os conhecidos, têm a obrigação de denunciar situações que lhes pareçam menos correctas entre marido e mulher.
 
É bom recordar que, no nosso país se falta muito “nas costas” e se faz pouco no contacto directo, mas que há assuntos que devem ser só comentados entre amigos, enquanto que, há problemas sérios que precisam de uma intervenção urgente, senão basta recordar que, a maioria dos casos que se conhecem na comunicação social, têm antecedentes suspeitos no relacionamento do casal… se alguém tivesse agarrado no telefone e ligado para a PSP a tempo, uma vida teria sido poupada…
 
Mas infelizmente, falar da vida alheia é um alimento para a alma de muita gente que, se não gostasse desse modelo, faria algo a tempo para o cortar, mas ficaria sem tema de conversa.
 
 
 
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